As dermatoses purpúricas pigmentadas compõem um grupo de doenças cutâneas crônicas e benignas caracterizadas por hemorragia petequial secundária a capilarite, isto é, inflamação dos capilares da derme papilar superficial.
O extravasamento de hemácias produz a púrpura, e os macrófagos carregados de hemossiderina conferem tom dourado a acastanhado às lesões antigas.
Apresentam-se tipicamente como máculas puntiformes cor de "pimenta caiena" (petéquias) sobre fundo de máculas hiperpigmentadas pardo-amareladas, não palpáveis, de distribuição bilateral e predomínio nos membros inferiores.
As diferentes variantes representam formas clínicas de uma mesma entidade, com histopatologia praticamente sobreponível.
Não há achados sistêmicos, mas a natureza purpúrica das lesões frequentemente motiva investigação para excluir trombocitopenia ou vasculite.
O curso é crônico, com surtos e remissões, e a maioria dos casos é idiopática.
Afetam pessoas de todas as idades, sobretudo adultos, mas há numerosos relatos em crianças.
A doença de Schamberg é a variante mais comum, com predomínio em homens de meia-idade a idosos.
A púrpura anular telangiectásica de Majocchi acomete sobretudo adolescentes e mulheres jovens.
A dermatite liquenoide de Gougerot-Blum incide preferencialmente em homens de meia-idade a idosos.
O líquen aureus predomina em homens jovens.
A púrpura eczematoide de Doucas-Kapetanakis ocorre principalmente em homens adultos.
A forma linear é mais observada em crianças e adolescentes.
A variante granulomatosa é rara e parece mais frequente em populações asiáticas.
Fatores de risco e doenças associadas
A etiologia é desconhecida.
Há inflamação e hemorragia dos vasos superficiais da derme papilar, sobretudo capilares, sem associação com distúrbios da coagulação.
Estudos imunopatológicos apontam um evento imunológico celular localizado, com hipersensibilidade mediada por células.
Observa-se aumento da expressão de moléculas de adesão celular, com LFA-1 nas células inflamatórias e ICAM-1 e ELAM-1 nas células endoteliais, levando à adesão de linfócitos T ativados às células endoteliais, fibroblastos e queratinócitos.
O infiltrado perivascular é composto predominantemente por linfócitos T CD4+ e células dendríticas CD1a+.
Citocinas leucocitárias como o TNF-alfa induzem a expressão dessas moléculas de adesão e podem reduzir a atividade fibrinolítica, favorecendo o depósito intraperivascular de fibrina.
A fragilidade e a dilatação capilar, com o extravasamento de hemácias, desencadeiam a resposta imune.
Postula-se que fármacos ou substâncias atuem como haptenos, gerando antígenos que lesam o endotélio capilar.
Uma teoria emergente sugere alteração de linfócitos T epiteliotrópicos, com epidermotropismo ou padrão monoclonal do infiltrado em alguns casos.
Classificação
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O curso é crônico e benigno, com surtos e remissões ao longo de meses a anos.
A maioria dos casos é idiopática.
As lesões são persistentes e frequentemente resistentes ao tratamento, com recidivas comuns após a suspensão.
Remissões espontâneas são frequentes, sobretudo em crianças.
A hiperpigmentação hemossiderótica pode persistir mesmo após a resolução da atividade.
A transformação em micose fungoide é rara, mas justifica vigilância nas formas atípicas ou persistentes.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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