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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Penfigoide bolhoso

Padrão inflamatório(Penfigoide, Penfigoide bolhoso do idoso, Bullous pemphigoid)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaMedicamentosPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Conceito

É a dermatose bolhosa autoimune subepidérmica mais comum.

Decorre de autoanticorpos IgG dirigidos contra proteínas hemidesmossômicas da zona da membrana basal (BP180 e BP230), componentes de junção que promovem a coesão dermoepidérmica.

Acomete predominantemente idosos.

Caracteriza-se por prurido intenso e bolhas tensas sobre pele eritematosa ou de aspecto normal.

Uma fase não bolhosa (prodrômica), pruriginosa e polimorfa, pode preceder as bolhas por semanas a meses.

O curso é tipicamente crônico.

Associa-se a morbidade significativa e a mortalidade aumentada em relação a idosos pareados por idade e sexo.

Epidemiologia

É a dermatose bolhosa autoimune subepidérmica mais frequente e corresponde a cerca de 80% desse grupo.

A incidência estimada varia de 6 a 43 novos casos por milhão de habitantes por ano, com séries que descrevem 13 a 62 por milhão.

A incidência aumentou cerca de 2 a 4 vezes nas últimas duas décadas.

Em pessoas com 80 anos ou mais, a incidência aumenta cerca de 10 vezes (190 a 232 casos por milhão).

Acomete sobretudo idosos acima de 70 anos, com idade média ao diagnóstico entre 75 e 80 anos.

Há discreto predomínio no sexo masculino.

As formas induzidas por fármacos podem afetar faixas etárias mais jovens.

Associa-se ao alelo HLA-DQB1*03:01 em pessoas brancas.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Idade avançada, acima de 70 anos
  • Doenças neurológicas: demência, acidente vascular cerebral, doença de Parkinson, esclerose múltipla, epilepsia, síndrome de Shy-Drager e esclerose lateral amiotrófica
  • HLA-DQB1*03:01 em pessoas brancas
  • Trauma, queimaduras, radioterapia e radiação ultravioleta ou PUVA
  • Psoríase e líquen plano
  • Neoplasias, com associação possivelmente ligada à idade: tumores digestivos, de pulmão e de bexiga e doenças linfoproliferativas
  • Doença de Graves e anticorpos antitireoidianos (no penfigoide gestacional)
  • Eventos tromboembólicos

Medicamentos associados

  • Gliptinas, inibidores da DPP-4: vildagliptina, linagliptina, sitagliptina, saxagliptina
  • Inibidores de checkpoint imunológico: anti-PD-1, anti-PD-L1 e anti-CTLA-4
  • Diuréticos: furosemida e antagonistas da aldosterona (espironolactona, eplerenona)
  • Antibióticos: betalactâmicos e macrolídeos
  • Antiparkinsonianos: anticolinérgicos e dopaminérgicos
  • Antidemenciais: donepezila, galantamina, memantina
  • Antipsicóticos de segunda geração: olanzapina, risperidona

Patogênese

Autoanticorpos IgG (IgG1 e IgG4) ligam-se a proteínas hemidesmossômicas da zona da membrana basal.

BP180 (BPAG2, colágeno tipo XVII) é uma proteína transmembrana de 180 kDa e o principal mediador da doença; o alvo patogênico predominante é o domínio não colagenoso NC16A.

BP230 (BPAG1) é uma proteína citoplasmática de placa de 230 kDa da família das plaquinas e não é o mediador primário; os anticorpos anti-BP230 surgem como fenômeno secundário, por disseminação de epítopos.

A ligação dos autoanticorpos ativa o complemento (C3) e recruta eosinófilos e neutrófilos para o tecido.

A liberação de metaloproteinases de matriz, proteases e elastase neutrofílica degrada proteínas da matriz extracelular e gera a clivagem subepidérmica e a bolha.

A via Th2, com IL-4, IL-13 e IL-31, ativa eosinófilos e mastócitos e contribui para o prurido.

IL-4 e IL-13, em parte pela via STAT6, promovem a troca de classe das células B e levam à produção de IgG1 e IgE.

IgE e mastócitos participam da fase urticariforme inicial, e autoanticorpos IgE contra o colágeno tipo XVII já foram detectados.

