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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Nevo melanocítico

benignaepiderme e derme(Nevo, Nevo pigmentado, Nevo nevocelular, Sinal, Pinta, Nevo melanocítico adquirido comum, Nevus melanocítico)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

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Imagens

Clínica (4)

Dermatoscopia (1)

Conceito

Nevo melanocítico é uma proliferação benigna de melanócitos que se agrupam em ninhos, na junção dermoepidérmica, na derme ou em ambas.

É o tumor cutâneo mais comum e também o mais frequentemente confundido com outras lesões: em série de 4.561 pacientes com diagnóstico clínico de nevo melanocítico, a histopatologia confirmou o diagnóstico em 82,11% e reclassificou 17,89% (ceratose seborreica em 10,30%, carcinoma basocelular em 1,40%, melanoma em 0,53%).

Os nevos comuns não precisam ser tratados: são benignos, assintomáticos, e a excisão de rotina não se justifica.

O nevo é o principal simulador benigno do melanoma e é também um marcador de risco: o número de nevos comuns e de nevos atípicos é fator de risco independente para melanoma cutâneo.

Entre 20% e 30% dos melanomas surgem em nevo preexistente, e em torno de 30% dos melanomas mostram remanescente névico ao exame histológico.

A taxa de transformação maligna de um nevo individual é estimada em 0,00005% a 0,003% por ano.

A tarefa clínica é reconhecer, entre os nevos, a lesão que não é nevo.

A remoção profilática de nevos, inclusive dos atípicos, não reduz o risco de melanoma e não é recomendada.

Epidemiologia

Os nevos melanocíticos adquiridos comuns aumentam em número ao longo das três primeiras décadas de vida e depois diminuem.

São mais prevalentes em fototipos baixos (pele clara).

Na casuística cirúrgica de 4.561 pacientes com diagnóstico clínico de nevo, a média de idade foi de 31 anos, com predomínio da faixa de 20 a 39 anos (54,70%), e a maioria das lesões estava em cabeça e pescoço (66,24%); os motivos mais frequentes de remoção foram estéticos (48,78%) e aparência clinicamente atípica (47,18%).

Entre os nevos adquiridos comuns confirmados por histopatologia, 76,86% eram intradérmicos, 16,09% compostos e 7,04% juncionais; o nevo juncional foi o único com predomínio nos pés (55,04%).

Os nevos melanocíticos congênitos ocorrem em cerca de 1% dos recém-nascidos.

O nevo atípico (displásico) tem prevalência clínica estimada entre 1,5% e 18% na população geral; em pacientes com antecedente de melanoma, a frequência sobe para 34% a 59%.

Os nevos atípicos predominam em jovens (menos de 30 a 40 anos) e costumam começar a surgir na puberdade.

O nevo de Spitz é adquirido e ocorre predominantemente nas duas primeiras décadas: cerca de 50% dos casos surgem abaixo dos 10 anos e cerca de 70% são diagnosticados nas duas primeiras décadas de vida.

O nevo de Spitz é mais frequente em fototipos baixos e afeta igualmente os dois sexos.

O nevo de Becker tem prevalência estimada em 0,5% entre homens jovens de 17 a 26 anos.

A proporção entre homens e mulheres no nevo de Becker já foi descrita como 2 para 1, mas há autores que consideram a prevalência igual entre os sexos, com subdiagnóstico nas mulheres porque o quadro costuma ser mais discreto.

As lesões do nevo de Becker surgem, em média, por volta dos 8 anos e se tornam mais evidentes na puberdade.

A melanocitose dérmica congênita (mancha mongólica) está presente ao nascimento na maioria das crianças asiáticas e de pele negra.

