Malformações vasculares
Conceito
Malformações vasculares são anomalias de desenvolvimento dos vasos, e não neoplasias: o número de vasos é normal e não há proliferação endotelial.
A classificação da Sociedade Internacional para o Estudo das Anomalias Vasculares (ISSVA) separa as anomalias vasculares em dois grandes grupos: os tumores vasculares, com proliferação de células endoteliais (por exemplo hemangioma infantil, hemangioma congênito, angioma tufoso, hemangioendotelioma kaposiforme, angiossarcoma), e as malformações vasculares, que são alterações estruturais dos vasos sem proliferação endotelial.
Essa separação organiza a conduta: a malformação está presente ao nascer, não cresce rapidamente, aumenta proporcionalmente ao crescimento da criança, persiste, tende a se tornar mais verrucosa com o tempo e é GLUT-1 negativa.
Classificam-se pelo vaso predominante em capilares, venosas, linfáticas e arteriovenosas, e o tipo de vaso define o comportamento (fluxo lento nas capilares, venosas e linfáticas; fluxo rápido nas arteriovenosas e nas fístulas arteriovenosas) e o tratamento.
A malformação não involui, portanto conduta expectante não resolve.
A malformação capilar de face pode ser o sinal cutâneo de uma síndrome (Sturge-Weber, entre outras) e indica rastreio.
Os genes causais identificados desde a revisão de 2018 da classificação ISSVA explicam os alvos terapêuticos moleculares em estudo.
Epidemiologia
A malformação capilar (mancha vinho do Porto) é esporádica e afeta 0,1% a 2% dos recém-nascidos.
O nevo simples (mancha salmão) é muito mais comum, presente em até 50% dos recém-nascidos, contra cerca de 1% para a mancha vinho do Porto.
As malformações arteriovenosas são o tipo mais raro, e são localizadas na cabeça em cerca de 70% dos casos.
Na síndrome de Klippel-Trenaunay, os membros inferiores são acometidos em 95% dos casos, muito mais do que os superiores.
As malformações linfáticas macrocísticas estão presentes ao nascimento em cerca de 60% dos casos.
A síndrome de Kasabach-Merritt (coagulopatia de consumo com plaquetopenia profunda, hipofibrinogenemia e anemia microangiopática, com mortalidade de até 24%) ocorre em cerca de 70% dos pacientes com hemangioendotelioma kaposiforme e em cerca de 10% dos pacientes com angioma tufoso, e não nas malformações.
Fatores de risco e doenças associadas
- Puberdade, gravidez e trauma como fatores de exacerbação das malformações arteriovenosas
Síndrome de Sturge-Weber (angiomatose encefalotrigeminal)
- Malformação capilar na distribuição do placódio frontonasal (fronte), correspondente ao antigo ramo oftálmico do trigêmeo (V1)
- Apenas 5% a 10% das crianças com malformação capilar de fronte têm a síndrome, e o risco aumenta quanto mais extensa a lesão
- Malformação capilar leptomeníngea ipsilateral (angiomatose) do cérebro e do olho
- Convulsões, em geral no primeiro ano de vida
- Calcificações corticais em trilho de trem na tomografia de crânio
- Glaucoma congênito como principal complicação ocular
- Hemiparesia e deficiência intelectual
- Mutações somáticas em mosaico em GNAQ ou GNA11
- Malformações capilares faciais bilaterais na distribuição da fronte indicam o pior prognóstico (maior risco de convulsões e atraso do desenvolvimento mais profundo)
Síndrome de Klippel-Trenaunay
- Malformação capilar, venosa e/ou linfática de fluxo lento com hipertrofia de partes moles e/ou óssea de um membro
- Varicosidades venosas comuns
- Faz parte do espectro de sobrecrescimento relacionado a PIK3CA (PROS)
Outras síndromes com malformação capilar
- Síndrome de Parkes-Weber (componente arteriovenoso de alto fluxo e hipertrofia do membro; prognóstico ruim após a puberdade)
- Síndromes de hamartoma PTEN e síndrome de Proteus
- Síndrome de Cobb (angiomatose cutaneomeningoespinhal)
- Síndrome de Beckwith-Wiedemann
- Facomatose pigmentovascular
- Malformação capilar com malformação arteriovenosa (CM-AVM), associada a RASA1
- Síndrome CLOVES e síndrome megalencefalia com malformação capilar e polimicrogiria, ambas dentro do PROS (risco de tumor de Wilms)
Síndromes com malformação venosa
- Síndrome de Maffucci (malformações venosas com encondromas; 50% de risco de condrossarcoma)
- Síndrome do nevo azul em bolha de borracha (blue rubber bleb nevus), com sobreposição importante à malformação venosa cutaneomucosa familiar
Malformação linfática macrocística
- Aneuploidias fetais, incluindo síndrome de Turner e síndrome de Down
- Síndrome de Noonan e acondroplasia
Patogênese
Os genes causais das anomalias vasculares concentram-se em duas vias: a via RAS/MEK/ERK, cujas alterações causam sobretudo malformações de alto fluxo (arteriovenosas) e tumores vasculares, e a via PIK3CA/Akt/mTOR, cujas alterações causam malformações de fluxo lento (venosas e linfáticas).
