A mastocitose cutânea é uma proliferação clonal de mastócitos que se acumulam na derme, relacionada, na maior parte dos casos, a mutações ativadoras do gene KIT.
Os mastócitos acumulados degranulam e liberam histamina e outros mediadores, de modo que a lesão produz sintomas locais (urticação, prurido, bolha) e sistêmicos (rubor, diarreia, dor abdominal e, raramente, anafilaxia).
Mais de 80% dos pacientes com mastocitose apresentam lesões cutâneas castanhas ou vermelhas características.
A mastocitose cutânea predomina na criança. No adulto, as lesões cutâneas em geral acompanham mastocitose sistêmica, com mais frequência a mastocitose sistêmica indolente, e a mastocitose cutânea verdadeira do adulto é rara.
A forma da criança tende a regredir espontaneamente em torno da puberdade; no adulto o curso é crônico e as lesões persistem.
Confirmar o diagnóstico com o sinal de Darier e orientar o paciente a evitar os desencadeantes de degranulação, porque o risco de anafilaxia existe.
A mastocitose pode iniciar na vida adulta ou na infância, e os dois grupos têm lesões cutâneas, mutações e evolução distintas.
Na criança, o início costuma ocorrer nos primeiros 6 meses de vida, e parte dos pacientes já apresenta lesões ao nascimento.
No adulto, a doença surge em geral entre 20 e 35 anos, mas o início pode ser mais tardio, inclusive após os 65 a 70 anos.
Na criança, a mastocitose cutânea sem envolvimento histológico de outros órgãos é a apresentação da maioria dos pacientes; no adulto, as lesões cutâneas em geral se associam a mastocitose sistêmica.
Cerca de 95% dos pacientes com mastocitose sistêmica indolente apresentam lesões maculopapulares, contra cerca de 50% dos pacientes com mastocitose sistêmica avançada; entre os pacientes com leucemia de mastócitos, menos de 50% têm lesões cutâneas.
Anafilaxia ocorre em cerca de 50% dos adultos e em menos de 10% das crianças.
Na criança, o risco de reação anafilática correlaciona-se com a gravidade do acometimento cutâneo e com o nível de triptase sérica.
Mais de 80% dos adultos com mastocitose carregam a mutação KIT D816V, no éxon 17.
Na mastocitose de início na infância, 35% expressam KIT D816V, 40% expressam outras mutações do KIT (éxons 8, 9 ou 11) e 25% não têm mutação detectável do KIT.
Mastocitomas quase nunca são observados no adulto.
Fatores de risco e doenças associadas
O gene KIT codifica o receptor KIT (CD117), expresso na superfície do mastócito; o fator de células-tronco (stem cell factor) é o ligante de KIT e é essencial para a sobrevida dos mastócitos.
A doença decorre da expansão de mastócitos clonais em diferentes órgãos, com frequência ligada a mutações ativadoras do KIT; os órgãos mais acometidos são a pele e a medula óssea.
No adulto predomina a mutação D816V, no éxon 17; na criança predominam mutações em outros éxons (8, 9 ou 11) ou não há mutação detectável.
A mastocitose cutânea difusa pode relacionar-se a mutações do KIT nos éxons 8 ou 9 e pode associar-se a mastocitose familiar por mutação germinativa do KIT, de herança autossômica dominante.
A atividade tirosina quinase resultante responde também pelo aumento da pigmentação dos mastocitomas.
Os mastócitos acumulados degranulam mediante estímulos físicos e químicos, liberando histamina e outros mediadores, o que explica o sinal de Darier, o prurido, o rubor, a formação de bolhas e a anafilaxia.
Na mastocitose cutânea difusa, o sangramento prolongado das feridas cutâneas é atribuído à liberação local de heparina.
Classificação
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Na criança, o prognóstico é favorável: a maioria dos pacientes com a variante polimórfica apresenta regressão espontânea das lesões até a adolescência, e o mastocitoma cutâneo resolve espontaneamente em 1 a 3 anos e não persiste na vida adulta.
Na mastocitose cutânea difusa da criança, as lesões também costumam resolver até a adolescência, e a tendência à formação de bolhas melhora em 3 a 4 anos.
A variante monomórfica de lesões maculopapulares, quando surge na criança, com frequência persiste na vida adulta e corresponde a mastocitose sistêmica, o que contrasta com o desfecho da variante polimórfica.
Parte dos pacientes pediátricos mantém a doença na vida adulta, com frequência ainda não determinada.
No adulto, o curso é crônico e as lesões persistem; a maioria tem mastocitose sistêmica, com mais frequência a forma indolente.
Pacientes com maior número de lesões e com triptase sérica mais alta têm maior probabilidade de envolvimento sistêmico e, na criança, de episódios graves de ativação mastocitária.
Nas mastocitoses sistêmicas avançadas, incluindo a mastocitose sistêmica agressiva e a leucemia de mastócitos, o prognóstico é reservado.
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