Você está no conteúdo aberto da Dermato Prática. Conheça os planos →
← Doenças

Psoríase

Padrão inflamatórioEpiderme, derme, unhas e articulações(Psoríase vulgar, Psoríase em placas, Psoríase em placas crônica)

Imagens

Conceito

Psoríase é uma doença inflamatória crônica, sistêmica, imunomediada e não contagiosa.

Acomete principalmente a pele, mas também pode envolver unhas, articulações e, em alguns pacientes, associar se a comorbidades metabólicas, cardiovasculares e psicossociais.

A forma mais comum é a psoríase em placas crônica, também chamada psoríase vulgar.

Caracteriza se por pápulas e placas eritematosas, bem delimitadas, simétricas, com escamas brancas ou branco prateadas aderidas.

A doença tem curso crônico e recidivante, com períodos de melhora e piora.

Epidemiologia

A prevalência mundial é de aproximadamente 2 por cento.

No Brasil, os dados disponíveis sugerem prevalência em torno de 1 por cento a 2,5 por cento, variando conforme a metodologia de avaliação.

Pode ocorrer em qualquer idade.

Há dois picos principais de início: entre 20 e 30 anos e entre 50 e 60 anos.

A distribuição entre homens e mulheres é semelhante.

A artrite psoriásica ocorre em cerca de 20 por cento a 30 por cento dos pacientes com psoríase.

Na maioria dos casos, as manifestações cutâneas precedem o início do quadro articular.

Fatores de risco

  • História familiar aumenta o risco, especialmente em familiares de primeiro grau.
  • Trauma cutâneo pode desencadear lesões pelo fenômeno de Koebner, geralmente 1 a 3 semanas após o trauma.
  • Infecções podem desencadear psoríase, especialmente faringite estreptocócica na psoríase gutata.
  • HIV pode desencadear ou agravar a doença.
  • Clima frio, estresse, consumo de álcool, tabagismo e obesidade podem desencadear ou agravar psoríase.
  • Hipocalcemia pode se associar à psoríase pustulosa generalizada.
  • Gestação pode se associar à forma pustulosa da gestação.
  • Medicamentos que podem desencadear ou piorar psoríase incluem lítio, interferons, betabloqueadores, antimaláricos, inibidores da enzima conversora de angiotensina, sais de ouro, inibidores de TNF alfa, anti inflamatórios não esteroidais e retirada ou redução de corticosteroides sistêmicos.
  • Terbinafina e anti inflamatórios não esteroidais podem ter latência curta, menor que 4 semanas.
  • Antimaláricos e inibidores da enzima conversora de angiotensina podem ter latência intermediária, entre 4 e 12 semanas.
  • Betabloqueadores e lítio podem ter latência longa, maior que 12 semanas.
  • Inibidores de TNF alfa, especialmente adalimumabe e infliximabe, podem desencadear psoríase em placas e pustulose palmoplantar.

Doenças associadas

  • Psoríase pode se associar a acometimento ungueal e artrite psoriásica.
  • Psoríase ungueal aumenta o risco de artrite psoriásica.
  • A artrite psoriásica pode cursar com artrite periférica, doença axial, entesite, dactilite, acometimento ungueal, uveíte e associação com doença inflamatória intestinal.
  • Há associação com obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, síndrome metabólica, doença cardiovascular e esteato hepatite não alcoólica.
  • Também pode haver associação com doença inflamatória intestinal, uveíte, depressão, ansiedade, alcoolismo e tabagismo.
  • Pacientes com psoríase extensa tendem a ter maior carga de comorbidades.
  • Pode haver aumento discreto do risco de alguns cânceres, incluindo câncer de pele não melanoma, linfoma e câncer de pulmão.
  • Há maior risco de onicomicose e Candida, especialmente na psoríase inversa.
  • A avaliação clínica deve incluir rastreio de sintomas articulares, fatores de risco cardiovascular, obesidade, saúde mental, consumo de álcool, tabagismo e uso de medicamentos que possam piorar a psoríase.

Patogênese

A predisposição genética é importante na psoríase.

A herança é poligênica.

Existem regiões de suscetibilidade chamadas PSORS1 a PSORS9.

A região PSORS1, localizada no cromossomo 6p, é a mais importante e contém o alelo HLA Cw6.

