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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Melanoma

malignaepiderme e derme(Melanoma maligno, Melanoma cutâneo, Melanoma extensivo superficial, Melanoma disseminativo superficial, Melanoma nodular, Lentigo maligno melanoma, Melanoma acral lentiginoso, Melanoma acrolentiginoso, Melanoma desmoplásico, Melanoma amelanótico, Melanoma ungueal, Melanoma subungueal, Melanoma mucoso)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosAulasVeja também

Imagens

Clínica (6)

Dermatoscopia (6)

Conceito

Melanoma é a neoplasia maligna derivada dos melanócitos, células dendríticas produtoras de melanina localizadas na camada basal da epiderme e também presentes na matriz ungueal, nas mucosas, na úvea e nas leptomeninges.

Responde pela maior parte das mortes por câncer de pele, embora seja muito menos frequente que os carcinomas basocelular e espinocelular.

Toda lesão melanocítica suspeita deve ser diagnosticada precocemente e removida por biópsia excisional, porque o prognóstico depende quase inteiramente da espessura do tumor no momento do diagnóstico.

Tumores finos, com índice de Breslow abaixo de 1 mm, têm mortalidade próxima de zero; tumores espessos e ulcerados têm sobrevida muito baixa.

Crioterapia, shave superficial, eletrocoagulação e laser sobre lesão pigmentada não diagnosticada destroem o material necessário ao estadiamento e atrasam o tratamento.

O melanoma é também um marcador de risco pessoal e familiar: quem teve um melanoma tem risco aumentado de novos melanomas primários, e a agregação familiar obriga a rastrear parentes.

Epidemiologia

A incidência do melanoma cutâneo vem aumentando em vários países há mais de quarenta anos e é uma das neoplasias de crescimento mais rápido em populações de pele clara.

Projeções internacionais estimam cerca de 510.000 casos novos e 96.000 mortes por melanoma no mundo em 2040, o que representa aumento aproximado de 50% em relação a 2020.

Nos Estados Unidos, a estimativa para 2024 era de cerca de 100.640 casos novos e 8.290 mortes por melanoma.

A mortalidade por melanoma vem caindo na população branca não hispânica norte-americana desde 2014, queda atribuída à introdução das imunoterapias e das terapias-alvo eficazes na doença avançada.

Indivíduos hispânicos e negros (categorias autodeclaradas dos registros norte-americanos) apresentam pior sobrevida que os demais grupos, o que sugere iniquidades persistentes no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

No Brasil, a estimativa oficial para 2020 foi de 8.450 casos novos, sendo 4.200 em homens e 4.250 em mulheres, e os dados de incidência municipal são escassos e reconhecidamente subestimados.

A região Sul do Brasil concentra as maiores incidências do país, para ambos os sexos.

Um estudo de 40 anos em Blumenau (Santa Catarina), município de população predominantemente descendente de alemães e italianos, com fototipos I e II e alto índice de radiação ultravioleta, reuniu 2.336 melanomas cutâneos primários entre 1980 e 2019: a taxa bruta subiu de 4,4 casos por 100.000 habitantes em 1980 para 44,26 por 100.000 em 2018, aumento de cerca de cinco vezes.

Nesse mesmo estudo, as taxas máximas por sexo foram de 52,87 por 100.000 nos homens (2011) e 46,73 por 100.000 nas mulheres (2018), e as mulheres responderam por 56% dos casos.

A incidência cresce acentuadamente com a idade: em Blumenau, 57% dos casos ocorreram acima de 54 anos e, em 2018, o coeficiente na faixa de 70 anos ou mais chegou a 421 casos por 100.000 habitantes nos homens e 301 por 100.000 nas mulheres.

A distribuição por subtipo histológico em Blumenau foi de 64,5% de melanoma extensivo superficial, 22,8% de melanoma nodular, 9,4% de lentigo maligno melanoma e 3,3% de melanoma acral lentiginoso.

A localização primária mais comum foi o tronco (42,3% do total, com predomínio masculino, 49,5%), seguida de membros superiores e inferiores, estes últimos mais frequentes nas mulheres.

