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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Psoríase

Padrão inflamatório(Psoríase vulgar, Psoríase em placas, Psoríase em placas crônica)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Imagens

Conceito

Psoríase é uma doença inflamatória crônica, sistêmica, imunomediada e não contagiosa.

Acomete principalmente a pele, mas também pode envolver unhas, articulações e, em alguns pacientes, associar-se a comorbidades metabólicas, cardiovasculares e psicossociais.

A forma mais comum é a psoríase em placas crônica, também chamada psoríase vulgar.

Caracteriza-se por pápulas e placas eritematosas, bem delimitadas, simétricas, com escamas brancas ou branco-prateadas aderidas.

O curso é crônico e recidivante, com períodos de melhora e piora.

Epidemiologia

A prevalência mundial é de aproximadamente 2 por cento.

No Brasil, os dados disponíveis sugerem prevalência em torno de 1 por cento a 2,5 por cento, variando conforme a metodologia de avaliação.

Pode ocorrer em qualquer idade.

Há dois picos principais de início: entre 20 e 30 anos e entre 50 e 60 anos.

A distribuição entre homens e mulheres é semelhante.

A artrite psoriásica ocorre em cerca de 20 por cento a 30 por cento dos pacientes com psoríase.

Na maioria dos casos, as manifestações cutâneas precedem o início do quadro articular.

Fatores de risco e doenças associadas

  • História familiar, especialmente em familiares de primeiro grau
  • Trauma cutâneo, que desencadeia lesões pelo fenômeno de Koebner, geralmente 1 a 3 semanas após o trauma
  • Infecções, especialmente faringite estreptocócica na psoríase gutata
  • Clima frio
  • Estresse
  • Hipocalcemia, que pode se associar à psoríase pustulosa generalizada
  • Gestação, que pode se associar à forma pustulosa da gestação

Medicamentos que podem desencadear ou piorar a psoríase

  • Lítio, interferons, betabloqueadores, antimaláricos, inibidores da enzima conversora de angiotensina, sais de ouro, inibidores de TNF-alfa, anti-inflamatórios não esteroidais e retirada ou redução de corticosteroides sistêmicos
  • Latência curta, menor que 4 semanas: terbinafina e anti-inflamatórios não esteroidais
  • Latência intermediária, entre 4 e 12 semanas: antimaláricos e inibidores da enzima conversora de angiotensina
  • Latência longa, maior que 12 semanas: betabloqueadores e lítio
  • Inibidores de TNF-alfa, especialmente adalimumabe e infliximabe, que desencadeiam psoríase em placas e pustulose palmoplantar
  • Acometimento ungueal, que aumenta o risco de artrite psoriásica
  • Artrite psoriásica, que pode cursar com artrite periférica, doença axial, entesite, dactilite, acometimento ungueal, uveíte e associação com doença inflamatória intestinal
  • Obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, síndrome metabólica, doença cardiovascular e esteato-hepatite não alcoólica; a obesidade também desencadeia ou agrava a doença
  • Doença inflamatória intestinal, uveíte, depressão e ansiedade
  • Alcoolismo e tabagismo, que também desencadeiam ou agravam a doença
  • HIV, que pode desencadear ou agravar a doença
  • Maior carga de comorbidades nos pacientes com psoríase extensa
  • Aumento discreto do risco de alguns cânceres, incluindo câncer de pele não melanoma, linfoma e câncer de pulmão
  • Maior risco de onicomicose e de Candida, especialmente na psoríase inversa

Patogênese

A predisposição genética é importante e a herança é poligênica.

Existem regiões de suscetibilidade chamadas PSORS1 a PSORS9.

A região PSORS1, localizada no cromossomo 6p, é a mais importante e contém o alelo HLA-Cw6.

HLA-Cw6 é a associação HLA mais forte na psoríase e liga-se principalmente à psoríase de início precoce e à psoríase gutata.

HLA-B27 associa-se à psoríase com sacroiliíte, artrite psoriásica e formas pustulosas.