HLA Cw6 é a associação HLA mais forte na psoríase e está associado principalmente à psoríase de início precoce e à psoríase gutata.

HLA B27 associa se à psoríase com sacroiliíte, artrite psoriásica e formas pustulosas.

HLA B13 e HLA B17 podem se associar à psoríase gutata e eritrodérmica.

HLA B8, HLA Bw35, HLA Cw7 e HLA DR3 podem se associar à pustulose palmoplantar.

A psoríase é uma doença imunomediada, com participação central de linfócitos T, células dendríticas, citocinas inflamatórias e queratinócitos.

Na epiderme, predominam linfócitos CD8.

Na derme, há mistura de linfócitos CD4 e CD8.

A via IL 23/Th17 é central, com IL 23 produzida por células dendríticas estimulando células Th17, que liberam IL 17 e IL 22 e levam a inflamação dérmica e proliferação de queratinócitos.

Há aumento de citocinas inflamatórias, como interferon gama, IL 2, IL 12, IL 1, IL 6 e TNF alfa, com IL 10 reduzida.

O recrutamento neutrofílico contribui para a formação das pústulas espongiformes de Kogoj e dos microabscessos de Munro.

Os queratinócitos participam ativamente, secretando proteínas antimicrobianas e citocinas, e a ativação de STAT3 contribui para a proliferação epidérmica.

O resultado final é um ciclo inflamatório autossustentado, com hiperproliferação epidérmica, alteração da diferenciação queratinocítica, angiogênese e infiltração inflamatória.

Clínica

  • A psoríase em placas crônica é a forma mais comum.
  • Apresenta pápulas e placas eritematosas, simétricas, bem definidas, com escamas brancas ou branco prateadas aderidas.
  • As lesões acometem preferencialmente superfícies extensoras, como cotovelos e joelhos.
  • Também são comuns no couro cabeludo, região lombossacra, mãos, pés e genitália.
  • A remoção da escama pode produzir sangramento puntiforme, conhecido como sinal de Auspitz.
  • As lesões podem ser assintomáticas ou causar prurido, dor, ardor e fissuras.
  • A psoríase gutata ocorre principalmente em crianças, adolescentes e adultos jovens, com lesões pequenas, em gotas, geralmente de 2 a 6 mm, distribuídas de forma simétrica no tronco e nas extremidades proximais.
  • Pode ser desencadeada por infecção por Streptococcus do grupo A na orofaringe ou região perianal, ou após infecção de vias aéreas superiores, com início 1 a 3 semanas após o quadro infeccioso.
  • Parte dos pacientes pode evoluir posteriormente para psoríase em placas.
  • A psoríase eritrodérmica apresenta eritema e descamação generalizados, acometendo mais de 90 por cento da superfície corporal, e é forma grave que pode cursar com alterações sistêmicas, perda de calor, distúrbios hidroeletrolíticos, hipoalbuminemia e risco aumentado de infecção.
  • A psoríase pustulosa generalizada é forma grave, com pústulas estéreis sobre base eritematosa.
  • A forma de von Zumbusch tem início rápido e generalizado, com pele dolorosa, febre, leucocitose, hipoalbuminemia e mal estar.
  • A forma pustulosa da gestação, também chamada impetigo herpetiforme, é associada à gravidez.
  • A pustulose palmoplantar apresenta pústulas e máculas amarelo acastanhadas nas palmas e plantas, com curso crônico, e pode se associar à síndrome SAPHO.
  • A acrodermatite contínua de Hallopeau acomete extremidades dos dedos das mãos e dos pés, com pústulas, crostas, escamas, dor, inflamação periungueal e perda ungueal.
  • A psoríase do couro cabeludo pode coexistir com dermatite seborreica, avançar para a margem da face, áreas retroauriculares e região cervical superior, e costuma ter escamas mais espessas e aderidas.
  • Psoríase é uma das principais causas de pitiríase amiantácea.
  • A psoríase inversa acomete áreas flexurais, como axilas, região inguinal, fenda interglútea, região inframamária e dobras, com placas eritematosas, bem delimitadas, brilhantes e menos descamativas, com possível fissura.
  • A psoríase genital pode ocorrer isoladamente ou associada a lesões em outras áreas, com placas eritematosas, bem delimitadas e pouco descamativas, podendo causar dor, fissuras, ardor, prurido e impacto na vida sexual.
  • A psoríase oral é incomum e pode se manifestar como annulus migrans, lembrando língua geográfica.
  • A psoríase ungueal acomete mais as unhas das mãos, com pitting ungueal por acometimento da matriz proximal, leuconíquia por acometimento da matriz distal, e manchas em óleo, manchas salmão, hemorragias em estilhaço, onicólise e hiperqueratose subungueal por acometimento do leito.
  • A psoríase palmoplantar pode apresentar placas hiperqueratóticas, fissuras, dor e limitação funcional.
  • A artrite psoriásica afeta até 30 por cento dos pacientes, com sintoma inicial clássico de rigidez articular matinal com duração maior que 1 hora, além de dor, edema, limitação funcional, dor lombar inflamatória, entesite, dactilite e alterações ungueais.