Campanhas de educação sanitária e prevenção primária, associadas ao uso da dermatoscopia, acompanharam aumento expressivo do diagnóstico precoce nesse município: os melanomas com espessura entre 0,0 e 0,5 mm passaram de 27 casos (1995 a 1999) para 518 casos (2010 a 2019), e os diagnósticos em níveis I e II de Clark subiram de 24,95% (1980 a 1990) para 49,8% (2010 a 2019).

No Brasil observa-se maior mortalidade em homens, provavelmente por diagnóstico mais tardio.

A maior parte dos casos ocorre em indivíduos de pele clara, mas o melanoma ocorre em qualquer fototipo e, em pessoas de pele negra e fototipos altos, o subtipo acral lentiginoso é o mais frequentemente observado; a incidência absoluta do melanoma acral, no entanto, é semelhante entre os grupos.

A idade de apresentação é ampla, com a maioria dos casos a partir da quarta década.

O lentigo maligno melanoma responde por 5% a 15% de todos os melanomas cutâneos; o lentigo maligno corresponde a 10% a 26% dos melanomas de cabeça e pescoço e a 5% a 10% dos melanomas em geral, sendo responsável por grande parte dos melanomas em pacientes acima de 65 anos.

O lentigo maligno é mais comum em idosos, com pico entre 65 e 80 anos, e sua incidência vem aumentando: nos Estados Unidos houve aumento de 52% na incidência do lentigo maligno entre homens e mulheres de 45 a 64 anos entre 1990 e 2000.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Fototipo baixo (I e II de Fitzpatrick), pele clara, efélides e tendência a queimadura solar
  • Exposição à radiação ultravioleta, tanto cumulativa quanto em surtos intermitentes e intensos
  • Uso de câmara de bronzeamento artificial, hábito particularmente frequente entre mulheres jovens
  • Grande número de nevos melanocíticos adquiridos comuns
  • Nevos melanocíticos atípicos (displásicos) múltiplos, com risco diretamente proporcional ao número de nevos atípicos
  • Múltiplos lentigos solares
  • Idade acima de 50 anos
  • Sexo masculino
  • História pessoal de melanoma prévio (risco de novo melanoma primário de 4% a 8%, em geral nos primeiros 3 a 5 anos)
  • História familiar de melanoma
  • Imunossupressão, incluindo receptores de transplante de órgãos

Lentigo maligno e lentigo maligno melanoma

  • Exposição solar crônica e cumulativa, mais do que a exposição intermitente e intensa, que predomina nos demais subtipos
  • Dano actínico visível (ceratoses actínicas e lentigos solares) e tendência a formar lentigos solares
  • História prévia de câncer de pele não melanoma
  • Idade avançada
  • Ausência de vínculo com nevos preexistentes ou com grande número de nevos, ao contrário do melanoma extensivo superficial

Predisposição genética

  • Mutação germinativa de CDKN2A (síndrome do melanoma familiar com múltiplos nevos atípicos, herança autossômica dominante, com 50 ou mais nevos melanocíticos e história familiar de melanoma)
  • Mutações germinativas de CDK4, POT1, TERT, TP53 e MITF E318K
  • Mutação germinativa de BAP-1
  • Câncer de pâncreas nas famílias com mutação de CDKN2A
  • Melanoma uveal, mesotelioma, carcinoma de células renais e meningioma na síndrome tumoral do BAP-1
  • Nevo congênito gigante, com risco aumentado de melanoma nos nevos maiores que 20 cm
  • Vitiligo e hipopigmentação associada ao melanoma, que pode surgir espontaneamente ou durante a imunoterapia anti-PD-1 e correlaciona-se com melhor resposta imune

Patogênese

O melanoma resulta do acúmulo de alterações genéticas em melanócitos, com ativação da via das MAP quinases e perda do controle do ciclo celular.

As mutações somáticas mais relevantes distribuem-se conforme o sítio anatômico e o padrão de dano solar.

BRAF (V600E é a mutação mais comum) predomina em sítios sem dano solar crônico e no melanoma extensivo superficial.

NRAS predomina em pele com dano solar crônico e no melanoma nodular.

C-KIT associa-se a sítios com dano solar crônico e aos melanomas acral e mucoso.

Amplificações de CCND1 e CDK4 são comuns em sítios com dano solar crônico e nos melanomas acral e mucoso.

