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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Nevo sebáceo

benignaepiderme e derme(Nevo sebáceo de Jadassohn, Nevo organoide)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Hamartoma congênito organoide, com componentes epidérmico, folicular, sebáceo e apocrino na mesma lesão.

Apresenta-se ao nascimento como placa alopécica amarelada, mais comum no couro cabeludo e na face, disposta ao longo das linhas de Blaschko.

É uma lesão benigna que cresce proporcionalmente ao crescimento da criança e muda de aspecto na puberdade.

Neoplasias secundárias podem surgir dentro do nevo ao longo da vida; em série de 707 espécimes, 18,9% continham neoplasia benigna e 2,5% neoplasia maligna, e nenhum tumor maligno ocorreu antes dos 10 anos.

O tricoblastoma e o siringocistadenoma papilífero são as neoplasias secundárias comuns; o carcinoma basocelular é raro (1,1%) e era superestimado nas séries antigas por confusão histológica com tricoblastoma.

Consequência prática: excisão profilática de rotina na infância não se justifica; a decisão de operar é individual e pode ser adiada até a adolescência.

Epidemiologia

Incidência relatada de 0,05% a 1% dos pacientes dermatológicos.

Na série de 706 pacientes (707 espécimes) do Ackerman Academy of Dermatopathology, 56,7% eram do sexo masculino e 43,3% do feminino, sem diferença estatística na proporção de neoplasias entre os sexos.

Idade média dos pacientes de 27,4 anos (variação de 0 a 95 anos).

Topografia nessa série: couro cabeludo 62,5%, face 24,5%, tronco 4,7%, pescoço 4,2%, orelha 3,8%, extremidades e axila 0,28%.

Cerca de 70% das neoplasias secundárias ocorreram nas lesões do couro cabeludo, e a diferença de frequência entre os sítios anatômicos foi estatisticamente significativa.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Presença ao nascimento (lesão congênita), sem fator ambiental identificado
  • Idade adulta, para o surgimento de neoplasia secundária
  • Localização no couro cabeludo, sítio de cerca de 70% das neoplasias secundárias
  • Lesão extensa, que aumenta a chance de acometimento extracutâneo
  • Síndrome de Schimmelpenning (síndrome do nevo epidérmico), com anormalidades do desenvolvimento neurológico e musculoesquelético
  • Crises convulsivas, hemiparesia e comprometimento intelectual nas formas extensas
  • Raquitismo hipofosfatêmico resistente à vitamina D
  • Facomatose pigmentoqueratótica (nevo sebáceo com nevo spilus), por mutação pós-zigótica em HRAS
  • Anormalidades oculares e esqueléticas

Patogênese

Malformação da maior parte dos componentes normais da pele, o que classifica a lesão como nevo organoide, e não como proliferação neoplásica.

A disposição ao longo das linhas de Blaschko indica mosaicismo, com mutação pós-zigótica em clone celular restrito ao território afetado.

A facomatose pigmentoqueratótica, na qual o nevo sebáceo coexiste com nevo spilus (nevo lentiginoso salpicado), decorre de mutação pós-zigótica em HRAS.

A frequência de neoplasias secundárias aumenta com a idade: apenas 5 neoplasias em crianças, contra 10 em adolescentes e 134 em adultos (diferença estatisticamente significativa).

A ocorrência de múltiplos tumores basaloides na mesma lesão pode relacionar-se a mutações em PTCH e p53.

Clínica

  • Placa bem delimitada, cor da pele a amarelada, alopécica, de superfície lisa na infância, com aumento proporcional ao crescimento da criança.
  • Topografia: couro cabeludo e face são os sítios habituais, seguidos de pescoço e tronco.
  • Distribuição linear ou em placa ao longo das linhas de Blaschko; lesões extensas podem ser múltiplas e segmentares.

Fase da infância

  • placa alopécica, plana ou levemente elevada, amarelo-alaranjada ou cor da pele
  • superfície lisa a discretamente aveludada, sem verrucosidade
  • alopecia é o achado que denuncia a lesão no couro cabeludo

Fase da puberdade

  • a lesão fica mais espessa, amarelada e verrucosa ou cerebriforme, por estímulo hormonal das glândulas sebáceas
  • consistência mais firme e superfície papilomatosa

Fase adulta

  • sobre a placa surgem pápulas e nódulos, que correspondem às neoplasias secundárias
  • nódulo de crescimento novo, erosão, ulceração ou sangramento em nevo sebáceo de adulto exige biópsia

Síndrome do nevo sebáceo (síndrome de Schimmelpenning)

  • nevo sebáceo extenso associado a anormalidades do desenvolvimento
  • acometimento neurológico: crises convulsivas, hemiparesia e comprometimento intelectual
  • acometimento ocular e esquelético, com anormalidades musculoesqueléticas
  • raquitismo hipofosfatêmico resistente à vitamina D pode se desenvolver
  • nevo spilus associado ao nevo sebáceo caracteriza a facomatose pigmentoqueratótica

Classificação

  • Fase I (infância): placa alopécica plana, amarelada, com folículos imaturos
  • Fase II (puberdade): placa espessada, verrucosa e amarelada, com glândulas sebáceas maduras
  • Fase III (adulta): surgimento de neoplasias secundárias sobre a placa

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Complicações e cuidados

  • Alopecia permanente na área da lesão
  • Neoplasia secundária benigna (tricoblastoma, siringocistadenoma papilífero, triquilemoma, adenoma apócrino, sebaceoma)
  • Carcinoma basocelular no interior da lesão (1,1% dos espécimes)
  • Carcinoma espinocelular (0,57%), carcinoma sebáceo (0,4%), carcinoma apócrino e carcinoma anexial microcístico (0,1% cada)
  • Cicatriz e alopecia cicatricial após excisão de lesões extensas

Prognóstico

Lesão benigna, de crescimento proporcional ao do paciente e sem regressão espontânea.

A maior parte das neoplasias secundárias é benigna: 18,9% dos espécimes com neoplasia benigna contra 2,5% com neoplasia maligna.

Os tumores malignos apareceram quase exclusivamente em adultos (idade média de 54,1 anos para o carcinoma basocelular), o que permite acompanhamento clínico na infância.

A excisão completa é curativa; a lesão não recidiva quando removida com todos os anexos.

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Referências

  1. Secondary neoplasms associated with nevus sebaceus of Jadassohn: a study of 707 cases. Journal of the American Academy of Dermatology. 2014.
  2. Tumors arising in nevus sebaceus: a study of 596 cases. Journal of the American Academy of Dermatology. 2000.
  3. Trichoblastoma is the most common neoplasm developed in nevus sebaceus of Jadassohn: a clinicopathologic study of a series of 155 cases. American Journal of Dermatopathology. 2000.
  4. Basaloid neoplasms in nevus sebaceus. Journal of Cutaneous Pathology. 2000.
  5. Sebaceus naevi: a clinicopathologic study. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2002.

Achados (clique para explorar)

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