Malformação capilar e síndrome de Sturge-Weber:
Mutações somáticas em mosaico em GNAQ (por exemplo p.R183Q) ou em GNA11 (p.R183C, p.R183H, p.Q209L, p.Q209P) nas células endoteliais.
As mesmas mutações de GNAQ e GNA11 já foram detectadas em malformações capilares esporádicas, e não apenas nas sindrômicas.
As mutações ativam a via MEK/ERK a jusante e podem ativar também a via PI3K/Akt; propõe-se que prejudiquem a capacidade do endotélio de distinguir fluxo laminar de fluxo turbulento, ou que impeçam a diferenciação endotelial, com dilatação progressiva de vasos imaturos semelhantes a vênulas.
As malformações capilares geográficas devem-se mais comumente a mutações em PIK3CA.
Malformação venosa:
Cerca de metade das malformações venosas esporádicas apresenta mutações somáticas em TIE2 (TEK), por exemplo p.L914F; a forma familiar (malformação venosa cutaneomucosa, VMCM) decorre de mutação germinativa em heterozigose (troca de arginina por triptofano na posição 849 do domínio quinase de Tie2), com penetrância baixa.
A explicação para lesões localizadas apesar de mutação germinativa em todas as células é o segundo golpe (mutação somática adicional no DNA lesional).
Alguns pacientes têm também mutações em PIK3CA ou Akt, moléculas a jusante de Tie2.
A sinalização desregulada de Tie2 altera a expressão de citocinas (angiopoietina-2, PDGF), desorienta as células musculares lisas para a periferia do vaso e leva à dilatação venosa anômala; a ativação de mTOR induz senescência celular, o que gera anomalia morfológica sem tumorigênese.
Malformação glomuvenosa:
Mutações germinativas com perda de função no gene da glomulina (GLMN), de herança autossômica dominante e penetrância baixa, com segundo golpe somático no DNA lesional.
A glomulina normal liga e inibe a proteína ligadora de FK, que por sua vez bloqueia os sinais de TGF-beta; a glomulina mutante não inibe essa proteína, reduzindo excessivamente os sinais de TGF-beta e impedindo a diferenciação das células musculares lisas, com proliferação de células glômicas imaturas.
A glomulina mutante também ativa sinais de PI3K por interação com o receptor c-met.
Malformação linfática:
Mutações ativadoras somáticas em PIK3CA nas células endoteliais linfáticas da lesão, nos domínios helicoidal (p.E542K) e quinase (p.H1047R, p.H1047L); também descritas p.E109del, p.C420R, p.E545K e p.Q546K.
As mutações estimulam a expressão de VEGF-C e VEGFR3 e aumentam proliferação, quimiotaxia e angiogênese pela via Akt/mTOR.
Em modelo animal, a ativação precoce de p110-alfa na embriogênese gera lesões macrocísticas, e a ativação tardia ou neonatal gera lesões microcísticas, o que sugere que o momento da mutação define o fenótipo.
Malformação arteriovenosa:
Mutações na via RAS: KRAS (p.G12D, p.G12V), MAP2K1 (p.F53L, p.Q56P, p.K57N, p.Q58del, p.D67Y) e BRAF (p.V600E), com ativação dos sinais MEK/ERK a jusante.
A ativação de RAS induz alteração morfológica do endotélio, aumento do brotamento vascular, alargamento da luz e conexão anômala entre artérias e veias, sem proliferação celular.
As malformações arteriovenosas são anomalias do desenvolvimento surgidas no início da embriogênese, com comunicação anormal entre artéria e veia e desvio de sangue de alto fluxo da circulação arterial para a venosa.
Mutações em RASA1 estão associadas à síndrome de Parkes-Weber e à malformação capilar com malformação arteriovenosa (CM-AVM).
Espectro de sobrecrescimento relacionado a PIK3CA (PROS):
Mutações somáticas ativadoras em PIK3CA (gene da subunidade p110-alfa da PI3K) causam fenótipos de sobrecrescimento segmentar heterogêneos, com frequência acompanhados de malformações vasculares.
Inclui a síndrome de Klippel-Trenaunay, a síndrome CLOVES e a síndrome megalencefalia com malformação capilar e polimicrogiria.
Em Klippel-Trenaunay, uma de cinco mutações (p.C420R, p.E542K, p.E545K, p.H1047R, p.H1047L) foi identificada em 20 de 21 pacientes.