O nevo de Ota tem incidência aumentada em asiáticos e em pessoas de pele negra.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Fototipos baixos (pele clara) e sensibilidade ao sol
  • Exposição ultravioleta, sobretudo queimaduras solares na infância e na adolescência
  • Imunossupressão
  • Influências hormonais (puberdade, gestação)
  • Grande número de nevos melanocíticos comuns
  • Nevos atípicos múltiplos
  • História pessoal ou familiar de melanoma
  • Síndrome FAMMM (familial atypical multiple mole melanoma): herança autossômica dominante, mais de 50 nevos melanocíticos, história familiar de melanoma e mutações em CDKN2A (p16 e p14ARF) e, mais raramente, em CDK4
  • Complexo de Carney: nevos azuis múltiplos e, de forma muito mais específica, nevo azul epitelioide
  • Síndrome do nevo de Becker, anomalias cutâneas: hipoplasia mamária ipsilateral (a mais frequente nas mulheres, podendo acometer só a aréola, só o mamilo ou toda a mama, e não exclusiva do sexo feminino), hipoplasia do tecido adiposo extramamário, mamilos supranumerários, hipoplasia do lábio menor contralateral e escroto acessório
  • Síndrome do nevo de Becker, anomalias musculoesqueléticas: escoliose, pectus excavatum, pectus carinatum e defeitos vertebrais
  • Síndrome do nevo de Becker, anomalias maxilofaciais: assimetria facial e ausência de incisivos centrais e caninos
  • Facomatose pigmentovascular e facomatose pigmentoceratótica: associadas ao nevo spilus
  • Vitiligo: pode acompanhar o nevo halo
  • Melanoma em outro sítio: raramente associado ao nevo halo, o que obriga exame completo da pele
  • Melanoma uveal: mesmas mutações GNAQ/GNA11 do nevo azul e do nevo de Ota
  • Epidermólise bolhosa: nevos eruptivos nas áreas afetadas, os chamados nevos da epidermólise bolhosa
  • Líquen escleroso e atrófico: nevos adquiridos nas áreas afetadas
  • Melanose neurocutânea e síndrome do nevo melanocítico congênito (siringomielia, tumores cerebrais e outros achados extracutâneos)
  • Anticorpos monoclonais (infliximabe, tocilizumabe, pembrolizumabe): nevos halo múltiplos

Patogênese

O nevo melanocítico resulta de proliferação clonal de melanócitos, com mutações ativadoras em BRAF em até 80% dos nevos adquiridos comuns (mais frequentes que mutações em NRAS).

A ativação constitutiva da via das MAP quinases está presente em todo o espectro, do nevo benigno ao melanoma invasivo, e a mutação BRAF V600E isolada parece suficiente para formar um nevo, sem capacidade de gerar melanoma.

A teoria clássica da migração (hipótese de Abtropfung) descreve o nevo começando como proliferação juncional, com migração posterior dos ninhos para a derme (nevo composto) e, por fim, tornando-se inteiramente intradérmico, podendo involuir com o tempo.

Essa sequência explica a correlação clínica: enquanto o componente é juncional, a lesão é macular; quando o componente dérmico se estabelece, a lesão se eleva e se torna papulosa.

A maturação é o segundo conceito biológico central: nos nevos benignos, os melanócitos ficam progressivamente menores, menos pigmentados e menos agrupados em ninhos à medida que descem na derme.

A ausência dessa maturação em profundidade é um dos sinais histológicos de malignidade.

Exposição ultravioleta, imunossupressão e influências hormonais estão implicadas no surgimento e no crescimento dos nevos adquiridos.

Genética do nevo displásico: a carga mutacional é intermediária, com taxa mediana de mutações não sinônimas de 21 no nevo displásico, 10,5 no nevo adquirido comum e 4,5 no nevo congênito, contra mais de 100 no melanoma.

A maioria dos nevos displásicos tem BRAF V600E e uma minoria tem mutação oncogênica de NRAS; nevos adquiridos comuns têm exclusivamente BRAF V600E e nevos congênitos exclusivamente NRAS Q61.

As mutações condutoras do melanoma (CDKN2A, TP53, NF1, RAC1, PTEN) não foram encontradas em nenhum nevo, displásico ou não.

