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Notalgia parestésica

Padrão inflamatório

Conceito

Neuropatia sensitiva crônica que se manifesta como prurido neuropático localizado na região dorsal alta, tipicamente interescapular e paravertebral.

Caracteriza-se por prurido unilateral recorrente, medial ou inferior à escápula, geralmente nos dermátomos T2–T6.

Não há lesão cutânea primária; os achados dermatológicos são secundários à coçadura e à fricção crônicas.

A área sintomática costuma exibir mácula ou placa hiperpigmentada.

É uma condição benigna, porém com impacto relevante na qualidade de vida.

Enquadra-se na subcategoria do prurido neuropático crônico.

Epidemiologia

Ocorre duas a três vezes mais em mulheres do que em homens.

Predomina em adultos de meia-idade, com idade média entre 50 e 60 anos.

Foi descrita pela primeira vez em 1934 pelo neurologista russo Michail Astwazaturow.

O prurido neuropático crônico responde por cerca de 8% de todos os casos de prurido crônico.

Casos pediátricos são raros (relatos a partir de 2 a 6 anos de idade) e atribuídos a causas hereditárias autossômicas dominantes, como a neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

É provavelmente subdiagnosticada e sub-reportada, pois compartilha sintomas com amiloidose macular e prurido psicogênico.

A cor da pele e o índice de massa corporal não predispõem à doença, mas o IMC elevado associa-se a curso mais prolongado.

Acomete mais frequentemente o lado esquerdo, contralateral à mão dominante na população predominantemente destra.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Sexo feminino
  • Meia-idade (50–60 anos)
  • Alterações degenerativas da coluna cervical e torácica
  • Hérnia de disco intervertebral
  • Má postura (anteriorização da cabeça, cifose)
  • Lesões prévias da coluna
  • Atrofia ou desequilíbrio da musculatura paraespinhal
  • Restrição da amplitude de movimento do ombro
  • Índice de massa corporal elevado (curso mais prolongado)
  • Neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2A/2B) nos casos hereditários e pediátricos
  • Calor, estresse e irritação mecânica como fatores desencadeantes
  • Hérnia de disco intervertebral (inclusive C6–C7)
  • Radiculopatia torácica (T2–T6)
  • Prurido braquiorradial
  • Neoplasia endócrina múltipla tipo 2A/2B (MEN2)
  • Amiloidose macular secundária (amiloidose por coçadura)

Patogênese

A etiologia é multifatorial e não totalmente esclarecida, centrada em uma neuropatia sensitiva.

A hipótese principal é a compressão ou irritação focal dos ramos dorsais (posteriores) dos nervos espinhais torácicos altos, particularmente de T2 a T6.

Os ramos cutâneos emergem do músculo multífido em ângulo próximo de 90°, o que os torna anatomicamente vulneráveis ao aprisionamento.

O impingimento pode decorrer de alterações degenerativas da coluna, osteófitos e hérnias de disco intervertebral.

A correlação entre achados radiográficos e a topografia dos sintomas é modesta (em um estudo, apenas 16% tiveram imagem correspondente à área acometida).

Um estudo caso-controle demonstrou maior frequência de hérnia discal em C6–C7 nos pacientes com notalgia parestésica, sugerindo contribuição da coluna cervical.

Entre as contribuições periféricas estão o dano de fibras nervosas e a inervação cutânea alterada, com evidência recente de redução da densidade de fibras nervosas intraepidérmicas na área lesional.

Entre os mecanismos centrais estão a perda de vias inibitórias descendentes, o aumento do disparo espontâneo das vias do prurido e a sensibilização central.

De modo análogo à alodínia, cursa com alocinese, uma sensação de prurido provocada por estímulos normalmente não pruriginosos.

Uma teoria propõe que a perda de protração escapular por lesão do nervo torácico longo gere impingimento dos ramos dorsais por fibras musculares.

A biópsia das lesões secundárias mostra hiperceratose, melanose pós-inflamatória com melanófagos e destruição de queratinócitos, que ocasionalmente evolui para amiloide.

Clínica

  • Prurido crônico localizado no dorso alto, medial ou inferior à escápula (dermátomos T2–T6)
  • Distribuição geralmente unilateral, mais frequente à esquerda, podendo ser bilateral
  • Queimação, formigamento, dormência e dor associados
  • Parestesia, hipoestesia ou hiperestesia na área acometida
  • Mácula ou placa hiperpigmentada (marrom) por fricção e coçadura crônicas
  • Ausência de lesão cutânea primária
  • Liquenificação e escoriações secundárias
  • Curso prolongado, de anos, com remissões e exacerbações
  • Prurido de intensidade moderada a intensa (média de 6,5 a 7,8 em escala numérica)
  • Piora com calor, estresse, pressão prolongada e fricção
  • Alocinese (prurido provocado por estímulos normalmente não pruriginosos)
  • Ausência de déficit motor

Classificação

  • Prurido neuropático crônico (subcategoria)
  • Forma adquirida (associada a doença degenerativa da coluna)
  • Forma hereditária (autossômica dominante, associada a MEN2)

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Complicações e cuidados

  • Escoriações cutâneas por coçadura crônica
  • Hiperpigmentação pós-inflamatória
  • Liquenificação
  • Cicatrizes por coçadura excessiva
  • Risco aumentado de infecção cutânea secundária
  • Prejuízo da qualidade de vida
  • Comorbidades psicológicas (humor deprimido, insônia, irritabilidade)

Prognóstico

É uma condição benigna e não fatal, porém crônica e recidivante.

Os sintomas podem durar anos, com remissões e recidivas espontâneas, muitas vezes sem fator desencadeante evidente.

Nenhum tratamento é universalmente eficaz, e o manejo é predominantemente paliativo e sintomático.

O impacto na qualidade de vida é significativo e persistente.

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Referências

  1. Notalgia paresthetica: an updated review of pathophysiology, diagnosis, and treatment approaches. Current Pain and Headache Reports. 2025.
  2. Notalgia paresthetica review: update on presentation, pathophysiology, and treatment. Clinics and Practice. 2023.
  3. Phase 2 trial of difelikefalin in notalgia paresthetica. New England Journal of Medicine. 2023.

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