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Paraceratose granular intertriginosa / axilar

Padrão inflamatórioEstrato córneo(Paraceratose granular, Paraceratose granular axilar, Paraceratose granular intertriginosa)

Conceito

Paraceratose granular é um distúrbio adquirido da queratinização.

Caracteriza se por lesões ceratóticas em áreas sujeitas a umidade, oclusão, atrito e maceração.

A forma clássica foi descrita nas axilas, por isso também é chamada de paraceratose granular axilar.

O termo paraceratose granular intertriginosa é mais abrangente, pois a doença também pode ocorrer em outras áreas de dobra.

O achado histopatológico central é a paraceratose compacta com retenção de grânulos de querato hialina no estrato córneo.

Epidemiologia

Acomete adultos e crianças.

Em adultos, é mais descrita em mulheres.

Em crianças, pode ocorrer na área das fraldas.

As axilas são o local clássico.

Outras áreas intertriginosas podem ser acometidas, como região inguinal, região inframamária, região genital, períneo, fenda interglútea e área das fraldas.

Também pode ocorrer em áreas não intertriginosas, especialmente quando há contato próximo com roupas, tecidos, cama ou superfícies contaminadas por irritantes.

Em pacientes acamados, pode surgir no dorso, em áreas sujeitas a pressão, oclusão e maceração.

Fatores de risco

  • Umidade, oclusão, atrito e maceração favorecem o desenvolvimento das lesões.
  • Irritantes químicos podem atuar como desencadeantes.
  • Desodorantes, antitranspirantes, produtos de higiene, antissépticos, detergentes, amaciantes, soluções de enxágue de roupas e produtos com cloreto de benzalcônio podem estar envolvidos.
  • A exposição pode ocorrer pelo contato direto com produtos aplicados na pele ou pelo contato indireto com roupas, fraldas, roupas íntimas, roupas esportivas, lençóis e tecidos lavados com produtos contendo esse agente.
  • Dermatite atópica, dermatite irritativa, hiperidrose, obesidade, fricção e ambientes úmidos ou oclusivos podem aumentar a suscetibilidade.

Doenças associadas

  • Dermatite atópica, dermatite irritativa, hiperidrose, obesidade, fricção e ambientes úmidos ou oclusivos podem aumentar a suscetibilidade.
  • Alterações do microbioma cutâneo também podem participar em alguns casos.
  • Em crianças, pode ocorrer em áreas de contato com fraldas ou roupas.

Patogênese

A causa exata não é definida.

A doença parece representar um padrão reacional de queratinização anormal.

Umidade, oclusão, atrito e maceração favorecem o desenvolvimento das lesões.

Irritantes químicos podem atuar como desencadeantes.

O cloreto de benzalcônio é um composto de amônio quaternário usado como conservante, antisséptico e antimicrobiano em diferentes produtos domésticos e cosméticos.

A fisiopatologia envolve alteração da maturação dos queratinócitos entre a camada granulosa e o estrato córneo.

Uma hipótese é a interferência no processamento da profilagrina em filagrina.

Na maturação normal, os precursores presentes nos grânulos de querato hialina são degradados durante a cornificação.

Na paraceratose granular, esse processo parece ser incompleto.

Com isso, há retenção de núcleos e de grânulos de querato hialina no estrato córneo.

A barreira cutânea alterada pode facilitar a penetração de irritantes.

Clínica

  • A paraceratose granular apresenta pápulas, placas ou máculas eritemato acastanhadas, hiperpigmentadas ou acastanhadas.
  • As lesões costumam ser ceratóticas.
  • Pode haver descamação espessa, fissuras, maceração, liquenificação ou escoriações.
  • O prurido é comum, mas pode ser ausente ou discreto.
  • A distribuição pode ser linear, confluente ou em placas nas áreas de dobra.
  • O acometimento pode ser unilateral, bilateral, localizado ou multifocal.
  • Na forma axilar, pode haver pápulas vegetantes ou placas coalescentes.
  • Em crianças, pode ocorrer em áreas de contato com fraldas ou roupas.
  • Em alguns pacientes, a distribuição acompanha áreas de contato próximo com tecidos, como cós, decote, roupas íntimas, roupas esportivas, fraldas ou lençóis.
  • O quadro pode lembrar dermatite crônica, intertrigo, psoríase inversa, acantose nigricante ou doença de Hailey Hailey.
  • O curso pode ser crônico ou recorrente.

Classificação

  • Forma axilar clássica.
  • Forma intertriginosa, com acometimento de outras áreas de dobra.
  • Forma em área das fraldas em crianças.
  • Forma em áreas de contato com roupas, tecidos, cama ou superfícies contaminadas por irritantes.

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Complicações e cuidados

  • Pode haver fissuras, maceração, liquenificação ou escoriações.
  • A recorrência pode ocorrer se persistirem umidade, oclusão, atrito ou reexposição ao irritante desencadeante.
  • O não reconhecimento pode levar a investigações excessivas, tratamentos desnecessários e atraso diagnóstico.

Prognóstico

A paraceratose granular é benigna.

Pode ter curso de semanas a anos.

Alguns casos melhoram espontaneamente.

Muitos casos melhoram após suspensão do irritante e cuidados de barreira.

A recorrência pode ocorrer se persistirem umidade, oclusão, atrito ou reexposição ao irritante desencadeante.

O reconhecimento clínico evita investigações excessivas, tratamentos desnecessários e atraso diagnóstico.

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Referências

  1. Axillary granular parakeratosis. J Am Acad Dermatol. 1991.
  2. Axillary granular parakeratosis. J Am Acad Dermatol. 1995.
  3. Granular parakeratosis secondary to benzalkonium chloride exposure from common household laundry rinse aids. N Z Med J. 2021.

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