Na progressão para melanoma, as mutações do promotor do TERT aparecem cedo (lesões intermediárias e melanoma in situ), a inativação bialélica de CDKN2A só aparece no melanoma invasivo, e PTEN e TP53 aparecem nos melanomas espessos; a transformação maligna exige, portanto, alterações adicionais à ativação da via MAPK.

A assinatura mutacional dos melanomas em sítios fotoexpostos indica a radiação ultravioleta como fator dominante, o que sustenta a fotoproteção como medida para reduzir mutações nos nevos, inclusive nos displásicos.

Nos nevos melanocíticos congênitos, a proliferação ocorre no útero e as mutações em NRAS estão presentes na maioria dos casos; cerca de 80% dos nevos congênitos têm mutação ativadora em NRAS.

O nevo azul deriva de melanócitos dérmicos, que persistem na derme durante a embriogênese em vez de povoar a epiderme; mutações ativadoras em GNAQ e GNA11 são encontradas em 83% dos casos, com ativação da via MAPK, e são também as mais comuns no melanoma uveal.

O nevo de Spitz tem mutações em HRAS e ganho de 11p e caracteristicamente não tem mutação em BRAF, ao contrário dos nevos comuns e dos melanomas; podem ocorrer fusões gênicas envolvendo ALK, NTRK1, NTRK3, MET e ROS.

O nevo penetrante profundo decorre de mutações ativadoras da beta-catenina sobre um nevo preexistente, com aumento da ciclina D1 nuclear, e não tem mutações em GNAQ/GNA11, o que o separa da família do nevo azul.

No nevo atípico esporádico, a predileção pelo tronco e por áreas expostas, a associação com queimaduras solares na infância e a ocorrência em pessoas com pele sensível ao sol sugerem que a exposição solar aguda e intensa participe do desenvolvimento.

Na síndrome do melanoma familial (FAMMM), o gene mais implicado é o CDKN2A (transcritos p16, que atua no ponto de restrição G1, e p14ARF), com mutações germinativas detectáveis em 20% a 40% das famílias afetadas; o CDK4 responde por cerca de 1% das famílias, com mutações restritas ao códon 24.

O nevo de Becker é um hamartoma, e não uma proliferação melanocítica verdadeira.

A distribuição das lesões do nevo de Becker reflete mosaicismo; a maioria dos casos é esporádica, e a ocorrência familiar é explicada por herança paradominante.

O nevo de Becker é androgênio-dependente, com aumento do número de receptores androgênicos nas áreas afetadas, o que explica o surgimento na puberdade, a hipertricose e as erupções acneiformes restritas à área acometida.

A cor azul da melanocitose dérmica e do nevo azul deve-se ao efeito Tyndall, em que os comprimentos de onda mais curtos são refletidos pelos melanócitos situados profundamente na derme.

Clínica

Nevo melanocítico adquirido comum

  • lesão bem circunscrita, simétrica, pequena (menos de 6 mm) e uniformemente pigmentada
  • pode surgir em qualquer topografia; aumenta em número até a terceira década e depois regride
  • nevo juncional: mácula, sem elevação, geralmente mais escura (corresponde ao componente exclusivamente juncional)
  • nevo composto: pápula pigmentada, muitas vezes com halo macular ao redor (componente juncional periférico somado ao dérmico central)
  • nevo intradérmico: pápula cupuliforme, cor da pele ou castanho-clara, mole, podendo ser pediculada e ter pelos terminais; é o tipo mais frequente entre os nevos removidos

Nevo atípico (displásico)

  • lesão assimétrica, de bordas mal definidas e irregulares, com múltiplas cores e diâmetro habitualmente maior que 5 a 6 mm
  • componente maculoso e papuloso na mesma lesão, o aspecto em ovo frito
  • diagnóstico clínico usual: pelo menos três das cinco características (diâmetro maior que 5 mm, bordas mal definidas, margens irregulares, múltiplas cores, componentes maculares e papulares)
  • qualquer topografia, inclusive áreas duplamente cobertas (mamas, região glútea, couro cabeludo); predomina no tronco superior posterior
  • quando múltiplos, o paciente costuma ter nevos clinicamente semelhantes entre si, os nevos assinatura, e o melanoma nesse paciente tende a aparecer como o patinho feio

