Pular para o conteúdo
Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

Conteúdo

  • Assista
  • Explore
  • Assinar

Contato

  • Sou paciente: agendar consulta
  • WhatsApp
  • Instagram
© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
Dermato Prática
AssistaExploreSobreEntrarAssinar
Você está no conteúdo aberto da Dermato Prática. Conheça os planos →
← Doenças

Queimadura solar e fotodano

Padrão inflamatórioepiderme e derme(eritema solar, dermato-heliose, fotoenvelhecimento, elastose solar)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

A queimadura solar é a reação inflamatória aguda da pele à radiação ultravioleta em dose superior à dose eritematosa mínima, com eritema, edema, ardor e, nos casos intensos, vesículas e bolhas seguidas de descamação.

O fotodano crônico, ou fotoenvelhecimento, é o conjunto de alterações cumulativas produzidas pela exposição repetida ao ultravioleta, à luz visível e ao infravermelho em pele fotoexposta, com rugas profundas, espessamento, elastose, telangiectasias e lesões pigmentadas.

As duas condições têm o mesmo agente e formam um contínuo: o dano agudo repetido e a dose cumulativa determinam o fotodano, a ceratose actínica e o câncer de pele.

Epidemiologia

Fototipos I e II queimam mais do que bronzeiam e têm incidência aumentada de câncer de pele; fototipos altos apresentam menor penetração de ultravioleta e reparo mais rápido do DNA, mas não estão isentos de queimadura nem de fotodano.

Cerca de 83% das crianças apresentam queimadura solar no verão, e o número de episódios de queimadura na infância é o principal determinante do risco aumentado nessa fase da vida.

No Brasil o índice ultravioleta atinge níveis extremos no verão em quase todo o território e permanece extremo mesmo no inverno no Norte e no Nordeste, o que torna a queimadura possível fora dos meses de férias e fora dos horários tidos como de risco.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Fototipos I e II
  • Exposição intencional ao sol e exposição ocupacional ao ar livre
  • Episódios prévios de queimadura solar, sobretudo na infância
  • Uso de câmara de bronzeamento, proibida no Brasil com finalidade estética desde 2009
  • Índice ultravioleta alto, meio-dia solar, verão, baixa latitude e altitude elevada
  • Superfícies refletoras: neve recém-caída reflete até 90% da radiação, concreto claro 10% a 20%, areia 2% a 12%
  • Uso de medicamentos fotossensibilizantes, que reduzem a dose eritematosa mínima
  • Ausência de proteção mecânica: roupa de trama aberta, chapéu de aba curta, permanência em sombra parcial
  • Xeroderma pigmentoso e demais fotogenodermatoses
  • Albinismo oculocutâneo
  • Transplante de órgão sólido e outras condições com imunossupressão prolongada
  • Fotodermatoses e dermatoses fotoagravadas

Patogênese

A queimadura solar decorre principalmente do UVB, com participação menor do UVA. Segue-se vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e migração de polimorfonucleares, com edema e dor.

Os comprimentos de onda em torno de 300 nm são os mais eritematogênicos. Após dose única e intensa, o eritema tem latência de 2 a 7 horas, atinge o máximo em 12 a 24 horas e depois declina, persistindo por horas ou dias; doses maiores encurtam a latência e prolongam a reação, e o eritema demora mais a desaparecer quando há componente UVA.

O mecanismo passa pela formação de prostaglandinas e eicosanoides, o que explica por que inibidores da síntese de prostaglandinas, como o ácido acetilsalicílico e a indometacina, atrasam parcialmente o período de latência, conduta que não foi avaliada em ensaios randomizados.

O UVA e o infravermelho agem diretamente sobre os vasos da derme e produzem eritema mais tardio e progressivo, sem intermediação de mediadores.

O fotodano crônico resulta da degradação progressiva do colágeno por metaloproteinases da matriz induzidas pela radiação, do acúmulo de espécies reativas de oxigênio e de mutações no DNA nuclear e mitocondrial, somados à imunossupressão induzida pelo ultravioleta.

