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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Pitiríase alba

Padrão inflamatório(Pitiríase estreptogênica, Pitiríase simples da face, Pseudoleucoderma atópico, Eritema estreptogênico, Impetigo furfuráceo, Impetigo pitiroide, Impetigo seco, Pitiríase maculada, Kleienflechte)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

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Imagens

Conceito

Dermatose hipocromiante benigna, comum e autolimitada, que acomete sobretudo crianças e adolescentes.

Caracteriza-se por máculas hipocrômicas mal delimitadas, arredondadas ou ovais, com descamação fina, podendo apresentar-se como pápulas ou placas finas.

As lesões predominam na face, sobretudo nas regiões malares, e também no pescoço, nos braços e na porção superior do tronco.

O nome traduz o aspecto: "pitiríase" designa as escamas finas e furfuráceas e "alba" a cor pálida das lesões.

É frequentemente entendida como manifestação menor da dermatite atópica e integra os critérios menores de atopia, embora possa ocorrer em pessoas não atópicas.

O quadro é essencialmente assintomático ou discretamente pruriginoso, e o motivo da consulta costuma ser a preocupação estética do paciente ou dos pais.

Não é contagiosa e nenhuma etiologia infecciosa foi comprovada.

Epidemiologia

Predomina em crianças de 3 a 16 anos, com cerca de 90% dos casos ocorrendo em menores de 12 anos.

Estima-se que atinja cerca de 5% das crianças nos Estados Unidos; a incidência em população pediátrica varia de 1,9% a 5,2%, com prevalências bem mais altas em séries do Egito (18%) e do Mali (20%).

A frequência é nitidamente maior em fototipos altos, nos quais o contraste com a pele circundante torna as lesões mais evidentes; a doença é subestudada em latitudes setentrionais justamente por ser pouco perceptível em pele clara, o que retarda o diagnóstico.

A maioria das séries não mostra predominância definida por sexo, embora haja descrição de discreto predomínio no sexo masculino.

A incidência é significativamente maior em pessoas com história de lesões atópicas do que na população geral.

Populações de baixo nível socioeconômico apresentam maior frequência da doença.

Não é uma doença sazonal, mas o aspecto muda com a estação: no inverno o ar seco dos ambientes agrava a descamação e, na primavera e no verão, a exposição solar escurece a pele ao redor e torna as máculas mais aparentes.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Idade jovem (pré-escolares, escolares e adolescentes)
  • Fototipos altos
  • História familiar de atopia
  • Xerose cutânea
  • Exposição solar excessiva e desprotegida
  • Banhos longos, quentes e frequentes
  • Sabonetes e produtos irritantes, esfoliação mecânica e procedimentos estéticos
  • Baixo nível socioeconômico e carências nutricionais
  • Ar seco de ambientes fechados no inverno
  • Dermatite atópica (a pitiríase alba é considerada critério menor de atopia e forma menor da doença)
  • Rinite alérgica
  • Asma
  • Ictiose vulgar
  • Infecção por dermatófitos na variante pigmentante (tinha do couro cabeludo e tinha da face)
  • Anemia ferropriva
  • Cobre sérico baixo

Patogênese

A causa exata permanece desconhecida, apesar de numerosas hipóteses.

O modelo mais aceito é o de uma dermatite inespecífica de baixo grau, crônica e leve, que evolui com hipopigmentação pós-inflamatória residual.

A produção de melanina está reduzida na área acometida, com melanossomos em menor número e tamanho dentro dos queratinócitos e alterações degenerativas dessas organelas; na variante extensa, descreve-se também redução do número de melanócitos ativos.

Estudos ultraestruturais não mostram diferença no número de melanócitos entre a pele lesional e a não lesional do mesmo paciente, o que indica bloqueio funcional da melanogênese e não destruição melanocitária.

A localização preferencial em áreas fotoexpostas levou à associação repetida com exposição solar excessiva, achado confirmado em série de 54 pacientes.

Hábitos de higiene participam: banhos longos e frequentes, esfoliação mecânica e procedimentos estéticos reduzem defensinas e fatores de proteção cutânea, favorecendo a xerose e o surgimento das lesões.

Pacientes apresentam níveis séricos de cobre mais baixos que os controles (p < 0,001), sem diferença de zinco, manganês, carotenos ou chumbo; o cobre é indispensável para ativar a tirosinase do melanócito, enzima crítica na síntese de melanina, o que ajuda a explicar o paradoxo da maior frequência em populações de baixa renda com carências alimentares.

Metabólitos de leveduras do gênero Malassezia, como o ácido azelaico e o ácido oxálico, inibem a tirosinase; a pitiriacitrina, produzida por Malassezia, filtra a radiação solar e também foi aventada como causa de hipopigmentação.

