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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Micose fungoide

malignaepiderme e derme(micose fungóide, síndrome de Sézary, linfoma cutâneo de células T, LCCT, linfoma T cutâneo epidermotrópico, doença de Woringer-Kolopp, reticulose pagetoide, cútis laxa granulomatosa)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosAulasVeja também

Conceito

A micose fungoide é um linfoma não Hodgkin de células T maduras com apresentação primária na pele, derivado de linfócitos T de memória com tropismo cutâneo (fenótipo CD3+, CD4+, CD45RO+, CD8-).

É uma neoplasia maligna e o linfoma cutâneo de células T mais comum: responde por cerca de 60% dos linfomas cutâneos de células T e por quase 50% de todos os linfomas cutâneos primários.

A história natural é indolente: a doença costuma permanecer confinada à pele por anos, evoluindo de máculas para placas e, em uma minoria, para tumores, com acometimento secundário de linfonodos, sangue e vísceras.

O problema central da doença é o atraso diagnóstico: as lesões iniciais são inespecíficas e imitam eczema e psoríase, a histopatologia da fase de mácula é frequentemente ambígua e o diagnóstico costuma levar anos e várias biópsias.

A síndrome de Sézary é a variante leucêmica e agressiva, definida pela tríade eritrodermia, linfadenopatia e células neoplásicas circulantes (células de Sézary), e é entidade distinta da micose fungoide.

O tratamento é indicado, mas é paliativo na quase totalidade dos casos, com prioridade para o controle da doença, o alívio do prurido e a manutenção da qualidade de vida. Nos estágios iniciais a expectativa de vida é próxima à da população geral, e terapias agressivas devem ser postergadas.

As exceções curativas são raras: radioterapia localizada na doença unilesional e transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas em pacientes selecionados com doença avançada.

Epidemiologia

Os linfomas cutâneos primários representam 19% dos linfomas extranodais, com incidência anual de 1 caso por 100.000 habitantes nos países ocidentais; no Ocidente, 75% a 80% deles são linfomas cutâneos de células T.

A micose fungoide tem incidência mundial aproximada de 5 a 6 casos por milhão de habitantes por ano.

Acomete sobretudo adultos e idosos, com início típico na sexta ou sétima década, e é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres.

Pode ocorrer em pacientes jovens, incluindo crianças, situação em que a variante hipopigmentada é a apresentação mais comum.

A idade avançada associa-se a estágio mais avançado ao diagnóstico, maior risco de progressão e pior sobrevida específica e global.

A variante foliculotrópica corresponde a cerca de 5% a 10% dos casos; a reticulose pagetoide e a cútis laxa granulomatosa correspondem, cada uma, a menos de 1%; a síndrome de Sézary corresponde a cerca de 2% dos linfomas cutâneos de células T.

Cerca de 20% a 25% dos pacientes progridem para estágios avançados.

No Brasil, o HTLV-1 é endêmico, o que torna obrigatória a triagem sorológica em todo paciente com suspeita ou confirmação de linfoma cutâneo de células T, para diferenciar micose fungoide e síndrome de Sézary da leucemia/linfoma de células T do adulto.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Idade avançada (pico na sexta e sétima décadas)
  • Sexo masculino (proporção de dois homens para cada mulher)
  • Colonização cutânea e nasal por Staphylococcus aureus, mais intensa na doença eritrodérmica, associada a progressão e a surtos
  • Exposição cumulativa à radiação ultravioleta, sugerida pela assinatura mutacional ultravioleta nas células tumorais
  • Mucinose folicular (alopecia mucinosa), na variante foliculotrópica
  • Linfoma de Hodgkin: até 30% dos pacientes com cútis laxa granulomatosa o desenvolvem; pacientes com linfoma cutâneo de células T acima dos 60 anos têm risco aumentado de neoplasias hematológicas secundárias, principalmente linfoma de Hodgkin
  • Segundas neoplasias em geral, que devem ser lembradas quando surge alteração visceral radiológica (nem toda imagem anormal é progressão do linfoma)
  • Infecção por HTLV-1, que precisa ser afastada por sorologia porque a leucemia/linfoma de células T do adulto é o principal diferencial no Brasil

Patogênese

A doença resulta da proliferação monoclonal de linfócitos T auxiliares maduros (CD4+/CD45RO+) com tropismo cutâneo, que se acumulam na epiderme (epidermotropismo) e na derme papilar.

