Dermatose hipocromiante benigna, comum e autolimitada, que acomete sobretudo crianças e adolescentes.
Caracteriza-se por máculas hipocrômicas mal delimitadas, arredondadas ou ovais, com descamação fina, podendo apresentar-se como pápulas ou placas finas.
As lesões predominam na face, sobretudo nas regiões malares, e também no pescoço, nos braços e na porção superior do tronco.
O nome traduz o aspecto: "pitiríase" designa as escamas finas e furfuráceas e "alba" a cor pálida das lesões.
É frequentemente entendida como manifestação menor da dermatite atópica e integra os critérios menores de atopia, embora possa ocorrer em pessoas não atópicas.
O quadro é essencialmente assintomático ou discretamente pruriginoso, e o motivo da consulta costuma ser a preocupação estética do paciente ou dos pais.
Não é contagiosa e nenhuma etiologia infecciosa foi comprovada.
Predomina em crianças de 3 a 16 anos, com cerca de 90% dos casos ocorrendo em menores de 12 anos.
Estima-se que atinja cerca de 5% das crianças nos Estados Unidos; a incidência em população pediátrica varia de 1,9% a 5,2%, com prevalências bem mais altas em séries do Egito (18%) e do Mali (20%).
A frequência é nitidamente maior em fototipos altos, nos quais o contraste com a pele circundante torna as lesões mais evidentes; a doença é subestudada em latitudes setentrionais justamente por ser pouco perceptível em pele clara, o que retarda o diagnóstico.
A maioria das séries não mostra predominância definida por sexo, embora haja descrição de discreto predomínio no sexo masculino.
A incidência é significativamente maior em pessoas com história de lesões atópicas do que na população geral.
Populações de baixo nível socioeconômico apresentam maior frequência da doença.
Não é uma doença sazonal, mas o aspecto muda com a estação: no inverno o ar seco dos ambientes agrava a descamação e, na primavera e no verão, a exposição solar escurece a pele ao redor e torna as máculas mais aparentes.
Fatores de risco e doenças associadas
A causa exata permanece desconhecida, apesar de numerosas hipóteses.
O modelo mais aceito é o de uma dermatite inespecífica de baixo grau, crônica e leve, que evolui com hipopigmentação pós-inflamatória residual.
A produção de melanina está reduzida na área acometida, com melanossomos em menor número e tamanho dentro dos queratinócitos e alterações degenerativas dessas organelas; na variante extensa, descreve-se também redução do número de melanócitos ativos.
Estudos ultraestruturais não mostram diferença no número de melanócitos entre a pele lesional e a não lesional do mesmo paciente, o que indica bloqueio funcional da melanogênese e não destruição melanocitária.
A localização preferencial em áreas fotoexpostas levou à associação repetida com exposição solar excessiva, achado confirmado em série de 54 pacientes.
Hábitos de higiene participam: banhos longos e frequentes, esfoliação mecânica e procedimentos estéticos reduzem defensinas e fatores de proteção cutânea, favorecendo a xerose e o surgimento das lesões.
Pacientes apresentam níveis séricos de cobre mais baixos que os controles (p < 0,001), sem diferença de zinco, manganês, carotenos ou chumbo; o cobre é indispensável para ativar a tirosinase do melanócito, enzima crítica na síntese de melanina, o que ajuda a explicar o paradoxo da maior frequência em populações de baixa renda com carências alimentares.
Metabólitos de leveduras do gênero Malassezia, como o ácido azelaico e o ácido oxálico, inibem a tirosinase; a pitiriacitrina, produzida por Malassezia, filtra a radiação solar e também foi aventada como causa de hipopigmentação.
Alguns estudos associam anemia ferropriva e atrofia das glândulas sebáceas ao quadro, com significado incerto.
Estudos investigaram fatores microbiológicos (Staphylococcus aureus, Propionibacterium acnes) e parasitários (Ascaris) sem demonstrar relação causal, ainda que as lesões, sobretudo na fase inicial, favoreçam infecção secundária.
Classificação
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O prognóstico é favorável: a doença é autolimitada e a repigmentação completa é a regra.
A resolução espontânea ocorre em meses a poucos anos, com a maioria dos casos resolvendo em até 1 ano; algumas séries descrevem regressão em 12 a 24 meses.
As lesões podem recidivar espontaneamente durante o curso, que é longo e multifásico.
O tratamento pode encurtar a duração, mas não altera o desfecho final.
A morbidade é essencialmente estética; não há evolução para doença grave.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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