Clínica

Queimadura solar

  • Eritema difuso e bem delimitado pela área exposta, quente, doloroso e edematoso, com pico em 12 a 24 horas
  • Vesículas e bolhas nos casos intensos, seguidas de descamação
  • Descamação lamelar na resolução, com hiperpigmentação residual em fototipos altos
  • Reexposição durante a fase eritematosa agrava e prolonga o quadro
  • Insolação nos casos graves: elevação excessiva da temperatura corpórea, taquicardia, cefaleia, náusea, confusão e perda de consciência

Fotodano crônico

  • Rugas profundas, espessamento cutâneo e aspereza em áreas fotoexpostas
  • Elastose solar: pele espessada, amarelada e enrugada em área cronicamente exposta
  • Cutis rhomboidalis nuchae: variante da elastose na nuca, com sulcos profundos formando padrão geométrico e aspecto de couro
  • Poiquilodermia de Civatte: placas reticuladas eritemato-acastanhadas com telangiectasias nas faces laterais do pescoço, poupando a região submentoniana
  • Síndrome de Favre-Racouchot: agrupamentos de comedões abertos grandes nas regiões periorbitária lateral e inferior e nas têmporas, sobre base de elastose
  • Milium coloide: pápulas de 1 a 2 mm, branco-amareladas, agrupadas em áreas fotoexpostas da face
  • Lentigos solares e outras discromias
  • Telangiectasias
  • Dermatose pustulosa erosiva do couro cabeludo: pústulas, crostas e erosões em couro cabeludo muito fotodanificado de homens idosos e calvos, por vezes desencadeada por trauma ou excisão cirúrgica
  • Ceratoses actínicas em campo de cancerização

Classificação

  • Queimadura de primeiro grau: eritema e descamação epidérmica, forma habitual da queimadura solar
  • Queimadura de segundo grau superficial: vesículas dolorosas por edema da epiderme e da derme superficial, não deixa cicatriz e pode levar até 3 semanas para cicatrizar
  • Queimadura de segundo grau profundo, terceiro e quarto graus: excepcionais na exposição solar, esperados em queimadura térmica

Histopatologia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Diagnósticos diferenciais Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Manejo Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Procedimentos relacionados Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Complicações e cuidados

  • Insolação e desidratação
  • Infecção secundária das áreas com bolhas e erosão
  • Hiperpigmentação pós-inflamatória, sobretudo em fototipos altos
  • Ceratose actínica e campo de cancerização
  • Carcinoma espinocelular, cujo nexo com a dose cumulativa de sol é bem estabelecido
  • Carcinoma basocelular
  • Melanoma, associado de modo mais consistente à exposição aguda e intensa com queimaduras
  • Fotoceratite, fotoconjuntivite, pterígio e catarata pela exposição ocular

Prognóstico

A queimadura solar isolada resolve-se em dias, com descamação e sem cicatriz nas formas de primeiro grau; a forma com vesículas cicatriza em até 3 semanas sem deixar cicatriz.

O que determina o prognóstico é o acúmulo: episódios de queimadura, sobretudo na infância, associam-se a melanoma, e a dose cumulativa associa-se a ceratose actínica e carcinoma espinocelular.

O fotodano instalado, com elastose e cutis rhomboidalis, não regride espontaneamente, mas a fotoproteção diária reduz a progressão das rugas e da elastose, e retinoide tópico, peelings e lasers produzem melhora parcial.

Pele fotodanificada exige seguimento periódico para ceratose actínica e câncer de pele.

Pérola clínica Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Referências

  1. Consenso Brasileiro de Fotoproteção. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2014.
  2. Fator de proteção solar: significado e controvérsias. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2011.
  3. Photoprotection according to skin phototype and dermatoses: practical recommendations from an expert panel. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2021.
  4. Cutaneous melanoma attributable to sunbed use: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2012.

Achados (clique para explorar)

queimadura solareritema atrasadocélulas de queimadura solarelastose solarcutis rhomboidalis nuchaepoiquilodermia de CivatteFavre-Racouchotmilium coloidedermatose pustulosa erosiva do couro cabeludofotoenvelhecimentocampo de cancerizaçãoinsolaçãodose eritematosa mínima
Médico ou estudante
Acesso completo

Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.

Aprenda comigo →
Paciente
Consulte com o Dr. Caio Formiga

Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.

Consulte comigo →