Melasma é uma hiperpigmentação adquirida, crônica e recorrente, com máculas acastanhadas, irregulares, em geral simétricas e bilaterais, em áreas fotoexpostas da face. É uma das queixas pigmentares mais frequentes.
Envolve alteração funcional da unidade epidermo-melânica (melanócitos hiperfuncionantes, aumento da melanogênese e da transferência de pigmento), dano da membrana basal, alterações dérmicas, inflamação, aumento de vascularização, mastócitos e sinais de fotoenvelhecimento, e não apenas excesso superficial de melanina.
É controlável, mas não definitivamente curável: a melhora depende de fotoproteção rigorosa, controle dos fatores desencadeantes, tratamento tópico, terapia sistêmica em casos selecionados, procedimentos adjuvantes e manutenção prolongada.
Acomete principalmente mulheres adultas na menacme, sobretudo fototipos III a V, e populações latino-americanas, asiáticas, hispânicas, africanas e mediterrâneas. No Brasil é especialmente relevante pela combinação de alta irradiância solar, miscigenação e fototipos intermediários; em séries nacionais predominam mulheres, início entre a segunda e a quarta décadas, fototipos III e IV, história familiar frequente e relação com gestação, hormônios e sol.
Também ocorre em homens (menos frequente), em que se destacam exposição solar intensa, idade adulta e história familiar, reforçando que hormônios femininos são importantes, mas não obrigatórios.
Apesar de não trazer risco sistêmico, o impacto na qualidade de vida é significativo (localização facial, cronicidade e recorrência); o MelasQoL-BP é validado no Brasil. A gravidade clínica nem sempre reflete o impacto percebido pelo paciente.
Fatores de risco e doenças associadas
Multifatorial: interação entre predisposição genética, exposição solar, luz visível, estímulos hormonais, fatores ambientais, inflamação, alterações vasculares, dano de barreira e resposta melanocítica exagerada.
A radiação UV é o principal desencadeante e agravante; a luz visível azul-violeta também induz pigmentação (mecanismo proposto pela ativação da opsina-3, com aumento da tirosinase), sobretudo em fototipos altos, com possível sinergia entre UVA1 e luz visível.
Os melanócitos não estão necessariamente aumentados em número, mas são metabolicamente mais ativos (hipertrofia, mais dendritos, maior produção e transferência de melanina). A derme participa: elastose solar, dano da membrana basal (facilita a queda de pigmento e a refratariedade), melanófagos, mastócitos, aumento de vascularização (endotelina-1) e fibroblastos fotoexpostos senescentes.
A recuperação de barreira é mais lenta, o que aumenta a sensibilidade à irritação e o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória após tratamentos agressivos.
Classificação
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Curso crônico, recorrente e variável. A pigmentação pode reduzir com a idade e com a queda dos estímulos hormonais, com melhora em algumas mulheres após a menopausa. O melasma gestacional pode desaparecer após o parto, mas pode deixar pigmentação residual e recidivar em gestações futuras.
Prognóstico favorável quanto à ausência de risco sistêmico direto; o problema principal é o impacto estético, emocional e social e a alta taxa de recidiva. A meta é controle prolongado, clareamento seguro, prevenção de recidiva e melhora da qualidade de vida com baixa irritação.
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