Pular para o conteúdo
Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

Conteúdo

  • Assista
  • Explore
  • Assinar

Contato

  • Sou paciente: agendar consulta
  • WhatsApp
  • Instagram
© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
Dermato Prática
AssistaExploreSobreEntrarAssinar
Você está no conteúdo aberto da Dermato Prática. Conheça os planos →
← Doenças

Lúpus eritematoso

Padrão inflamatório(lúpus cutâneo, lúpus eritematoso cutâneo, lúpus discoide, LED, lúpus cutâneo subagudo, lúpus cutâneo agudo, lúpus tumidus, lúpus eritematoso sistêmico, LES)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

O lúpus eritematoso é uma doença autoimune de expressão ampla, que vai da doença cutânea isolada ao lúpus eritematoso sistêmico, podendo haver associação entre ambos.

As lesões cutâneas específicas dividem-se em lúpus cutâneo agudo, subagudo e crônico; algumas classificações acrescentam o intermitente (tumidus) e o lúpus bolhoso. As formas não são mutuamente exclusivas e podem coexistir no mesmo paciente.

Qualquer forma cutânea pode ocorrer isolada ou no contexto do lúpus sistêmico, com força de associação variável conforme o subtipo. Toda lesão cutânea específica obriga avaliar a possibilidade de lúpus sistêmico.

Há ainda lesões inespecíficas (alopecia difusa não cicatricial, úlceras mucosas, vasculite, livedo, Raynaud, alterações periungueais, sinais de síndrome antifosfolípide) que refletem atividade ou vasculopatia sistêmica.

Epidemiologia

O lúpus sistêmico predomina no sexo feminino e acomete a pele em grande parte dos casos, podendo a pele ser a manifestação inicial. O lúpus cutâneo isolado é mais frequente que o sistêmico, e o lúpus cutâneo crônico (sobretudo o discoide) é a forma cutânea mais comum.

O risco de progressão ou associação com lúpus sistêmico varia com o subtipo: o lúpus cutâneo agudo é o mais fortemente associado; no subagudo, parte relevante preenche critérios (doença sistêmica em geral mais leve); no discoide o risco é menor, maior nas formas disseminadas, na infância, com FAN alto e fototipos mais altos. O lúpus bolhoso ocorre no contexto de lúpus sistêmico, por vezes com atividade intensa.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Radiação ultravioleta (UVB e UVA); a latência de semanas entre a exposição e o surto dificulta a percepção do paciente
  • Tabagismo, principalmente no lúpus discoide: maior gravidade, mais dano e pior resposta aos antimaláricos
  • Medicamentos, sobretudo no lúpus cutâneo subagudo: hidroclorotiazida, terbinafina, inibidores do fator de necrose tumoral, inibidores da bomba de prótons, bloqueadores de canal de cálcio, inibidores da enzima conversora de angiotensina e estatinas
  • Trauma cutâneo (fenômeno de Koebner)
  • Predisposição genética e deficiências de complemento (C1q, C2, C4)
  • Toda lesão cutânea específica de lúpus deve ser avaliada para lúpus sistêmico (anamnese, exame físico e laboratório dirigido), com manejo conjunto com a reumatologia quando há doença sistêmica
  • Risco de lúpus sistêmico por subtipo: agudo (forte), subagudo (parcela preenche critérios), discoide (menor, maior se disseminado ou infantil)
  • Triagem inicial: hemograma, VHS, proteína C reativa, fator antinuclear por HEp-2, função hepática e renal, urina tipo 1 e proteinúria
  • Conforme a suspeita: anti-DNA nativo e anti-Sm (específicos de lúpus sistêmico), anti-Ro/SSA e anti-La/SSB (subagudo, fotossensibilidade e lúpus neonatal), anti-RNP, C3, C4, CH50 e antifosfolípides; G6PD antes de dapsona ou antimalárico
  • Critérios EULAR/ACR 2019: entrada com fator antinuclear igual ou maior que 1:80; classifica com 10 pontos ou mais (mucocutâneo: agudo 6, discoide ou subagudo 4, úlceras orais 2, alopecia não cicatricial 2)
  • Anti-Ro52 materno, associado a bloqueio cardíaco congênito; gestante com anti-Ro/SSA ou anti-La/SSB exige rastreio fetal
  • Sobreposição com síndrome de Sjögren (anti-Ro/SSA); síndrome antifosfolípide e risco trombótico
  • Lesões crônicas (discoide, hipertrófico, mucoso, ulcerado), com risco de carcinoma espinocelular

Patogênese

Multifatorial: predisposição genética, fatores ambientais, ativação imune inata e adaptativa, autoanticorpos e dano tecidual. A radiação UV induz apoptose de queratinócitos, expõe autoantígenos nucleares (Ro, La, DNA), ativa citocinas e a assinatura de interferon tipo I.

A depuração deficiente de células apoptóticas (agravada por deficiências de complemento) favorece perda de tolerância. Participam células dendríticas plasmocitoides, linfócitos T e neutrófilos. O anti-Ro/SSA é muito frequente no subagudo. O tabagismo agrava e piora a resposta terapêutica. Mutações em TREX1 associam-se a formas familiares de lúpus pérnio.

