Doença linfoproliferativa cutânea primária CD30 positiva, de curso crônico e recorrente, com pápulas e nódulos que regridem espontaneamente em semanas a meses.
Faz parte, com o linfoma anaplásico de grandes células cutâneo primário, do espectro das doenças linfoproliferativas CD30 positivas, que são o segundo grupo mais comum de linfomas cutâneos de células T.
A histologia mostra células grandes atípicas e anaplásicas CD30 positivas que sugerem uma neoplasia agressiva, mas o comportamento é indolente e a sobrevida não é afetada: a sobrevida específica em 5 anos é de 99% e a sobrevida em 10 anos é de aproximadamente 100%.
O risco que importa é o de segundo linfoma (micose fungoide, linfoma anaplásico de grandes células cutâneo ou nodal, linfoma de Hodgkin), o que obriga seguimento por toda a vida.
Nenhum tratamento altera o curso da doença nem previne o segundo linfoma: a abstenção terapêutica é conduta de primeira linha legítima.
Incidência de 1,2 a 1,9 caso por milhão de habitantes.
Corresponde a 12% de todos os linfomas cutâneos primários nos registros holandês e austríaco (2002 a 2017), com sobrevida específica em 5 anos de 99%.
A sobrevida em 10 anos é de aproximadamente 100%.
Acomete adultos, com leve predomínio masculino, sobretudo entre 20 e 40 anos; há casos pediátricos.
Segundo linfoma ocorre em 4% a 25% dos pacientes segundo o consenso EORTC/ISCL/USCLC, e em 4% a 60% conforme a fonte; em coorte retrospectiva de 180 pacientes, os linfomas secundários mais comuns foram a micose fungoide (61,4%) e o linfoma anaplásico de grandes células (26,3%).
O subtipo A responde por mais de 80% dos casos; o tipo C por cerca de 10%; os tipos B, D, E e com rearranjo DUSP22-IRF4, por menos de 5% cada.
Fatores de risco e doenças associadas
A patogênese é desconhecida.
A maioria dos estudos sugere base genética com alterações na transcrição de CD30.
CD30 (TNFRSF8 ou Ki-1) é uma glicoproteína de 120 kDa da superfamília do receptor do fator de necrose tumoral. A ligação ao CD30L recruta TRAF1, TRAF2 e TRAF3, ativa a via do fator nuclear kappa B e as vias das proteínas quinases ativadas por mitógenos, o que favorece a sobrevida celular e impede a apoptose das células neoplásicas. A ativação de CD30 é regulada pela expressão de Jun-B.
Em pessoas saudáveis, a expressão de CD30 é mínima e restrita a linfócitos ativados (menos de 1%).
Infecções por HTLV-1 e pelo vírus da hepatite E foram investigadas como causa e não se confirmaram.
Há relato de papulose linfomatoide surgindo em área previamente irradiada por câncer de mama, o que sugere relação com inflamação cutânea iatrogênica.
Alterações moleculares descritas: rearranjo de DUSP22 e IRF4 no locus 6p25.3, que define um subtipo (os mesmos rearranjos ocorrem em 20% a 57% dos linfomas anaplásicos cutâneos, no linfoma anaplásico sistêmico e na micose fungoide transformada); fusão NPM1-TYK2, que ativa a via STAT1/3/5, em 4% das doenças linfoproliferativas CD30 positivas; rearranjos de TYK2 em 15% dos casos; superexpressão da proteína SATB1 em 91,7% das papuloses (contra 38,1% dos linfomas anaplásicos cutâneos), associada a melhor resposta ao metotrexato; perda completa da expressão de 5-hidroximetilcitosina em 63% das papuloses, achado que ajuda a separar a proliferação CD30 positiva neoplásica dos infiltrados inflamatórios CD30 positivos.
O rearranjo clonal dos genes do receptor de células T é encontrado em mais de 50% dos casos.
Classificação
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Prognóstico excelente: a sobrevida não é afetada pela doença.
Sobrevida específica em 5 anos de 99% e sobrevida em 10 anos de aproximadamente 100%.
O curso é crônico, com surtos de lesões recorrentes por anos a décadas.
O prognóstico é determinado pelo segundo linfoma, e não pelas lesões cutâneas.
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