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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Pitiríase versicolor

Padrão inflamatório(Tinea versicolor)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Imagens

Conceito

A pitiríase versicolor, também chamada de tinea versicolor, é uma micose superficial causada por fungos lipofílicos do gênero Malassezia.

Caracteriza-se por máculas hipopigmentadas, hiperpigmentadas ou eritematosas, em geral com descamação fina e distribuição em áreas seborreicas.

Apesar do nome tinea, não é causada por dermatófitos.

Malassezia faz parte da microbiota cutânea normal e só se torna patogênica em indivíduos predispostos.

Epidemiologia

Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em adolescentes e adultos jovens.

É mais frequente em climas quentes e úmidos, com prevalência maior em regiões tropicais e maior atividade da doença no verão.

Não há predileção clara por sexo.

Em fototipos altos, as alterações de cor são mais perceptíveis.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Clima quente e úmido
  • Sudorese, hiperidrose e atividade física intensa
  • Maior oleosidade e maior atividade sebácea
  • Uso de produtos oleosos na pele, que favorece a proliferação de Malassezia
  • Imunossupressão, diabetes, obesidade, gravidez e uso de corticosteroides
  • Predisposição individual
  • Recorrência prévia
  • Couro cabeludo como reservatório de Malassezia, especialmente em pacientes com recorrências frequentes

Condições que compartilham Malassezia em áreas seborreicas

  • Dermatite seborreica
  • Caspa
  • Foliculite por Malassezia
  • Essas condições não são equivalentes à pitiríase versicolor

Patogênese

A patogênese envolve supercrescimento de Malassezia e conversão para a forma filamentosa em indivíduo suscetível.

Calor, umidade, sudorese, oleosidade, uso de produtos oleosos, corticosteroides, imunossupressão, desnutrição, alterações endócrinas, gravidez, anticoncepcionais orais e predisposição genética favorecem essa conversão.

A hipopigmentação decorre sobretudo da inibição da tirosinase melanocítica pelo ácido azelaico produzido pela Malassezia, efeito mais evidente em fototipos altos.

O material lipídico acumulado na camada córnea também reduz a penetração da radiação ultravioleta e acentua a hipopigmentação.

A hiperpigmentação decorre de resposta inflamatória discreta, hiperceratose e alterações na distribuição e no tamanho dos melanossomos.

A descamação fina resulta do afrouxamento da camada córnea por enzimas do fungo, entre elas queratinases e lipases.

A tendência à recorrência relaciona-se ao caráter comensal da Malassezia, à persistência dos fatores predisponentes e, possivelmente, à formação de biofilme e a diferenças de suscetibilidade antifúngica entre as espécies.

Clínica

  • Máculas circulares ou ovais, hipocrômicas, hipercrômicas ou eritematosas, com descamação fina
  • Limites ora mal ora bem definidos; as lesões confluem e formam placas maiores
  • Distribuição em áreas seborreicas, sobretudo dorso superior, ombros, tórax superior e pescoço
  • Acometimento possível de abdome, braços e coxas; a face é menos comum, mas ocorre, sobretudo em crianças
  • Cores variadas na mesma pele (esbranquiçada, hipocrômica, acastanhada, amarelada, rósea ou eritematosa), variação que dá nome à doença
  • Descamação por vezes discreta, que se torna evidente ao estiramento ou à raspagem da pele (sinal da escama evocada, sinal de Besnier ou sinal da unhada)
  • Prurido ausente ou leve, que piora com calor, umidade ou sudorese
  • Lesões hipopigmentadas que persistem por semanas ou meses após a eliminação do fungo, com repigmentação mais lenta que a resolução da descamação

Classificação

  • Forma hipocrômica
  • Forma hipercrômica
  • Forma eritematosa

Forma inversa

  • Acomete dobras, como axilas, virilhas, fossas antecubitais e poplíteas

Forma foliculocêntrica

  • Máculas hipopigmentadas ou hiperpigmentadas centradas nos folículos, principalmente no tórax e no dorso

Forma papular

  • Pequenas pápulas vermelho-acastanhadas, em geral no tronco

Forma em confete

  • Múltiplas máculas hipopigmentadas pequenas, discretamente descamativas, de distribuição bilateral e simétrica

Formas atróficas ou de superfície deprimida

  • Raras; exigem correlação clínica e exclusão de diagnósticos diferenciais

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Complicações e cuidados

  • Persistência das lesões hipopigmentadas por semanas ou meses após a eliminação do fungo, com repigmentação mais lenta que a resolução da descamação
  • Recidivas, comuns em clima quente e úmido e em pacientes predispostos
  • Irritação ou dermatite pelo sulfeto de selênio

Prognóstico

A pitiríase versicolor é benigna, superficial e não contagiosa.

A resposta ao tratamento costuma ser boa, mas as recidivas são comuns, sobretudo em clima quente e úmido e em pacientes predispostos.

A doença pode persistir por anos quando não tratada ou quando os fatores predisponentes permanecem.

A alteração pigmentar residual dura semanas a meses depois de eliminado o fungo.

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Referências

  1. Pityriasis Versicolor A Narrative Review on the Diagnosis and Management. Life Basel. 2023.
  2. Systematic Review and Meta analysis on Synthetic Antifungal versus Keratolytic Agents for Topical Treatment of Pityriasis Versicolor. Acta Med Philipp. 2024.
  3. Systematic Review and Meta analysis on Oral azoles for the Treatment of Pityriasis Versicolor. Acta Med Philipp. 2019.
  4. Standardization of dermoscopic terminology and basic dermoscopic parameters to evaluate in general dermatology (non-neoplastic dermatoses): an expert consensus on behalf of the International Dermoscopy Society. British Journal of Dermatology. 2020.
  5. Dermoscopy of inflammatory dermatoses (inflammoscopy): an up-to-date overview. Dermatology Practical and Conceptual. 2019.

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Infecções superficiais e infestações da epiderme
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