Clínica

  • Lúpus cutâneo agudo: eritema malar (asa de borboleta), simétrico, poupando sulcos nasolabiais; transitório e fotoexacerbado; forma disseminada maculopapular fotodistribuída; poupa articulações dos dedos (diferente da dermatomiosite); acompanha atividade sistêmica; costuma não cicatrizar
  • Lúpus cutâneo subagudo: muito fotossensível; placas anulares policíclicas ou papuloescamosas psoriasiformes em áreas fotoexpostas (pescoço, V do decote, dorso, membros superiores), poupando a face central; resolve sem cicatriz (pode deixar hipocromia)
  • Lúpus discoide: placas eritematosas infiltradas com escama aderente, tampão folicular (sinal da língua de gato), atrofia, cicatriz e discromia (hipocromia central, hipercromia periférica); alopecia cicatricial no couro cabeludo; formas localizada, disseminada e infantil
  • Variantes crônicas: mucoso, hipertrófico/verrucoso, profundo (paniculite lúpica: nódulos/placas subcutâneos dolorosos com lipoatrofia), pérnio, comedônico, sobreposição com líquen plano, linear blaschkoide
  • Lúpus tumidus (intermitente): placas eritematoedematosas infiltradas, lisas, sem alteração epidérmica, fotossensíveis, resolvem sem cicatriz
  • Lúpus bolhoso: vesículas e bolhas tensas disseminadas (anti-colágeno VII), associado ao LES; resposta rápida à dapsona
  • Lúpus neonatal: por anti-Ro/SSA e anti-La/SSB maternos; lesões tipo subagudo com acometimento facial; risco de bloqueio cardíaco congênito

Classificação

  • Lesões específicas: agudo, subagudo, crônico, intermitente e bolhoso
  • Crônico inclui: discoide (localizado, disseminado, infantil), discoide mucoso, hipertrófico/verrucoso, profundo (paniculite lúpica), pérnio, comedônico, sobreposição discoide-líquen plano e linear blaschkoide
  • Intermitente: lúpus tumidus
  • Subagudo: formas anular policíclica e papuloescamosa; inclui a induzida por drogas e a síndrome de Rowell (lesões alvoides)
  • Lúpus neonatal: forma relacionada ao subagudo, por autoanticorpos maternos
  • Lesões inespecíficas (refletem doença sistêmica): Raynaud, livedo, vasculite, úlceras mucosas, alopecia difusa não cicatricial, entre outras

Dermatoscopia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Histopatologia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Diagnósticos diferenciais Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Manejo Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Procedimentos relacionados Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Complicações e cuidados

  • Cicatriz, atrofia, discromia permanente e alopecia cicatricial (típicas do lúpus discoide)
  • Risco de carcinoma espinocelular em lesões crônicas, hipertróficas, mucosas ou ulceradas: vigiar
  • Lipoatrofia e depressões cicatriciais na paniculite lúpica
  • Lúpus neonatal: bloqueio cardíaco congênito irreversível (rastrear gestante com anti-Ro/SSA ou anti-La/SSB)
  • Toxicidade dos fármacos: retinopatia por antimalárico (rastreio oftalmológico), hemólise por dapsona (G6PD), neuropatia e trombose por talidomida
  • No lúpus sistêmico: maior risco cardiovascular e infeccioso; imunização, nefroproteção e controle de risco cardiovascular

Prognóstico

O prognóstico varia com o subtipo. No lúpus discoide a maioria não evolui para lúpus sistêmico, e a progressão, quando ocorre, costuma ser nos primeiros anos, sendo maior nas formas disseminadas e infantis; pode deixar cicatriz, atrofia, discromia e alopecia cicatricial.

O subagudo tem curso crônico e recorrente, em geral sem cicatriz (pode deixar hipopigmentação). O tumidus resolve sem cicatriz. A paniculite lúpica pode deixar depressões por lipoatrofia. O lúpus neonatal cutâneo resolve em cerca de 6 a 12 meses (com a depuração dos anticorpos maternos), mas o bloqueio cardíaco completo é irreversível.

No lúpus sistêmico, o prognóstico depende da atividade e do acometimento renal, neurológico, cardiovascular e hematológico, das infecções e das tromboses; a mortalidade precoce liga-se à atividade e à infecção, e a tardia a eventos cardiovasculares. A meta é a remissão ou, quando não possível, baixa atividade com mínima exposição a corticosteroide.

Pérola clínica Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Referências

  1. British Association of Dermatologists guidelines for the management of people with cutaneous lupus erythematosus 2021. British Journal of Dermatology. 2021.
  2. Guideline for the diagnosis, treatment and long-term management of cutaneous lupus erythematosus. Journal of Autoimmunity. 2021.
  3. Cutaneous lupus erythematosus: a review of etiopathogenic, clinical, diagnostic and therapeutic aspects. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2023.
  4. EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus: 2023 update. Annals of the Rheumatic Diseases. 2024.
  5. Aringer M, Costenbader K, Daikh D, et al. 2019.
  6. Standardization of dermoscopic terminology and basic dermoscopic parameters to evaluate in general dermatology (non-neoplastic dermatoses): an expert consensus on behalf of the International Dermoscopy Society. British Journal of Dermatology. 2020.
  7. Dermoscopy of inflammatory dermatoses (inflammoscopy): an up-to-date overview. Dermatology Practical & Conceptual. 2019.

Achados (clique para explorar)

eritemafaceáreas fotoexpostasplacaescama aderenteatrofiaalopecia cicatriciallesão anularlesão policíclicalesão hipocrômicalivedo reticularfenômeno de Raynaud
Médico ou estudante
Acesso completo

Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.

Aprenda comigo →
Paciente
Consulte com o Dr. Caio Formiga

Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.

Consulte comigo →