É a dermatose bolhosa autoimune subepidérmica mais comum.
Decorre de autoanticorpos IgG dirigidos contra proteínas hemidesmossômicas da zona da membrana basal (BP180 e BP230), componentes de junção que promovem a coesão dermoepidérmica.
Acomete predominantemente idosos.
Caracteriza-se por prurido intenso e bolhas tensas sobre pele eritematosa ou de aspecto normal.
Uma fase não bolhosa (prodrômica), pruriginosa e polimorfa, pode preceder as bolhas por semanas a meses.
O curso é tipicamente crônico.
Associa-se a morbidade significativa e a mortalidade aumentada em relação a idosos pareados por idade e sexo.
É a dermatose bolhosa autoimune subepidérmica mais frequente e corresponde a cerca de 80% desse grupo.
A incidência estimada varia de 6 a 43 novos casos por milhão de habitantes por ano, com séries que descrevem 13 a 62 por milhão.
A incidência aumentou cerca de 2 a 4 vezes nas últimas duas décadas.
Em pessoas com 80 anos ou mais, a incidência aumenta cerca de 10 vezes (190 a 232 casos por milhão).
Acomete sobretudo idosos acima de 70 anos, com idade média ao diagnóstico entre 75 e 80 anos.
Há discreto predomínio no sexo masculino.
As formas induzidas por fármacos podem afetar faixas etárias mais jovens.
Associa-se ao alelo HLA-DQB1*03:01 em pessoas brancas.
Fatores de risco e doenças associadas
Autoanticorpos IgG (IgG1 e IgG4) ligam-se a proteínas hemidesmossômicas da zona da membrana basal.
BP180 (BPAG2, colágeno tipo XVII) é uma proteína transmembrana de 180 kDa e o principal mediador da doença; o alvo patogênico predominante é o domínio não colagenoso NC16A.
BP230 (BPAG1) é uma proteína citoplasmática de placa de 230 kDa da família das plaquinas e não é o mediador primário; os anticorpos anti-BP230 surgem como fenômeno secundário, por disseminação de epítopos.
A ligação dos autoanticorpos ativa o complemento (C3) e recruta eosinófilos e neutrófilos para o tecido.
A liberação de metaloproteinases de matriz, proteases e elastase neutrofílica degrada proteínas da matriz extracelular e gera a clivagem subepidérmica e a bolha.
A via Th2, com IL-4, IL-13 e IL-31, ativa eosinófilos e mastócitos e contribui para o prurido.
IL-4 e IL-13, em parte pela via STAT6, promovem a troca de classe das células B e levam à produção de IgG1 e IgE.
IgE e mastócitos participam da fase urticariforme inicial, e autoanticorpos IgE contra o colágeno tipo XVII já foram detectados.
O eixo IL-17/IL-23 parece participar em um subgrupo de pacientes.
Classificação
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Doença tipicamente crônica, com duração de meses a anos, sobretudo em pacientes com múltiplas recidivas.
Cursa com morbidade significativa e mortalidade aumentada, entre 10% e 40% no primeiro ano em algumas séries, com risco 2 a 3 vezes maior que na população pareada por idade e sexo.
Idade avançada, doenças neurológicas concomitantes, mau estado geral e uso prolongado de altas doses de corticoide são fatores de pior prognóstico.
A corticoterapia tópica de corpo inteiro tem melhor perfil de segurança e menor mortalidade que a prednisona oral em altas doses.
Recidivas são comuns durante a fase de redução do tratamento.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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