GNAQ e GNA11 são as mutações condutoras do melanoma uveal, do nevo azul e do nevo de Ota.

Cerca de 40% a 50% dos pacientes com melanoma têm mutação BRAF V600, base racional para a terapia-alvo com inibidores de BRAF e de MEK.

Na predisposição hereditária, as mutações germinativas de CDKN2A (síndrome do melanoma familiar com múltiplos nevos atípicos) são as mais conhecidas: o gene codifica as proteínas p16 e p14ARF, que modulam a progressão do ciclo celular pelas vias do retinoblastoma e do p53, respectivamente.

Mutações detectáveis em CDKN2A ocorrem em cerca de 25% dos melanomas familiares; em estudo populacional, 1,2% dos pacientes com melanoma primário único e 2,9% dos pacientes com melanomas primários múltiplos eram portadores de mutação germinativa de CDKN2A.

Outras mutações germinativas descritas incluem CDK4, POT1, TERT (promotor), TP53, MITF E318K e BAP-1.

BAP-1 é um gene supressor tumoral no cromossomo 3p21 que codifica uma desubiquitinase de histonas; a perda germinativa de função aumenta o risco de melanoma cutâneo, melanoma uveal, nevo azul celular maligno, tumores spitzoides atípicos intradérmicos (os chamados BAPomas, pápulas vermelho-alaranjadas histologicamente características) e neoplasias internas, sobretudo mesotelioma e carcinoma de células renais.

BAP-1 comporta-se como gene de alta penetrância para o melanoma ocular e de penetrância intermediária para o melanoma cutâneo, já que apenas cerca de 13% dos portadores desenvolvem melanoma cutâneo.

A radiação ultravioleta atua tanto por exposição cumulativa quanto por exposições intermitentes e intensas, com queimaduras solares.

Clínica

  • Lesão pigmentada que muda de tamanho, forma ou cor, ou lesão nova em adulto
  • Assimetria, bordas irregulares, cores variadas dentro da mesma lesão, diâmetro em crescimento e evolução são a base da regra do ABCDE, usada nas campanhas de detecção precoce
  • Sinal do patinho feio: em pacientes com muitos nevos, os nevos tendem a ser clinicamente semelhantes entre si (nevos assinatura), e a lesão que destoa do padrão dos demais é a que deve ser investigada

Melanoma extensivo superficial

  • Subtipo mais comum
  • Pico entre 40 e 60 anos
  • Pode surgir de novo ou sobre nevo preexistente
  • Predileção pelo tronco nos homens e pelas pernas nas mulheres
  • Mácula de contorno irregular e pigmentação variável durante a fase de crescimento radial
  • Torna-se papulonodular quando entra em fase de crescimento vertical

Melanoma nodular

  • Início em torno da sexta década, mais frequente em homens
  • Cabeça, pescoço e dorso são os sítios mais comuns
  • Nódulo azul-enegrecido de crescimento rápido, frequentemente ulcerado
  • Não tem fase de crescimento horizontal, o que explica o diagnóstico em estágio mais avançado

Lentigo maligno e lentigo maligno melanoma

  • Lentigo maligno é a forma in situ (proliferação de melanócitos atípicos ao longo da camada basal em pele com dano solar); o lentigo maligno melanoma é a forma invasiva, com o mesmo prognóstico dos demais melanomas invasivos de igual espessura
  • Início a partir da sétima década, com pico entre 65 e 80 anos
  • Pele com dano solar crônico, sobretudo cabeça e pescoço; raramente tronco e extremidades (a histologia do lentigo maligno extrafacial é idêntica à do facial)
  • Mácula (menor que 10 mm) ou área maculosa (maior que 10 mm) castanho-clara, de crescimento lento, bordas irregulares e assimetria; com o tempo a pigmentação torna-se variegada, com preto, rosa e castanho-escuro, podendo haver áreas amelanóticas
  • Nodularidade indica surgimento de componente dérmico invasivo
  • Repigmentação de pelos previamente brancos ou grisalhos é sinal precoce e levanta a suspeita de lentigo maligno no couro cabeludo
  • Fase de crescimento horizontal longa, que precede a invasão: 30% a 50% dos casos progridem para lentigo maligno melanoma se não tratados, com latência de 10 a 50 anos, embora haja relatos de progressão em 24 meses
  • Melanoma invasivo é encontrado em 8,1% a 16% dos tumores inicialmente diagnosticados como lentigo maligno
  • Extensão subclínica periférica e perianexial além das margens visíveis, com migração das células ao longo dos anexos