As células neoplásicas expressam o receptor de quimiocina CCR4, que medeia o direcionamento dos linfócitos para a pele e explica o padrão de doença cutânea persistente.

Há perda variável de marcadores pan-T de superfície (CD7, CD5, CD2, CD26), fenômeno que sustenta o diagnóstico imunofenotípico.

As células tumorais da micose fungoide e da síndrome de Sézary carregam com frequência assinatura mutacional de radiação ultravioleta, com alta carga mutacional, o que sugere participação da exposição ultravioleta na transformação de linfócitos T de memória residentes na pele.

A colonização cutânea e nasal por Staphylococcus aureus é mais prevalente nesses pacientes, e toxinas estafilocócicas foram implicadas como estímulo à proliferação das células neoplásicas e a surtos da doença.

A transformação em grandes células representa a evolução do clone maligno original, e não o surgimento de um segundo linfoma.

Clínica

  • Progressão clássica em três estágios cutâneos ao longo de anos: mácula, placa e tumor
  • Distribuição preferencial em áreas fotoprotegidas, com predileção pela área de sunga (nádegas, quadris, região inguinal, mamas e porção proximal das coxas)
  • Variação de tamanho e de forma das lesões e presença de poiquilodermia são pistas clínicas de micose fungoide precoce
  • Prurido variável, em geral leve no início e intenso na doença avançada e na síndrome de Sézary
  • Acometimento de linfonodos e de vísceras é tardio e incomum

Estágio de mácula

  • Máculas eritematosas, descamativas, de contorno irregular e limites imprecisos
  • Persistentes e progressivas, frequentemente tratadas por anos como eczema ou psoríase
  • Podem ser pruriginosas ou assintomáticas

Estágio de placa

  • Placas bem delimitadas, infiltradas, de formas variadas, violáceas a eritêmato-acastanhadas
  • Podem ser pruriginosas e apresentar descamação, crostas e poiquilodermia

Estágio tumoral

  • Nódulos de crescimento rápido, com ulceração frequente
  • Definidos como lesão sólida com pelo menos 1 cm de diâmetro e crescimento vertical
  • Surgem sobre um fundo de máculas e placas preexistentes; tumor que aparece de novo, sem máculas nem placas, dificilmente é micose fungoide e obriga a considerar outros linfomas cutâneos

Transformação em grandes células

  • Suspeite quando surge nódulo de crescimento rápido ou quando lesões antes controladas se tornam refratárias
  • Mais comum no estágio tumoral, menos comum nas fases de placa e eritrodérmica

Micose fungoide foliculotrópica

  • Cerca de 5% a 10% dos pacientes; predileção pela cabeça e pelo pescoço
  • Pápulas e lesões acneiformes (comedões e cistos) nas fases iniciais; placas infiltradas com alopecia nas fases avançadas
  • Associa-se a mucinose folicular (alopecia mucinosa)
  • O infiltrado é mais profundo, o que a torna refratária às terapias dirigidas à pele e lhe confere prognóstico semelhante ao do estágio tumoral, mesmo quando classificada como T1 ou T2; a remissão sustentada é rara

Reticulose pagetoide (doença de Woringer-Kolopp)

  • Rara; placa solitária psoriasiforme, de crescimento lento e progressivo, em extremidade distal
  • Bom prognóstico, sem progressão sistêmica

Cútis laxa granulomatosa

  • Extremamente rara; dobras de pele flácidas e pendentes nas axilas e nas virilhas, por perda do recolhimento elástico
  • Curso indolente, com evolução habitual para micose fungoide clássica

Micose fungoide hipopigmentada

  • Máculas hipocrômicas, por vezes sem eritema evidente, com descamação fina
  • Predomina em fototipos altos e é a apresentação mais comum em crianças e adultos jovens
  • Costuma ter fenótipo citotóxico CD8+, com alterações de interface que explicam a hipopigmentação

Micose fungoide eritrodérmica

  • Confluência de eritema cobrindo 80% ou mais da superfície corporal
  • É eritrodermia secundária, por progressão de máculas e placas prévias de micose fungoide clássica, ao contrário da síndrome de Sézary, em que a eritrodermia é primária