Mutações germinativas em PIK3CA são letais no embrião: nas malformações venosas e linfáticas, localizadas, a mutação ocorre tardiamente e afeta um único clone de células endoteliais; no PROS, a mutação é em mosaico e ocorre precocemente na embriogênese.
Angioma tufoso e hemangioendotelioma kaposiforme (tumores, e não malformações) associam-se a mutação em GNA14 (c.614A>T, p.Q205L).
A frequência de alelos mutados no tecido lesional é baixa (cerca de 10% nas malformações linfáticas e na síndrome de Sturge-Weber), e ainda não se sabe como uma população tão pequena de células mutadas forma a lesão inteira.
Clínica
Malformação capilar (mancha vinho do Porto, nevo flâmeo)
- Mácula ou placa vascular vermelho-arroxeada presente ao nascimento
- Localiza-se com frequência na face, mas pode ocorrer em qualquer parte do corpo
- Não regride espontaneamente, aumenta proporcionalmente ao crescimento da criança e pode escurecer e tornar-se hipertrófica com o tempo, sobretudo na face
- Em geral é achado cutâneo isolado, mas pode fazer parte de várias síndromes
Nevo simples (mancha salmão)
- Ectasia capilar benigna e transitória, muito comum
- Máculas e placas mal delimitadas, rosadas a vermelho-claras, que empalidecem à digitopressão
- Localiza-se na glabela (beijo de anjo), pálpebras e occipúcio (bicada de cegonha), e mais raramente no nariz, lábio superior e região lombossacra
- Comparada à mancha vinho do Porto, é muito mais comum, mais mal delimitada, mais clara (rosada, e não vermelho-escura ou cor de vinho) e transitória
- As formas mais extensas são chamadas nevo simples complexo
Malformação venosa
- Presente ao nascimento, mas pode tornar-se mais evidente na infância
- Massa subcutânea mole, de superfície de coloração normal a azul-arroxeada
- Nódulo ou placa eritematoso a violáceo, mole e compressível, sem calor, frêmito vascular ou pulsação, com ou sem veias radiadas
- Pode haver calcificação (flebólitos) visível na radiografia simples
- Antiga designação de hemangioma cavernoso
Malformação glomuvenosa
- Classificada pela ISSVA dentro das malformações venosas
- Surge na infância, com lesões múltiplas: nódulos azulados moles, apenas parcialmente compressíveis, mais do que placas confluentes
- Predomina nos membros inferiores e costuma ser assintomática (a dor é mais típica do tumor glômico)
- As formas esporádicas podem ser dolorosas e surgir sob a unha; as hereditárias costumam ser múltiplas
- Malformação linfática microcística (linfangioma circunscrito):
- Pequenos cistos agregados; mais comum que a macrocística; surge nos primeiros meses a anos de vida
- Sempre confinada a uma região anatômica; sítios mais comuns são abdome, axilas, boca (sobretudo a língua) e região genital
- Aglomerados de pápulas e vesículas com conteúdo claro ou hemorrágico (vermelho-arroxeadas), isoladas ou coalescentes em placa, com aspecto de ovas de rã
Malformação linfática macrocística (higroma cístico)
- Uma a três lesões císticas grandes
- Massa grande, mole, azulada e por vezes translúcida, com pele sobrejacente normal, que transilumina
- Cabeça, pescoço e axila ou tórax são os sítios mais comuns, com preferência pelo lado esquerdo
- Aumento súbito de volume sugere infecção ou hemorragia intralesional
Malformação arteriovenosa
- Placas, nódulos ou tumores eritematosos a violáceos, quentes ao toque, com frêmito ou pulsação palpáveis
- A apresentação varia conforme o estádio de Schobinger, do shunt cutâneo quente e rosa-azulado até ulceração, sangramento e insuficiência cardíaca
- Podem surgir edema periférico, dor, varicosidades, ulceração e hipertrofia do membro
- As pequenas e hemodinamicamente estáveis são assintomáticas; as maiores e hemodinamicamente instáveis podem levar a taquicardia e insuficiência cardíaca
Cutis marmorata telangiectásica congênita
- Rede vascular reticulada eritêmato-violácea presente ao nascimento, em geral unilateral e nos membros inferiores
- A exposição ao frio acentua o quadro; pode haver atrofia e ulceração com cicatriz
- Costuma atenuar-se nos primeiros 2 a 3 anos de vida
Classificação
Classificação ISSVA (revisão de 2018), primeiro nível
- Tumores vasculares (há proliferação endotelial): benignos (hemangioma infantil, hemangioma congênito, angioma tufoso), localmente agressivos ou limítrofes (hemangioendotelioma kaposiforme, sarcoma de Kaposi) e malignos (angiossarcoma, hemangioendotelioma epitelioide)
- Malformações vasculares (não há proliferação endotelial): simples, combinadas, de grandes vasos nomeados e associadas a outras anomalias