Classificação

  • Psoríase em placas crônica ou psoríase vulgar.
  • Psoríase gutata.
  • Psoríase eritrodérmica.
  • Psoríase pustulosa generalizada, incluindo a forma de von Zumbusch e a forma pustulosa da gestação (impetigo herpetiforme).
  • Pustulose palmoplantar.
  • Acrodermatite contínua de Hallopeau.
  • Psoríase do couro cabeludo.
  • Psoríase inversa.
  • Psoríase genital.
  • Psoríase oral.
  • Psoríase ungueal.
  • Psoríase palmoplantar.
  • Artrite psoriásica com padrão oligoarticular, interfalangiano distal, semelhante à artrite reumatoide, axial ou mutilante.

Dermatoscopia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Histopatologia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Diagnósticos diferenciais Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Manejo Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Procedimentos relacionados Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Complicações e cuidados

  • Psoríase eritrodérmica pode cursar com alterações sistêmicas, perda de calor, distúrbios hidroeletrolíticos, hipoalbuminemia e risco aumentado de infecção.
  • Psoríase pustulosa generalizada pode apresentar pele dolorosa, febre, leucocitose, hipoalbuminemia e mal estar.
  • A acrodermatite contínua de Hallopeau pode causar destruição ungueal e alterações ósseas locais.
  • Psoríase genital pode causar dor, fissuras, ardor, prurido e impacto na vida sexual.
  • Artrite psoriásica pode causar dano estrutural, limitação funcional, entesite, dactilite, acometimento axial e artrite mutilante.
  • Psoríase pode comprometer sono, trabalho, lazer, relações pessoais, vida sexual, autoestima e saúde mental, com ansiedade, depressão, isolamento social e perda de produtividade.

Prognóstico

Psoríase é uma doença crônica e recidivante.

O curso varia conforme subtipo clínico, extensão, comorbidades, adesão, acesso ao tratamento e resposta terapêutica.

Pode haver remissão espontânea em parte dos pacientes, mas a maioria necessita de acompanhamento prolongado.

O prognóstico melhorou muito com o reconhecimento da psoríase como doença sistêmica, a avaliação de comorbidades e a disponibilidade de terapias direcionadas.

O controle adequado reduz lesões, sintomas, impacto psicossocial e limitações funcionais.

A ausência de resposta deve levar à revisão de diagnóstico, adesão, dose, intervalo, fatores desencadeantes, comorbidades e necessidade de troca terapêutica.

Pérola clínica Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Referências

  1. 4ª ed. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Dermatologia; 2024.
  2. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase. Portaria Conjunta nº 18, de 14 de outubro de 2021.
  3. EuroGuiDerm Guideline for the systemic treatment of psoriasis vulgaris. September 2023, partial update February 2025.
  4. Systemic pharmacological treatments for chronic plaque psoriasis: a network meta analysis. Cochrane Database Syst Rev. 2023.
  5. GRAPPA: updated treatment recommendations for psoriatic arthritis 2021. Nat Rev Rheumatol. 2022.
  6. Standardization of dermoscopic terminology and basic dermoscopic parameters to evaluate in general dermatology non neoplastic dermatoses. Br J Dermatol. 2020.

Achados (clique para explorar)

Veja também

Médico ou estudante
Acesso completo

Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.

Aprenda comigo →
Paciente
Consulte com o Dr. Caio Formiga

Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.

Consulte comigo →