Nevo melanocítico congênito

  • presente ao nascimento ou nas primeiras semanas de vida; inicialmente mácula ou placa acastanhada e plana, que pode escurecer no primeiro ano
  • com o tempo pode clarear ou escurecer, tornar-se elevado, desenvolver nódulos proliferativos, lesões satélites e hipertricose sobrejacente
  • classificação pelo tamanho projetado do adulto: pequeno (menos de 1,5 cm), médio (1,5 a 20 cm), grande (20 a 40 cm) e gigante (40 cm ou mais)
  • nódulos proliferativos podem surgir ao nascimento ou depois e mimetizam melanoma clínica e histologicamente; a presença de múltiplas pápulas ou nódulos semelhantes entre si é tranquilizadora
  • xerose e dermatite atópica podem se desenvolver dentro do nevo congênito, possivelmente por glândulas sebáceas reduzidas ou ineficazes

Nevo de Spitz

  • pápula ou nódulo solitário, bem circunscrito, de crescimento rápido seguido de fase estável, geralmente menor que 1 cm
  • cor variável: não pigmentado, rosado ou vermelho-vivo, até castanho; em crianças costuma ser nódulo cupuliforme de superfície lisa, e em adultos costuma ser mais escuro, castanho a preto
  • face, membros superiores e inferiores, tronco e genitália
  • pode surgir de novo ou sobre nevo melanocítico preexistente
  • nevo de Spitz atípico (tumor de Spitz atípico): proliferação com características entre o nevo de Spitz típico e o melanoma spitzoide, de potencial maligno incerto; pode apresentar-se como nódulo amelanótico ou hipomelanótico
  • o diagnóstico de nevo de Spitz em paciente na quarta década ou mais é problemático: no adulto, a lesão spitzoide é melanoma até prova em contrário

Nevo de células fusiformes pigmentado de Reed

  • variante fortemente pigmentada da família Spitz, composta quase só de melanócitos fusiformes
  • mácula ou pápula muito escura, geralmente menor que 6 mm, de instalação rápida
  • mais frequente em mulheres jovens que em homens; a coxa é a topografia mais comum, seguida das demais extremidades e do tronco

Nevo azul

  • mácula ou pápula azul-acinzentada, geralmente menor que 1 cm (nevo azul comum)
  • sítios preferenciais: couro cabeludo, região sacral e extremidades distais na face extensora
  • nevo azul celular: placa ou nódulo azul-acinzentado ou enegrecido, maior (1 a 3 cm), com preferência por nádegas e couro cabeludo; 25% são congênitos
  • nevo azul epitelioide: intensamente pigmentado, fortemente associado ao complexo de Carney, assim como os nevos azuis múltiplos

Nevo halo (nevo de Sutton)

  • nevo pigmentado circundado por halo hipocrômico ou acrômico
  • mais comum na segunda década e no dorso; na maioria das vezes é benigno
  • pode associar-se a vitiligo ou, raramente, a melanoma em outro sítio: obriga exame completo da pele
  • lesões múltiplas ocorrem de forma idiopática ou com anticorpos monoclonais (infliximabe, tocilizumabe, pembrolizumabe)

Nevo de Becker

  • mácula hipercrômica acastanhada, de limites bem definidos, bordas irregulares e contorno geográfico, coberta na maior parte das vezes por pelos terminais
  • predomina no tronco anterior e na região escapular, mas pode ocorrer em qualquer área; em geral é única e unilateral, embora haja casos múltiplos ou bilaterais
  • pode haver espessamento da área e erupção acneiforme restrita à região acometida
  • cresce proporcionalmente ao crescimento da criança e torna-se evidente na puberdade
  • síndrome do nevo de Becker: associação do nevo a hipoplasia mamária ipsilateral (a anomalia mais frequente nas mulheres) ou a outras anomalias cutâneas, musculoesqueléticas ou maxilofaciais