HLA-B13 e HLA-B17 podem se associar à psoríase gutata e eritrodérmica.

HLA-B8, HLA-Bw35, HLA-Cw7 e HLA-DR3 podem se associar à pustulose palmoplantar.

A psoríase é imunomediada, com participação central de linfócitos T, células dendríticas, citocinas inflamatórias e queratinócitos.

Na epiderme, predominam linfócitos CD8; na derme, há mistura de linfócitos CD4 e CD8.

A via IL-23/Th17 é central: a IL-23 produzida por células dendríticas estimula células Th17, que liberam IL-17 e IL-22 e levam a inflamação dérmica e proliferação de queratinócitos.

Há aumento de citocinas inflamatórias, como interferon gama, IL-2, IL-12, IL-1, IL-6 e TNF-alfa, com IL-10 reduzida.

O recrutamento neutrofílico contribui para a formação das pústulas espongiformes de Kogoj e dos microabscessos de Munro.

Os queratinócitos participam ativamente, secretando proteínas antimicrobianas e citocinas, e a ativação de STAT3 contribui para a proliferação epidérmica.

O resultado final é um ciclo inflamatório autossustentado, com hiperproliferação epidérmica, alteração da diferenciação queratinocítica, angiogênese e infiltração inflamatória.

Clínica

Psoríase em placas crônica

  • Forma mais comum
  • Pápulas e placas eritematosas, simétricas, bem definidas, com escamas brancas ou branco-prateadas aderidas
  • Preferência por superfícies extensoras, como cotovelos e joelhos; também são comuns no couro cabeludo, região lombossacra, mãos, pés e genitália
  • A remoção da escama pode produzir sangramento puntiforme, o sinal de Auspitz
  • Lesões assintomáticas ou com prurido, dor, ardor e fissuras

Psoríase gutata

  • Predomina em crianças, adolescentes e adultos jovens
  • Lesões pequenas, em gotas, geralmente de 2 a 6 mm, simétricas no tronco e nas extremidades proximais
  • Pode ser desencadeada por infecção por Streptococcus do grupo A na orofaringe ou na região perianal, ou após infecção de vias aéreas superiores, com início 1 a 3 semanas após o quadro infeccioso
  • Parte dos pacientes evolui depois para psoríase em placas

Psoríase eritrodérmica

  • Eritema e descamação generalizados, acometendo mais de 90 por cento da superfície corporal
  • Forma grave, com risco de repercussão sistêmica

Psoríase pustulosa generalizada

  • Forma grave, com pústulas estéreis sobre base eritematosa
  • Forma de von Zumbusch: início rápido e generalizado, com pele dolorosa
  • Forma pustulosa da gestação, também chamada impetigo herpetiforme, associada à gravidez

Pustulose palmoplantar

  • Pústulas e máculas amarelo-acastanhadas nas palmas e plantas, de curso crônico
  • Pode associar-se à síndrome SAPHO

Acrodermatite contínua de Hallopeau

  • Acomete as extremidades dos dedos das mãos e dos pés, com pústulas, crostas, escamas, dor, inflamação periungueal e perda ungueal

Psoríase do couro cabeludo

  • Pode coexistir com dermatite seborreica
  • Avança para a margem da face, áreas retroauriculares e região cervical superior
  • Escamas mais espessas e aderidas
  • É uma das principais causas de pitiríase amiantácea

Psoríase inversa

  • Acomete áreas flexurais, como axilas, região inguinal, fenda interglútea, região inframamária e dobras
  • Placas eritematosas, bem delimitadas, brilhantes e menos descamativas, com possível fissura

Psoríase genital

  • Ocorre isolada ou associada a lesões em outras áreas
  • Placas eritematosas, bem delimitadas e pouco descamativas
  • Pode causar dor, fissuras, ardor, prurido e impacto na vida sexual

Psoríase oral

  • Incomum; pode manifestar-se como annulus migrans, lembrando língua geográfica

Psoríase ungueal

  • Acomete mais as unhas das mãos
  • Matriz proximal: depressões puntiformes ungueais
  • Matriz distal: leuconíquia
  • Leito: mancha em óleo, mancha salmão, hemorragias em estilhaço, onicólise e hiperceratose subungueal