Alguns estudos associam anemia ferropriva e atrofia das glândulas sebáceas ao quadro, com significado incerto.

Estudos investigaram fatores microbiológicos (Staphylococcus aureus, Propionibacterium acnes) e parasitários (Ascaris) sem demonstrar relação causal, ainda que as lesões, sobretudo na fase inicial, favoreçam infecção secundária.

Clínica

  • Máculas hipocrômicas de limites imprecisos, arredondadas ou ovais, às vezes como pápulas ou placas finas
  • Descamação fina, furfurácea, com escamas lisas e predomínio nas bordas
  • Eritema leve nas lesões iniciais, frequentemente despercebido
  • Lesões geralmente em número de 4 a 20, medindo de 0,5 a 5 cm
  • Distribuição na face (sobretudo malar, perioral e mento), pescoço, braços e porção superior do tronco
  • Ausência de sintomas ou prurido discreto
  • Hipocromia mais aparente após exposição solar, pelo escurecimento da pele vizinha

Curso em três fases

  • Fase eritematosa inicial, com lesões bem definidas e bordas discretamente elevadas, durando algumas semanas
  • Fase escamosa, em que o eritema regride e restam escamas finas
  • Fase hipocrômica residual, motivo habitual da consulta, com máculas de 0,5 a 5 cm descamando nas bordas
  • Persistência das lesões por meses a poucos anos, com remissões espontâneas e recidivas ocasionais
  • Sinais de atopia a procurar no exame: pregas infraorbitais de Dennie-Morgan (dupla prega abaixo da pálpebra inferior), pregas cervicais anteriores, dermografismo branco, queilite, eczema mamilar, fissura infra-auricular e eczema flexural
  • Pesquisar lesões ceratóticas em cotovelos e joelhos e depressões puntiformes ungueais, que apontam para psoríase
  • Luz de Wood: acentuação das lesões, que permanecem não fluorescentes

Classificação

Pitiríase alba clássica

  • Forma mais comum, em escolares, com lesões numerosas e bem definidas de 0,5 a 2 cm com bordas descamativas, na face (região perioral, mento e bochechas); fase eritematosa presente, curso mais curto e melhor resposta ao tratamento
  • Subtipo endêmico: relacionado a condições socioeconômicas precárias
  • Subtipo relacionado à atopia

Pitiríase alba extensa

  • Menos comum, em adolescentes e adultos jovens, com predomínio no sexo feminino; lesões únicas e simétricas maiores que 2 cm, com bordas descamativas, no tronco, pescoço, ombros e face extensora dos membros superiores
  • Lesões menos eritematosas, menos descamativas, mais persistentes e assintomáticas que na forma clássica, com resposta terapêutica mais lenta e fraca
  • Subtipos idiopático e atópico

Pitiríase alba pigmentante

  • Variante mais rara, em crianças e adolescentes, com predomínio no sexo feminino; lesões numerosas de cerca de 1,5 cm, azuladas, formadas por depósito de melanina, circundadas por halo hipocrômico descamativo, na fronte e nas bochechas
  • Descrita em fototipos altos do Oriente Médio e da África do Sul, não relatada em população de pele clara; associa-se com frequência a infecção por dermatófitos (tinha do couro cabeludo e tinha da face em 65%) e coexiste com a forma clássica em cerca de um terço dos casos; resposta ao tratamento razoavelmente boa

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Complicações e cuidados

  • Repercussão estética, principal motivo da consulta
  • Queimadura solar das áreas hipocrômicas, desprotegidas de melanina
  • Infecção secundária das lesões, favorecida sobretudo na fase inicial
  • Recidivas após a remissão
  • Atraso diagnóstico em pele clara, em que as lesões passam despercebidas
  • Hipopigmentação adicional induzida pelo uso prévio de corticosteroide tópico potente

Prognóstico

O prognóstico é favorável: a doença é autolimitada e a repigmentação completa é a regra.

A resolução espontânea ocorre em meses a poucos anos, com a maioria dos casos resolvendo em até 1 ano; algumas séries descrevem regressão em 12 a 24 meses.

As lesões podem recidivar espontaneamente durante o curso, que é longo e multifásico.

O tratamento pode encurtar a duração, mas não altera o desfecho final.

A morbidade é essencialmente estética; não há evolução para doença grave.

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Referências

  1. Pityriasis alba - common disease, enigmatic entity: up-to-date review of the literature. Pediatric Dermatology. 2015.
  2. Pityriasis alba. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing; 2024.

Achados (clique para explorar)

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