Micose fungoide poiquilodérmica

  • Áreas mescladas de atrofia, telangiectasias e hipo e hiperpigmentação

Síndrome de Sézary

  • Tríade de eritrodermia intensamente pruriginosa, linfadenopatia periférica e células de Sézary (linfócitos com núcleo cerebriforme) na pele, nos linfonodos e no sangue
  • A eritrodermia é primária, ou seja, não é precedida por máculas e placas típicas de micose fungoide
  • O prurido é quase universal e mais intenso do que na micose fungoide; podem acompanhar ceratodermia palmoplantar, alterações ungueais, ectrópio e distúrbios de termorregulação
  • O diagnóstico exige demonstrar população circulante de linfócitos T CD4+ neoplásicos com clone do receptor de células T e pelo menos um dos seguintes: contagem absoluta de células de Sézary igual ou superior a 1000 células por microlitro; razão CD4/CD8 igual ou superior a 10; 40% ou mais de células CD4+/CD7-; ou 30% ou mais de células CD4+/CD26-
  • É estadiada como T4, N2/N3/Nx, M0, B2

Classificação

  • Estadiamento TNMB da ISCL/EORTC, baseado em pele (T), linfonodos (N), vísceras (M) e sangue (B); o estágio define o prognóstico e a escolha entre terapia dirigida à pele e terapia sistêmica

Pele (T)

  • T1: máculas, pápulas ou placas limitadas, cobrindo menos de 10% da superfície corporal (T1a apenas máculas; T1b placas com ou sem máculas)
  • T2: máculas, pápulas ou placas cobrindo 10% ou mais da superfície corporal (T2a apenas máculas; T2b placas com ou sem máculas)
  • T3: um ou mais tumores com pelo menos 1 cm de diâmetro
  • T4: confluência de eritema cobrindo 80% ou mais da superfície corporal

Linfonodos (N)

  • N0: sem linfonodos periféricos clinicamente anormais; biópsia não necessária
  • N1: linfonodo clinicamente anormal com linfadenopatia dermatopática (grau 1 do sistema holandês ou LN0 a LN2 do NCI); N1a clone negativo, N1b clone positivo
  • N2: envolvimento precoce, com agregados de linfócitos atípicos e arquitetura nodal preservada (grau 2 holandês ou LN3); N2a clone negativo, N2b clone positivo
  • N3: apagamento parcial ou completo da arquitetura nodal (graus 3 e 4 holandeses ou LN4), com clone positivo ou negativo
  • Nx: linfonodo clinicamente anormal sem confirmação histológica
  • Linfonodo clinicamente anormal é o que tem 1,5 cm ou mais no maior diâmetro transverso, ou qualquer linfonodo periférico palpável que seja firme, irregular, agrupado ou fixo; os grupos examinados são cervical, supraclavicular, epitroclear, axilar e inguinal; linfonodos centrais são excluídos do N, salvo quando a biópsia excisional comprovar acometimento (N3)

Vísceras (M)

  • M0: sem envolvimento visceral
  • M1: envolvimento visceral, com confirmação anatomopatológica e especificação do órgão (fígado e baço podem ser definidos por imagem)

Sangue (B)

  • B0: 5% ou menos dos linfócitos circulantes são células de Sézary (B0a clone negativo, B0b clone positivo)
  • B1: baixa carga tumoral, mais de 5% de células de Sézary sem preencher critérios de B2 (B1a clone negativo, B1b clone positivo)
  • B2: alta carga tumoral, 1000 ou mais células de Sézary por microlitro com clone positivo, ou razão CD4/CD8 igual ou superior a 10, ou 40% ou mais de células CD4+/CD7-, ou 30% ou mais de células CD4+/CD26-
  • Definição do B por citometria de fluxo (refinamento da EORTC): B0 é menos de 250 células CD4+/CD26- ou CD4+/CD7- por microlitro; B2 é 1000 ou mais dessas células por microlitro (ou outra população aberrante identificada por citometria); B1 é o que não preenche B0 nem B2

Estágios clínicos

  • IA: T1, N0, M0, B0 ou B1
  • IB: T2, N0, M0, B0 ou B1
  • IIA: T1 ou T2, N1 ou N2, M0, B0 ou B1
  • IIB: T3, N0 a N2, M0, B0 ou B1
  • IIIA: T4, N0 a N2, M0, B0
  • IIIB: T4, N0 a N2, M0, B1
  • IVA1: T1 a T4, N0 a N2, M0, B2
  • IVA2: T1 a T4, N3, M0, B0 a B2
  • IVB: T1 a T4, N0 a N3, M1, B0 a B2

Observações do estadiamento

  • Quando mais de uma categoria T se aplica, registra-se a maior (por exemplo, T4(3) quando coexistem eritrodermia e tumores)
  • Ulceração isolada não é suficiente para reclassificar placa (T1 ou T2) como tumor (T3)
  • Foliculotropismo e transformação em grandes células não alteram formalmente o estágio, mas pioram o prognóstico e justificam tratamento mais agressivo

