Pseudofoliculite da barba é um distúrbio inflamatório crônico da pele folicular e perifolicular causado pelo pelo raspado que volta a penetrar a pele, desencadeando reação de corpo estranho ao próprio pelo.
Manifesta-se por pápulas e pústulas pruriginosas ou dolorosas nas áreas depiladas, seguidas de hiperpigmentação pós-inflamatória.
A invaginação da epiderme provocada pela haste que reentra simula um óstio folicular, o que originou o termo "pseudofolículo" e o nome da doença.
O termo pseudofolliculitis barbae foi cunhado por Strauss e Kligman em 1956; a erupção após o barbear já havia sido descrita por Fox em 1908.
É popularmente conhecida como "razor bumps" (calombos da lâmina) e sua ocorrência depende sempre da remoção do pelo em indivíduo geneticamente predisposto.
O diagnóstico é clínico, apoiado pela dermatoscopia.
Predomina em homens que se barbeiam e têm pelo terminal grosso e fortemente encaracolado.
É mais frequente e mais grave em homens de pele negra e de ascendência africana.
Nas séries militares norte-americanas com política de barba raspada, a prevalência entre recrutas e soldados negros foi de 45% a 83%, com ocorrência bem menor entre soldados brancos (categorias autodeclaradas nos estudos).
Estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas negras nos Estados Unidos tenham a forma grave.
É descrita com menor frequência em pessoas de ascendência asiática, em hispânicos e, mais raramente ainda, em brancos, mas pode ocorrer em qualquer pessoa com pelo espesso ou encaracolado que se barbeie.
Há relato de prevalência menor na Nigéria, possivelmente por mudança nos hábitos de barbear e melhor acesso a opções de tratamento.
Ocorre em profissões que exigem barba raspada, como militares e bombeiros, que precisam de vedação adequada da máscara respiratória.
O início é pós-puberal, quando os pelos sexuais secundários (face, axila, região púbica, tórax) passam a crescer.
Na face é incomum em mulheres, mas a frequência aumenta nas hirsutas, sobretudo na síndrome dos ovários policísticos, e há aumento de casos em mulheres na peri e na pós-menopausa.
Em mulheres que depilam rotineiramente, também acomete membros, região púbica e axilas.
Fatores de risco e doenças associadas
A origem é multifatorial e envolve a forma do folículo, a estrutura do pelo, fatores genéticos e o método de remoção do pelo, que é o fator desencadeante.
Nos indivíduos de cabelo crespo, o folículo é curvo, com a concavidade voltada para a epiderme, o que produz o pelo encaracolado, espiralado ou helicoidal.
Após o barbear rente, a ponta afiada que emerge cresce para baixo ou paralelamente à superfície e penetra a pele a poucos milímetros do óstio: é a penetração extrafolicular.
A penetração extrafolicular é mais comum onde o pelo cresce em ângulo oblíquo à pele, como na região cervical anterior.
Quando há tração do pelo antes do corte, por estiramento da pele ou barbear contra o sentido do crescimento, a ponta cortada retrai para dentro do folículo e, ao crescer, perfura a parede folicular abaixo da superfície: é a penetração transfolicular, comprovável pela histologia.
Em ambos os casos a haste dentro da epiderme ou da derme funciona como corpo estranho e desencadeia reação inflamatória de corpo estranho, com prurido, pápulas, pústulas e hiperpigmentação pós-inflamatória.
A espessura da haste e sua curvatura favorecem a penetração, o que explica por que a região do buço é pouco acometida: ali o pelo é menos espiralado e de menor diâmetro.
O pelo encaracolado e a presença de redemoinhos aumentam em 50% o risco de desenvolver a doença.
Existe polimorfismo de nucleotídeo único (Ala12Thr, A12T) no gene da queratina específica da camada acompanhante do folículo, K6hf (queratina 75), descrito por Winter e colaboradores; a mutação enfraquece o citoesqueleto e facilita o encravamento do pelo.
Portadores do polimorfismo A12T têm chance seis vezes maior de desenvolver a doença, e 76% dos homens que se barbeiam regularmente e são portadores desenvolvem o quadro.
Se o pelo aprisionado atinge cerca de 10 mm, ele se solta da pápula inflamatória e a lesão regride espontaneamente.
As pústulas costumam ser lesões secundárias, por infecção do pelo encravado por Staphylococcus epidermidis.
Classificação
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É doença crônica, que persiste enquanto o pelo continuar sendo removido.
A interrupção do barbear ou a remoção definitiva dos folículos acometidos encerra o surgimento de novas lesões, com resolução em cerca de 12 semanas.
Lesões isoladas podem regredir espontaneamente quando o pelo aprisionado atinge cerca de 10 mm e se solta da pápula.
Quando não tratada, evolui com hiperpigmentação pós-inflamatória, cicatrizes e queloides que comprometem a estética, a autoestima e a qualidade de vida.
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