Melanoma acral lentiginoso

  • Variante menos comum no conjunto, com pico em torno da sétima década
  • É o tipo mais observado em pessoas de pele negra e fototipos altos, embora a incidência absoluta seja semelhante entre os grupos
  • Palmas, plantas e aparelho ungueal
  • Costuma ser diagnosticado em estágio avançado por detecção clínica tardia, e esse atraso é o principal determinante do seu pior prognóstico
  • No Brasil correspondeu a 3,3% dos melanomas na casuística de Blumenau

Melanoma ungueal

  • Origina-se na matriz ungueal
  • Melanoníquia longitudinal, faixa pigmentada que vai da matriz à borda livre
  • Sinal de Hutchinson: extensão da pigmentação para a prega ungueal proximal, achado que sugere melanoma ungueal, sobretudo em adultos
  • Pode apresentar-se como pigmentação difusa da unha ou como alteração amelanótica

Melanoma desmoplásico

  • Frequentemente amelanótico
  • Cabeça e pescoço
  • Neurotropismo e invasão perineural são comuns e aumentam o risco de recidiva local

Melanoma amelanótico

  • Lesão rósea, eritematosa ou cor da pele, sem pigmento visível
  • Simula lesões benignas e carcinomas, e é fonte clássica de atraso diagnóstico

Melanoma mucoso

  • Sítio oral mais comum é o palato duro
  • Metástases em até 50% dos casos
  • O fator prognóstico mais importante é o diagnóstico precoce

Melanoma spitzoide

  • A perda homozigótica de 9p21 detectada por FISH indica pior evolução

Sinais de doença avançada

  • Ulceração da lesão primária
  • Metástases em trânsito e satélites, nódulos cutâneos ou subcutâneos entre a cicatriz da exérese e a cadeia linfonodal de drenagem
  • Linfonodos regionais palpáveis
  • Sintomas constitucionais, perda de peso não intencional e cefaleia de início recente

Melanoma ungueal, sinais de alarme (regra ABCDEF)

  • A: idade (age) entre a quinta e a sétima década, faixa em que o melanoma subungueal é mais comum
  • B: cor castanha ou preta (brown, black) e faixa com 3 mm ou mais de largura (breadth)
  • C: mudança (change) de tamanho ou de morfologia
  • D: dígito acometido (digit), sobretudo polegar, hálux e indicador, em unha única
  • E: extensão (extension) do pigmento para a dobra ungueal proximal ou o hiponíquio (sinal de Hutchinson)
  • F: história familiar ou pessoal (familial) de melanoma ou de nevos displásicos
  • Sinal da pirâmide: extremidade proximal da faixa mais larga que a distal, formando um triângulo; é raro e indica mau prognóstico
  • A regra auxilia, mas não foi validada e não separa com segurança as faixas benignas das malignas
  • O melanoma ungueal pode sangrar e simular hematoma subungueal

Classificação

Classificação por subtipo clinicopatológico

  • Melanoma extensivo superficial (disseminativo superficial)
  • Melanoma nodular
  • Lentigo maligno melanoma
  • Melanoma acral lentiginoso (inclui o melanoma ungueal, de origem na matriz)
  • Melanoma desmoplásico
  • Melanoma mucoso
  • Melanoma spitzoide
  • Melanoma uveal
  • Nevo azul maligno (melanoma sobre nevo azul celular)
  • Classificação por estádio, AJCC 8ª edição, categoria T (espessura de Breslow e ulceração):
  • Tis: melanoma in situ
  • T1: espessura de até 1,0 mm; T1a menor que 0,8 mm sem ulceração; T1b menor que 0,8 mm com ulceração ou 0,8 a 1,0 mm com ou sem ulceração
  • T2: mais de 1,0 até 2,0 mm; a sem ulceração; b com ulceração
  • T3: mais de 2,0 até 4,0 mm; a sem ulceração; b com ulceração
  • T4: mais de 4,0 mm; a sem ulceração; b com ulceração

