O lúpus eritematoso é uma doença autoimune de expressão ampla, que vai da doença cutânea isolada ao lúpus eritematoso sistêmico, podendo haver associação entre ambos.
As lesões cutâneas específicas dividem-se em lúpus cutâneo agudo, subagudo e crônico; algumas classificações acrescentam o intermitente (tumidus) e o lúpus bolhoso. As formas não são mutuamente exclusivas e podem coexistir no mesmo paciente.
Qualquer forma cutânea pode ocorrer isolada ou no contexto do lúpus sistêmico, com força de associação variável conforme o subtipo. Toda lesão cutânea específica obriga avaliar a possibilidade de lúpus sistêmico.
Há ainda lesões inespecíficas (alopecia difusa não cicatricial, úlceras mucosas, vasculite, livedo, Raynaud, alterações periungueais, sinais de síndrome antifosfolípide) que refletem atividade ou vasculopatia sistêmica.
O lúpus sistêmico predomina no sexo feminino e acomete a pele em grande parte dos casos, podendo a pele ser a manifestação inicial. O lúpus cutâneo isolado é mais frequente que o sistêmico, e o lúpus cutâneo crônico (sobretudo o discoide) é a forma cutânea mais comum.
O risco de progressão ou associação com lúpus sistêmico varia com o subtipo: o lúpus cutâneo agudo é o mais fortemente associado; no subagudo, parte relevante preenche critérios (doença sistêmica em geral mais leve); no discoide o risco é menor, maior nas formas disseminadas, na infância, com FAN alto e fototipos mais altos. O lúpus bolhoso ocorre no contexto de lúpus sistêmico, por vezes com atividade intensa.
Fatores de risco e doenças associadas
Multifatorial: predisposição genética, fatores ambientais, ativação imune inata e adaptativa, autoanticorpos e dano tecidual. A radiação UV induz apoptose de queratinócitos, expõe autoantígenos nucleares (Ro, La, DNA), ativa citocinas e a assinatura de interferon tipo I.
A depuração deficiente de células apoptóticas (agravada por deficiências de complemento) favorece perda de tolerância. Participam células dendríticas plasmocitoides, linfócitos T e neutrófilos. O anti-Ro/SSA é muito frequente no subagudo. O tabagismo agrava e piora a resposta terapêutica. Mutações em TREX1 associam-se a formas familiares de lúpus pérnio.
Classificação
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O prognóstico varia com o subtipo. No lúpus discoide a maioria não evolui para lúpus sistêmico, e a progressão, quando ocorre, costuma ser nos primeiros anos, sendo maior nas formas disseminadas e infantis; pode deixar cicatriz, atrofia, discromia e alopecia cicatricial.
O subagudo tem curso crônico e recorrente, em geral sem cicatriz (pode deixar hipopigmentação). O tumidus resolve sem cicatriz. A paniculite lúpica pode deixar depressões por lipoatrofia. O lúpus neonatal cutâneo resolve em cerca de 6 a 12 meses (com a depuração dos anticorpos maternos), mas o bloqueio cardíaco completo é irreversível.
No lúpus sistêmico, o prognóstico depende da atividade e do acometimento renal, neurológico, cardiovascular e hematológico, das infecções e das tromboses; a mortalidade precoce liga-se à atividade e à infecção, e a tardia a eventos cardiovasculares. A meta é a remissão ou, quando não possível, baixa atividade com mínima exposição a corticosteroide.
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