Nevo spilus (nevo lentiginoso salpicado)

  • placa homogênea acastanhada dentro da qual se desenvolvem pequenas máculas e pápulas pigmentadas
  • surge no primeiro ano de vida; tronco e extremidades são os sítios mais afetados
  • risco de melanoma baixo
  • no nevo agminado, ao contrário, o agrupamento de nevos ocorre sobre pele de coloração normal, e não sobre base acastanhada, e aparece na adolescência

Nevo acral

  • localizado em palmas, plantas e dedos; mácula pigmentada, geralmente pequena e simétrica
  • é onde a dermatoscopia mais muda a conduta, pela distinção entre padrão paralelo do sulco (benigno) e da crista (melanoma)

Nevo ungueal (nevo da matriz)

  • manifesta-se como melanoníquia longitudinal, faixa pigmentada única, homogênea e estável, que vai da matriz à borda livre
  • o melanoma de matriz também se apresenta como melanoníquia longitudinal, mas com faixas irregulares, de espessura e espaçamento variáveis, e com sinal de Hutchinson (pigmentação da prega ungueal proximal), que em adultos sugere melanoma

Nevo recorrente (pseudomelanoma)

  • repigmentação confinada à cicatriz, geralmente nos primeiros 6 meses após uma biópsia incompleta
  • a pigmentação que ultrapassa os limites da cicatriz é melanoma até prova em contrário

Melanocitoses dérmicas

  • melanocitose dérmica congênita (mancha mongólica): placa cinza-azulada presente ao nascimento, na região lombossacra; muito comum em asiáticos e em pessoas de pele negra; costuma resolver na infância
  • nevo de Ota: máculas azul-acinzentadas confluentes na distribuição de V1 e V2 do trigêmeo, com acometimento escleral frequente (60%); surge no primeiro ano de vida ou em torno da puberdade; unilateral em 90%; persiste por toda a vida e pode aumentar sob influência hormonal; glaucoma em 10%; degeneração para melanoma uveal é rara
  • nevo de Ito: mesma melanocitose dérmica, nas regiões do ombro, supraclavicular e escapular; praticamente sem risco de progressão para melanoma
  • nevo de Hori: máculas adquiridas semelhantes ao nevo de Ota, bilaterais, na região zigomática, em mulheres do leste asiático
  • nevo de Sun: variante adquirida e unilateral do nevo de Hori

Outras variantes

  • nevo de células balonizantes: clinicamente indistinguível de um nevo comum
  • nevo penetrante profundo: pápula azul a preta, bem circunscrita, menor que 1 cm, na face, tronco superior e extremidades, na segunda e terceira décadas

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Complicações e cuidados

  • Transformação em melanoma (risco global baixo no nevo comum, dependente do tamanho no nevo congênito)
  • Melanoma em nevo congênito: cerca de 1% de todos os pacientes com nevo congênito e cerca de 2% dos que têm nevo congênito grande; risco maior nos gigantes; a maioria surge na primeira década
  • Melanose neurocutânea (melanocitose neurocutânea): proliferação melanocítica nas leptomeninges e no parênquima cerebral, associada a nevo congênito; ocorre em 7% a 23% dos pacientes com lesões grandes; achados de ressonância incluem melanose intraparenquimatosa e realce leptomeníngeo
  • Melanoma primário do sistema nervoso central secundário à melanose neurocutânea: responde por até um terço dos melanomas em crianças com nevo congênito e não é prevenido pela remoção do nevo cutâneo
  • Convulsões, atraso do desenvolvimento, siringomielia e tumores cerebrais na melanose neurocutânea; alta mortalidade nos pacientes sintomáticos
  • Nódulos proliferativos no nevo congênito, que mimetizam melanoma clínica e histologicamente
  • Nevo recorrente (pseudomelanoma) após remoção incompleta
  • Cicatriz, discromia, infecção e alopecia após técnicas destrutivas superficiais
  • Cicatriz que dificulta a detecção posterior de melanoma na área tratada
  • Contratura cicatricial com limitação de mobilidade e comprometimento funcional após excisão de nevo congênito grande, facial ou sobre articulações
  • Toxicidade cardíaca por absorção sistêmica de fenol nos peelings
  • Hipopigmentação permanente e dano nervoso local após crioterapia
  • Glaucoma em 10% dos pacientes com nevo de Ota
  • Melanoma uveal (raro) no nevo de Ota
  • Sofrimento psicossocial, baixa autoestima, ansiedade, depressão e estigmatização, sobretudo nos nevos congênitos grandes e faciais