Categoria N (linfonodos e metástases intralinfáticas)

  • N0: nenhum linfonodo acometido
  • N1: 1 linfonodo acometido ou metástases em trânsito, satélites ou microssatélites sem linfonodo acometido; N1a clinicamente oculto (detectado apenas por linfonodo sentinela); N1b clinicamente detectado; N1c metástases intralinfáticas sem doença linfonodal regional
  • N2: 2 a 3 linfonodos acometidos ou metástases intralinfáticas com 1 linfonodo acometido; N2a clinicamente ocultos; N2b ao menos 1 clinicamente detectado; N2c metástases intralinfáticas com 1 linfonodo acometido
  • N3: 4 ou mais linfonodos acometidos, ou metástases intralinfáticas com 2 ou mais linfonodos acometidos, ou linfonodos coalescentes; N3a 4 ou mais clinicamente ocultos; N3b 4 ou mais com ao menos 1 clinicamente detectado, ou linfonodos coalescentes; N3c 2 ou mais linfonodos ocultos ou detectados, ou coalescentes, com metástases intralinfáticas
  • Categoria M (metástases a distância, com descritor de desidrogenase láctica normal (0) ou elevada (1)):
  • M0: sem metástases a distância
  • M1a: pele, tecidos moles, músculo ou linfonodos não regionais a distância
  • M1b: metástases pulmonares
  • M1c: metástases viscerais não relacionadas ao sistema nervoso central
  • M1d: metástases no sistema nervoso central

Agrupamento por estádio patológico, AJCC 8ª edição

  • Estádio 0: Tis N0 M0
  • Estádio IA: T1a N0 M0 e T1b N0 M0
  • Estádio IB: T2a N0 M0
  • Estádio IIA: T2b ou T3a, N0 M0
  • Estádio IIB: T3b ou T4a, N0 M0
  • Estádio IIC: T4b N0 M0
  • Estádio IIIA: T1a ou T1b a T2a com N1a ou N2a
  • Estádio IIIB: T0 com N1b ou N1c; T1a ou T1b a T2a com N1b, N1c ou N2b; T2b ou T3a com N1a a N2b
  • Estádio IIIC: T0 com N2b, N2c, N3b ou N3c; T1a a T3a com N2c ou N3a, N3b ou N3c; T3b ou T4a com qualquer N igual ou superior a N1; T4b com N1a a N2c
  • Estádio IIID: T4b com N3a, N3b ou N3c
  • Estádio IV: qualquer T (inclusive Tis) e qualquer N, com M1
  • Nível de Clark (anatômico, hoje opcional no laudo, mas ainda usado em séries epidemiológicas e em decisões quando a contagem de mitoses não está disponível)

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Complicações e cuidados

  • Recidiva local por doença persistente (recidiva macular na margem da cicatriz, com componente in situ ou de crescimento radial), decorrente de exérese incompleta
  • Metástase satélite e em trânsito, nódulos cutâneos ou subcutâneos palpáveis entre a cicatriz e a cadeia linfonodal, que já configuram estádio III
  • Metástase linfonodal regional
  • Metástases a distância em pele, tecidos moles, linfonodos não regionais, pulmão, vísceras e sistema nervoso central
  • Segundo melanoma primário (4% a 8% dos pacientes, em geral nos primeiros 3 a 5 anos)
  • Linfedema após linfadenectomia, mais grave na doença clinicamente detectada do que na oculta
  • Toxicidade cutânea dos inibidores de BRAF: fotossensibilidade intensa à radiação ultravioleta A, carcinoma espinocelular e ceratoacantoma (em geral nas primeiras 8 semanas, em pacientes com dano actínico prévio), ceratose actínica hipertrófica, ceratose verrucosa, erupção do tipo ceratose pilar, reação mão-pé (ceratodermia palmoplantar dolorosa), xerose, eflúvio telógeno, nevos eruptivos, paniculite e novos melanomas primários BRAF selvagens
  • Toxicidade cutânea dos inibidores de MEK: erupção acneiforme papulopustulosa e paroníquia
  • Toxicidade cutânea dos inibidores de checkpoint: dermatite morbiliforme, prurido, vitiligo (hipopigmentação associada ao melanoma), erupções liquenoides, exacerbação de dermatite atópica, psoríase, sarcoidose e doenças bolhosas autoimunes, e raramente síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica
  • Risco de transmissão do talimogene laherparepvec a contactantes próximos e a populações vulneráveis

Prognóstico

O prognóstico depende essencialmente do estádio ao diagnóstico, determinado pela espessura de Breslow, pela ulceração e pela situação linfonodal.

