A queimadura solar é a reação inflamatória aguda da pele à radiação ultravioleta em dose superior à dose eritematosa mínima, com eritema, edema, ardor e, nos casos intensos, vesículas e bolhas seguidas de descamação.
O fotodano crônico, ou fotoenvelhecimento, é o conjunto de alterações cumulativas produzidas pela exposição repetida ao ultravioleta, à luz visível e ao infravermelho em pele fotoexposta, com rugas profundas, espessamento, elastose, telangiectasias e lesões pigmentadas.
As duas condições têm o mesmo agente e formam um contínuo: o dano agudo repetido e a dose cumulativa determinam o fotodano, a ceratose actínica e o câncer de pele.
Fototipos I e II queimam mais do que bronzeiam e têm incidência aumentada de câncer de pele; fototipos altos apresentam menor penetração de ultravioleta e reparo mais rápido do DNA, mas não estão isentos de queimadura nem de fotodano.
Cerca de 83% das crianças apresentam queimadura solar no verão, e o número de episódios de queimadura na infância é o principal determinante do risco aumentado nessa fase da vida.
No Brasil o índice ultravioleta atinge níveis extremos no verão em quase todo o território e permanece extremo mesmo no inverno no Norte e no Nordeste, o que torna a queimadura possível fora dos meses de férias e fora dos horários tidos como de risco.
Fatores de risco e doenças associadas
A queimadura solar decorre principalmente do UVB, com participação menor do UVA. Segue-se vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e migração de polimorfonucleares, com edema e dor.
Os comprimentos de onda em torno de 300 nm são os mais eritematogênicos. Após dose única e intensa, o eritema tem latência de 2 a 7 horas, atinge o máximo em 12 a 24 horas e depois declina, persistindo por horas ou dias; doses maiores encurtam a latência e prolongam a reação, e o eritema demora mais a desaparecer quando há componente UVA.
O mecanismo passa pela formação de prostaglandinas e eicosanoides, o que explica por que inibidores da síntese de prostaglandinas, como o ácido acetilsalicílico e a indometacina, atrasam parcialmente o período de latência, conduta que não foi avaliada em ensaios randomizados.
O UVA e o infravermelho agem diretamente sobre os vasos da derme e produzem eritema mais tardio e progressivo, sem intermediação de mediadores.
O fotodano crônico resulta da degradação progressiva do colágeno por metaloproteinases da matriz induzidas pela radiação, do acúmulo de espécies reativas de oxigênio e de mutações no DNA nuclear e mitocondrial, somados à imunossupressão induzida pelo ultravioleta.
Classificação
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A queimadura solar isolada resolve-se em dias, com descamação e sem cicatriz nas formas de primeiro grau; a forma com vesículas cicatriza em até 3 semanas sem deixar cicatriz.
O que determina o prognóstico é o acúmulo: episódios de queimadura, sobretudo na infância, associam-se a melanoma, e a dose cumulativa associa-se a ceratose actínica e carcinoma espinocelular.
O fotodano instalado, com elastose e cutis rhomboidalis, não regride espontaneamente, mas a fotoproteção diária reduz a progressão das rugas e da elastose, e retinoide tópico, peelings e lasers produzem melhora parcial.
Pele fotodanificada exige seguimento periódico para ceratose actínica e câncer de pele.
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