O eixo IL-17/IL-23 parece participar em um subgrupo de pacientes.

Clínica

  • Prurido intenso, com frequência o sintoma inicial
  • Fase não bolhosa (pré-bolhosa) com prurido isolado, escoriações, pápulas ou placas urticariformes
  • Lesões urticariformes ou eczematosas polimórficas, por vezes anulares ou figuradas
  • Bolhas tensas de conteúdo claro, por vezes hemorrágico, sobre pele eritematosa ou de aparência normal
  • Bolhas de 1 a 4 cm que se rompem e deixam erosões e crostas
  • Distribuição simétrica, com predomínio em flexuras dos membros, faces internas das coxas, abdome e tronco
  • Ausência do sinal de Nikolsky
  • Cicatrização sem atrofia nem cicatriz
  • Acometimento mucoso oral pouco frequente (10% a 30%), menos comum que no pênfigo vulgar
  • Eosinofilia periférica em cerca de 50% dos casos
  • Formas não clássicas: pauci-bolhosa, localizada, eczematosa, urticariforme, disidrosiforme (acral) e tipo prurigo nodular
  • Critérios clínicos úteis, 3 de 4: idade acima de 70 anos, ausência de cicatrizes atróficas, ausência de acometimento mucoso e ausência de bolhas predominantes em cabeça e pescoço

Classificação

  • Penfigoide bolhoso clássico (forma bolhosa generalizada)
  • Formas não bolhosas ou atípicas (pauci-bolhosa, eczematosa, urticariforme, tipo prurigo nodular, disidrosiforme ou acral)
  • Penfigoide localizado (pré-tibial, peristomal, vulvar, umbilical, coto de amputação, sítios de radioterapia, membros paralisados)
  • Penfigoide vegetante (placas vegetantes em áreas intertriginosas)
  • Penfigoide nodular (semelhante ao prurigo nodular, em geral sem bolhas)
  • Penfigoide infantil ou da infância (bolhas acrais que generalizam, com maior envolvimento facial e genital)
  • Líquen plano penfigoide (superposição de líquen plano e penfigoide, com anticorpos anti-BP180)
  • Penfigoide induzido por fármacos
  • Penfigoide anti-p200 (antígeno laminina gama-1, com depósito no lado dérmico da pele clivada por sal)
  • Penfigoide anti-p105

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Complicações e cuidados

  • Erosões extensas e infecção secundária
  • Prurido intratável e comprometimento importante da qualidade de vida
  • Efeitos adversos da corticoterapia sistêmica prolongada: osteoporose e fraturas, diabetes, infecções, hipertensão
  • Atrofia cutânea pelo uso de corticoide tópico superpotente
  • Eventos tromboembólicos por estado pró-inflamatório e pró-trombótico
  • Mortalidade aumentada, sobretudo no primeiro ano
  • Recidivas durante a redução do tratamento

Prognóstico

Doença tipicamente crônica, com duração de meses a anos, sobretudo em pacientes com múltiplas recidivas.

Cursa com morbidade significativa e mortalidade aumentada, entre 10% e 40% no primeiro ano em algumas séries, com risco 2 a 3 vezes maior que na população pareada por idade e sexo.

Idade avançada, doenças neurológicas concomitantes, mau estado geral e uso prolongado de altas doses de corticoide são fatores de pior prognóstico.

A corticoterapia tópica de corpo inteiro tem melhor perfil de segurança e menor mortalidade que a prednisona oral em altas doses.

Recidivas são comuns durante a fase de redução do tratamento.

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Referências

  1. Updated S2 K guidelines for the management of bullous pemphigoid initiated by the European Academy of Dermatology and Venereology (EADV). Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2022.
  2. Navigating Bullous Pemphigoid: Consensus Recommendations for Diagnosis and Management - A Canadian Perspective. Journal of Cutaneous Medicine and Surgery. 2025.
  3. Consensus on the treatment of autoimmune bullous dermatoses: bullous pemphigoid, mucous membrane pemphigoid and epidermolysis bullosa acquisita - Brazilian Society of Dermatology. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2019.

Achados (clique para explorar)

bolhaprurido intensourticaeritemaerosãocrostaáreas flexuraiseosinofilia

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