Malformações vasculares simples (pelo vaso acometido)
- Malformações capilares
- Malformações linfáticas
- Malformações venosas
- Malformações arteriovenosas (alto fluxo)
- Fístulas arteriovenosas (alto fluxo)
Malformações vasculares combinadas
- Duas ou mais malformações simples numa mesma lesão
Malformações de grandes vasos nomeados
- Anomalias de origem, trajeto ou número de vasos com nome anatômico
Malformações associadas a outras anomalias
- Síndromes em que a malformação vascular se acompanha de alterações extravasculares, como discrepância de comprimento dos membros e hipertrofia segmentar (Klippel-Trenaunay, Sturge-Weber)
Apêndice da classificação
- Espectro de sobrecrescimento relacionado a PIK3CA (PROS)
- Anomalias vasculares provisoriamente não classificadas
Subtipos das malformações capilares
- Mancha vinho do Porto (nevo flâmeo)
- Malformação capilar geográfica
- Malformação capilar reticulada difusa com sobrecrescimento (DCMO)
Subtipos das malformações venosas
- Malformação venosa esporádica
- Malformação venosa cutaneomucosa familiar (VMCM)
- Malformação glomuvenosa (antes chamada glomangioma)
Subtipos das malformações linfáticas
- Microcística (linfangioma circunscrito)
- Macrocística (higroma cístico)
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Complicações e cuidados
- Escurecimento progressivo e hipertrofia da mancha vinho do Porto, sobretudo na face
- Hipertrofia de partes moles e óssea sob a malformação capilar na síndrome de Sturge-Weber
- Convulsões, atraso do desenvolvimento, deficiência intelectual e déficits neurológicos focais na síndrome de Sturge-Weber
- Glaucoma e demais complicações oftalmológicas (60% dos pacientes com Sturge-Weber)
- Trombose venosa profunda, tromboflebite e embolia pulmonar na síndrome de Klippel-Trenaunay
- Sangramento gastrointestinal, bolhas vasculares dolorosas e insuficiência cardíaca de alto débito na síndrome de Klippel-Trenaunay
- Coagulopatia de consumo nas malformações arteriovenosas maiores
- Insuficiência cardíaca de alto débito nas malformações arteriovenosas hemodinamicamente instáveis
- Ulceração e sangramento nas malformações arteriovenosas em estádio avançado
- Obstrução de via aérea e pneumonia (causas de mortalidade, inferior a 6%, na malformação linfática macrocística)
- Derrames pleural, abdominal e pericárdico, linfedema, insuficiência cardíaca e insuficiência respiratória nas malformações linfáticas
- Osteólise (doença de Gorham-Stout) quando a malformação linfática invade o osso subjacente
- Infecção e hemorragia intralesional com aumento súbito de volume nas malformações linfáticas
- Ulceração e cicatriz na cutis marmorata telangiectásica congênita
Prognóstico
As malformações vasculares não regridem: aumentam proporcionalmente ao crescimento da criança e persistem por toda a vida, ao contrário dos hemangiomas infantis.
A mancha vinho do Porto tende a escurecer e a tornar-se hipertrófica com o tempo, sobretudo na face.
O nevo simples (mancha salmão) resolve espontaneamente na maioria dos casos, em poucos meses a anos, mas as lesões occipitais frequentemente persistem.
Na síndrome de Sturge-Weber, o curso clínico depende da extensão do acometimento leptomeníngeo, e o acometimento facial bilateral na distribuição da fronte confere o pior prognóstico.
Na malformação linfática macrocística, a mortalidade é inferior a 6%, geralmente por obstrução de via aérea ou pneumonia.
Na síndrome de Parkes-Weber, o prognóstico é ruim após a puberdade, com crescimento continuado da malformação arteriovenosa.
A cutis marmorata telangiectásica congênita costuma atenuar-se nos primeiros 2 a 3 anos de vida.
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Referências
- ISSVA Classification of Vascular Anomalies and Molecular Biology. International Journal of Molecular Sciences. 2022.
- Clinical Practice Guideline for the Management of Infantile Hemangiomas. Pediatrics. 2019.
- Vascular structures in dermoscopy. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2015.
- Dermoscopic Analysis of Vascular Malformations and Tumors Based Upon Dominant Vascular Dermoscopic Features: A Retrospective Analysis From a Tertiary Care Center of East India. Cureus. 2022.
- Dermoscopic Features Summarization and Comparison of Four Types of Cutaneous Vascular Anomalies. Frontiers in Medicine. 2021.
- Exploring Pediatric Dermatology in Skin of Color: Focus on Dermoscopy. Life. 2024.
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