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Complicações e cuidados

  • Transformação em grandes células, com mudança abrupta do curso e queda da sobrevida
  • Ulceração e infecção secundária das lesões tumorais
  • Colonização cutânea e nasal por Staphylococcus aureus (incluindo cepas resistentes à meticilina), máxima na micose fungoide eritrodérmica e na síndrome de Sézary, com risco de sepse, sobretudo após biópsia de linfonodo
  • Prurido intratável, com insônia, depressão e grande impacto na qualidade de vida
  • Eritrodermia com distúrbio da termorregulação, hipermetabolismo, edema, anemia e ectrópio
  • Carcinoma espinocelular e basocelular após doses cumulativas de PUVA; aumento da taxa de câncer de pele após irradiação cutânea total com feixe de elétrons, especialmente em quem já usou PUVA ou clormetina
  • Alopecia permanente, anidrose, distrofia ungueal e disestesia de dedos após irradiação cutânea total com feixe de elétrons
  • Mielossupressão e infecções oportunistas com quimioterapia e alentuzumabe (citomegalovírus, herpes simples disseminado, aspergilose, pneumonia micobacteriana)
  • Leucemia mieloide aguda após uso prolongado de clorambucila
  • Neuropatia sensitiva periférica com brentuximabe vedotina
  • Erupção associada ao mogamulizumabe, que pode simular progressão da doença

Prognóstico

O prognóstico depende essencialmente do estágio, e a diferença entre os extremos é enorme.

Sobrevida específica em 5 anos por estágio: IA 98%, IB 89%, IIA 89%, IIB 56%, IIIA 54%, IIIB 48%, IVA1 41%, IVA2 23% e IVB 18%.

Pacientes com doença em estágio IA têm baixo risco de progressão e expectativa de vida semelhante à da população geral; nos estágios iniciais como um todo, as terapias dirigidas à pele controlam a doença e a maioria dos pacientes tem expectativa de vida normal, ainda que possam sofrer morbidade e piora da qualidade de vida.

Nos estágios iniciais, os pacientes que se apresentam com placas (T1b e T2b) têm risco maior de progressão do que os que têm apenas máculas (T1a e T2a), e é a esses últimos que se oferece a conduta expectante.

Cerca de 20% a 25% dos pacientes progridem para estágios avançados, com desenvolvimento de tumores, disseminação extracutânea e prognóstico ruim.

A doença é geralmente considerada incurável, com sobrevida média de 5 a 10 anos nas formas indolentes, embora alguns pacientes sobrevivam mais de 20 anos.

Sobrevida específica em 5 anos por variante: micose fungoide clássica 88%, foliculotrópica 75%, reticulose pagetoide 100%, cútis laxa granulomatosa 100% e síndrome de Sézary 36%.

A síndrome de Sézary tem comportamento agressivo e prognóstico ruim.

São marcadores independentes de pior prognóstico o estágio tumoral, a eritrodermia, o envolvimento sanguíneo (B2 equivale, em peso prognóstico, ao envolvimento nodal N3), o envolvimento visceral, a idade avançada, o foliculotropismo e a transformação em grandes células (com a negatividade para CD30 associada a pior evolução).

As respostas ao tratamento nos estágios avançados são em geral curtas, e a maioria dos pacientes recebe múltiplas terapias sequenciais; apenas um subgrupo altamente selecionado alcança remissão longa com o transplante alogênico.

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Referências

  1. Revisions to the staging and classification of mycosis fungoides and Sézary syndrome: a proposal of the International Society for Cutaneous Lymphomas (ISCL) and the cutaneous lymphoma task force of the European Organization of Research and Treatment of Cancer (EORTC). Blood. 2007.
  2. EORTC consensus recommendations for the treatment of mycosis fungoides/Sézary syndrome, Update 2023. European Journal of Cancer. 2023.
  3. Mycosis fungoides and Sézary syndrome: focus on the current treatment scenario. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2021.
  4. Dermoscopy of early stage mycosis fungoides. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2013.
  5. Dermoscopic spectrum of mycosis fungoides: a retrospective observational study by the International Dermoscopy Society. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2022.
  6. Dermatoscopic patterns in mycosis fungoides: observations from a case-series retrospective analysis and a review of the literature. Diagnostics. 2025.

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