Prognóstico

O nevo melanocítico comum é benigno e o risco de degeneração maligna de um nevo individual é muito baixo: a transformação de um nevo em melanoma é estimada em 0,00005% a 0,003% por ano.

Nos nevos atípicos, o risco individual de transformação maligna é extremamente baixo, mas o risco de melanoma do paciente aumenta com o número de nevos: quem tem 100 a 115 lesões névicas tem risco 7 a 12 vezes maior que quem tem 10 a 15 nevos comuns, e quem tem 5 nevos atípicos tem risco 6 vezes maior que quem não tem nenhum.

Pacientes com dois ou mais nevos displásicos têm risco aumentado de melanoma em sítio cutâneo distinto: em coorte de 438 pacientes com nevo displásico moderado seguidos por quase 7 anos, 22,8% desenvolveram melanoma em outro sítio, e nenhum no local da biópsia.

Estima-se que o melanoma surja em nevo displásico com probabilidade de 1 em 200 a 1 em 500.

Pessoas com síndrome do nevo atípico familial (FAMMM) têm risco de melanoma mais de 150 vezes maior que a população geral.

Os nevos congênitos pequenos têm o mesmo risco baixo de melanoma dos nevos adquiridos comuns.

O melanoma ocorre em cerca de 1% de todos os pacientes com nevo melanocítico congênito e em cerca de 2% dos que têm nevo congênito grande, sendo o risco maior nos gigantes; a maioria dos melanomas surge na primeira década de vida.

A melanose neurocutânea tem alta mortalidade nos pacientes sintomáticos.

O nevo de Ito e o nevo spilus têm risco essencialmente nulo ou muito baixo de progressão para melanoma.

O nevo de Becker é benigno, com pouquíssimos casos de malignização descritos.

Os nevos atípicos são lesões dinâmicas: podem tornar-se progressivamente mais ou menos atípicos, mas a maioria se mantém estável ou regride ao longo da vida.

O diagnóstico precoce é o que determina a sobrevida quando a lesão é, de fato, um melanoma; a dermatoscopia digital em pacientes de alto risco permite detectar o melanoma em fase inicial.

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Referências

  1. Dysplastic nevus part II: molecular/genetic profiles and management. Journal of the American Academy of Dermatology. 2023.
  2. Nevo displásico (nevo atípico). Anais Brasileiros de Dermatologia. 2010.
  3. A clinicopathological analysis of melanocytic nevi: a retrospective series. Frontiers in Medicine. 2021.
  4. Updates in the management of congenital melanocytic nevi. Children. 2024.
  5. The diagnosis and management of the Spitz nevus in the pediatric population: a systematic review and meta-analysis protocol. Systematic Reviews. 2017.
  6. Síndrome do nevo de Becker: relato de caso. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2010.
  7. Current challenges in deciphering Sutton nevi: literature review and personal experience. Journal of Personalized Medicine. 2021.
  8. The spectrum of dermatoscopic patterns in blue nevi. Journal of the American Academy of Dermatology. 2012.
  9. Lesion- and patient-related variables may provide additional clues during dermoscopic assessment of blue nevi: a retrospective cohort study. Cancers. 2022.
  10. Dermoscopic characteristics of congenital melanocytic nevi in a cohort study in southern Brazil. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2022.
  11. Dermatoscopy of Becker's nevus. Egyptian Journal of Dermatology and Venereology. 2019.

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