Psoríase palmoplantar

  • Placas hiperceratóticas, fissuras, dor e limitação funcional

Artrite psoriásica

  • Afeta até 30 por cento dos pacientes
  • Sintoma inicial clássico: rigidez articular matinal com duração maior que 1 hora
  • Dor, edema, limitação funcional, dor lombar inflamatória, entesite, dactilite e alterações ungueais

Classificação

  • Psoríase em placas crônica ou psoríase vulgar.
  • Psoríase gutata.
  • Psoríase eritrodérmica.
  • Psoríase pustulosa generalizada, incluindo a forma de von Zumbusch e a forma pustulosa da gestação (impetigo herpetiforme).
  • Pustulose palmoplantar.
  • Acrodermatite contínua de Hallopeau.
  • Psoríase do couro cabeludo.
  • Psoríase inversa.
  • Psoríase genital.
  • Psoríase oral.
  • Psoríase ungueal.
  • Psoríase palmoplantar.
  • Artrite psoriásica com padrão oligoarticular, interfalangiano distal, semelhante à artrite reumatoide, axial ou mutilante.

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Complicações e cuidados

  • Psoríase eritrodérmica: alterações sistêmicas, perda de calor, distúrbios hidroeletrolíticos, hipoalbuminemia e risco aumentado de infecção
  • Psoríase pustulosa generalizada: pele dolorosa, febre, leucocitose, hipoalbuminemia e mal-estar
  • Acrodermatite contínua de Hallopeau: destruição ungueal e alterações ósseas locais
  • Artrite psoriásica: dano estrutural, limitação funcional, entesite, dactilite, acometimento axial e artrite mutilante
  • Comprometimento de sono, trabalho, lazer, relações pessoais, vida sexual, autoestima e saúde mental, com ansiedade, depressão, isolamento social e perda de produtividade

Prognóstico

Psoríase é uma doença crônica e recidivante.

O curso varia conforme subtipo clínico, extensão, comorbidades, adesão, acesso ao tratamento e resposta terapêutica.

Pode haver remissão espontânea em parte dos pacientes, mas a maioria necessita de acompanhamento prolongado.

O prognóstico melhorou muito com o reconhecimento da psoríase como doença sistêmica, a avaliação de comorbidades e a disponibilidade de terapias direcionadas.

O controle adequado reduz lesões, sintomas, impacto psicossocial e limitações funcionais.

A ausência de resposta deve levar à revisão de diagnóstico, adesão, dose, intervalo, fatores desencadeantes, comorbidades e necessidade de troca terapêutica.

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Referências

  1. 4ª ed. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Dermatologia; 2024.
  2. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase. Portaria Conjunta nº 18, de 14 de outubro de 2021.
  3. EuroGuiDerm Guideline for the systemic treatment of psoriasis vulgaris. September 2023, partial update February 2025.
  4. Systemic pharmacological treatments for chronic plaque psoriasis: a network meta analysis. Cochrane Database Syst Rev. 2023.
  5. GRAPPA: updated treatment recommendations for psoriatic arthritis 2021. Nat Rev Rheumatol. 2022.
  6. Standardization of dermoscopic terminology and basic dermoscopic parameters to evaluate in general dermatology non neoplastic dermatoses. Br J Dermatol. 2020.
  7. Dermoscopy of inflammatory dermatoses (inflammoscopy): an up-to-date overview. Dermatology Practical and Conceptual. 2019.

Achados (clique para explorar)

placaescama prateadasinal de Auspitzfenômeno de Koebneráreas extensorascouro cabeludodepressões puntiformes ungueaismancha em óleo

Veja também

Infecções superficiais e infestações da epidermeProliferações epidérmicasLinfomas cutâneos e doenças linfoproliferativasDermatites psoriasiformes e espongióticasMétodo algorítmico das doenças inflamatóriasDermatites vesicobolhosas
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