Na base internacional que fundamentou a 8ª edição do AJCC, a sobrevida específica por melanoma em 5 e 10 anos foi de 98% e 95% no estádio I, 90% e 84% no estádio II e 77% e 69% no estádio III.

Por categoria T, a sobrevida específica em 5 e 10 anos variou de 99% e 98% no T1a N0 (menos de 0,8 mm, sem ulceração) a 82% e 75% no T4b N0 (mais de 4,0 mm, ulcerado).

Por agrupamento de estádio, a sobrevida específica em 5 e 10 anos variou de 99% e 98% no estádio IA a 82% e 75% no estádio IIC.

A ulceração desloca o paciente para uma sobrevida semelhante à da categoria de espessura imediatamente superior sem ulceração: o T2b N0 tem sobrevida de 93% em 5 anos e 88% em 10 anos, praticamente igual à do T3a N0 (94% e 88%).

No estádio III, a sobrevida específica em 5 anos varia de 93% no estádio IIIA a 32% no estádio IIID.

O índice mitótico estratifica a sobrevida em todas as espessuras: a sobrevida específica em 5 e 10 anos vai de 99% e 97% nos tumores com menos de 1 mitose por mm2 a 84% e 77% nos tumores com 11 ou mais mitoses por mm2.

Fatores associados a pior prognóstico: Breslow maior que 1 mm, ulceração, índice mitótico elevado, idade avançada, sexo masculino, linfonodos metastáticos palpáveis, localização em cabeça, pescoço e tronco, metástases viscerais e atraso no tratamento.

A situação do linfonodo sentinela é o preditor isolado mais forte de recidiva e de sobrevida.

A desidrogenase láctica sérica elevada associa-se a pior sobrevida no estádio IV e pode predizer resposta ao tratamento, motivo pelo qual está incorporada a todas as categorias M da 8ª edição.

Pacientes com melanoma de Breslow menor que 1 mm são considerados de baixo risco, com excelente prognóstico e mortalidade que pode aproximar-se de zero.

O lentigo maligno tem a maior sobrevida em 5 anos entre os subtipos de melanoma, estimada em 97,2%, por ser indolente e de crescimento lento; uma vez invasivo, porém, o lentigo maligno melanoma pode ser agressivo, com risco de metástase equivalente ao dos demais melanomas invasivos.

O melanoma nodular apresenta, em todas as séries, maior mortalidade, por conta do nível de invasão mais avançado no momento do diagnóstico.

O melanoma mucoso metastatiza em até 50% dos casos, e seu principal fator prognóstico é o diagnóstico precoce.

No melanoma desmoplásico puro, o risco de metástase nodal e a distância é menor, mas o risco de recidiva local é maior.

A perda de BAP-1 associa-se a pior prognóstico no melanoma uveal e no nevo azul celular maligno.

A mortalidade por melanoma vem caindo desde 2014 na população branca não hispânica dos Estados Unidos, atribuída à eficácia das imunoterapias e das terapias-alvo.

A sobrevida do estádio IV vem melhorando de forma progressiva com os inibidores de checkpoint e a terapia-alvo, e os dados históricos de sobrevida tendem a subestimar o desfecho atual.

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Referências

  1. Melanoma staging: evidence-based changes in the American Joint Committee on Cancer eighth edition cancer staging manual. CA: A Cancer Journal for Clinicians. 2017.
  2. Guidelines of care for the management of primary cutaneous melanoma. Journal of the American Academy of Dermatology. 2019.
  3. Melanoma: cutaneous, version 2.2024. Featured updates to the NCCN guidelines. Journal of the National Comprehensive Cancer Network. 2024.
  4. Epidemiologia dos melanomas cutâneos em Blumenau, Santa Catarina, Brasil, de 1980 a 2019. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2023.
  5. Diagnosis and management of lentigo maligna: clinical presentation and comprehensive review. Journal of Skin Cancer. 2021.

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