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Rosácea

Padrão inflamatórioDerme e folículo pilossebáceo(acne rosácea, rinofima)

Imagens

Conceito

Rosácea é uma doença inflamatória crônica da face central, com predomínio nas convexidades (bochechas, nariz, mento e fronte central) e curso com melhora e exacerbação.

Manifesta-se por combinações variáveis de eritema centrofacial persistente, flushing, telangiectasias, pápulas, pústulas, sintomas cutâneos, alterações fimatosas e acometimento ocular.

A antiga divisão em subtipos (eritematotelangiectásica, papulopustulosa, fimatosa e ocular) segue útil para o ensino, mas na prática os achados coexistem, variam no tempo e exigem tratamentos diferentes. Por isso é mais adequado compreendê-la como doença de fenótipos sobrepostos, descrevendo as manifestações de cada paciente para individualizar diagnóstico, gravidade e tratamento.

Epidemiologia

Mais comum em adultos, com início após os 30 anos (pico entre a terceira e a quarta décadas) e predomínio feminino. É mais reconhecida em pele clara (fototipos I e II), mas também ocorre em pessoas asiáticas, latino-americanas e afrodescendentes.

Em fototipos altos o eritema e as telangiectasias podem ser menos evidentes, atrasando o diagnóstico; nesses casos, pápulas, pústulas, calor, ardor, queimação, hipersensibilidade, sintomas oculares, hiperpigmentação pós-inflamatória e alterações fimatosas são pistas importantes.

Fatores de risco

  • Exposição solar
  • Calor, frio e mudanças bruscas de temperatura
  • Estresse e emoções intensas
  • Álcool e bebidas quentes
  • Alimentos condimentados
  • Exercício intenso e ambientes quentes
  • Irritação química, cosméticos e tópicos agressivos

Patogênese

Doença multifatorial, com hiperreatividade e desregulação neurovascular, inflamação crônica, ativação da imunidade inata e adaptativa, dano solar, alteração de barreira, pele hiperirritável e, em parte dos pacientes, participação do Demodex; nas formas fimatosas há fibrose e hiperplasia glandular.

Há aumento de vias inflamatórias (calicreína 5, catelicidina LL-37, TLR2 e canais TRPV), que favorecem vasodilatação, flushing, eritema, pápulas, pústulas e sintomas como queimação e ardor. A rosácea parece um continuum inflamatório: a fase neurovascular (eritema, flushing, telangiectasias), a inflamatória (pápulas e pústulas, com Th1, Th17, mastócitos, macrófagos e neutrófilos) e a fimatosa (fibrose e remodelamento) são expressões interligadas, não doenças separadas.

Clínica

  • Eritematotelangiectásica: predomínio neurovascular, com eritema centrofacial, flushing recorrente e telangiectasias; pele irritável, ardor, queimação e descamação discreta
  • Papulopustulosa: eritema centrofacial com pápulas e pústulas transitórias, SEM comedões (a presença de comedões sugere acne concomitante)
  • Fimatosa: espessamento progressivo por hiperplasia glandular, fibrose e dilatação folicular; rinofima é a forma mais comum (também gnato, meto, oto e blefarofima); pode ser inflamatória ativa ou fibrosa estabelecida
  • Ocular: pode ocorrer sem doença cutânea; olho seco, sensação de corpo estranho, fotossensibilidade, olho vermelho, calázios recorrentes, blefarite, disfunção meibomiana, ceratite/esclerite (investigar ativamente e encaminhar quando houver risco visual)
  • Fenótipos secundários: queimação, ardor, ferroadas, edema, ressecamento, descamação e pele sensível
  • Variantes: edema facial sólido (doença de Morbihan), rosácea fulminante (pioderma facial, nódulos/cistos confluentes com cicatrizes), granulomatosa (granulomas não caseosos), lúpus miliar disseminado da face (granulomas caseosos, pápulas palpebrais, cor em geleia de maçã) e síndrome de Haber
  • Dermatite perioral/periorificial (espectro afim): pápulas e pústulas róseas perorais poupando a borda do vermelhão labial, associada a corticoide tópico e cosméticos; autolimitada, tratada com suspensão do corticoide e tetraciclinas

Classificação

  • Avaliação por fenótipos: pelo menos um fenótipo diagnóstico ou dois maiores sustentam o diagnóstico (excluídas causas alternativas)
  • Fenótipos diagnósticos: eritema centrofacial fixo (com intensificação periódica) e alterações fimatosas
  • Fenótipos maiores: flushing, pápulas e pústulas, telangiectasias e manifestações oculares
  • Fenótipos secundários: queimação, ardor, ferroadas, edema, ressecamento e pele sensível
  • Subtipos clássicos (ensino): eritematotelangiectásica, papulopustulosa, fimatosa e ocular
  • Variantes e condições rosácea-símile: edema facial sólido (Morbihan), rosácea fulminante, granulomatosa, lúpus miliar disseminado da face, síndrome de Haber e dermatite perioral/periorificial

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Complicações e cuidados

  • Alterações fimatosas podem progredir e deformar (sobretudo o rinofima) quando não tratadas
  • Rosácea ocular pode causar desconforto crônico e, em casos graves, complicações corneanas
  • Rosácea fulminante costuma deixar cicatrizes
  • Edema facial sólido (Morbihan) não costuma resolver espontaneamente e é de tratamento difícil
  • Corticosteroides tópicos podem induzir ou agravar rosácea e dermatite perioral (evitar na face)
  • Impacto psicossocial pode ser significativo mesmo em doença leve

Prognóstico

A rosácea é crônica, recorrente e variável, dependendo dos fenótipos predominantes, dos gatilhos, da adesão aos cuidados gerais e da resposta terapêutica. O flushing recorrente pode evoluir para eritema persistente, e o eritema e o flushing podem permanecer mesmo após o controle das pápulas e pústulas.

As alterações fimatosas podem progredir se não reconhecidas, e a rosácea ocular pode gerar desconforto crônico e complicações corneanas nos casos graves. A meta é reduzir sinais e sintomas, controlar crises, prevenir progressão e melhorar a qualidade de vida com a menor toxicidade possível.

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Referências

  1. Updating the diagnosis, classification and assessment of rosacea: recommendations from the global ROSacea COnsensus panel. British Journal of Dermatology. 2017.
  2. Rosacea treatment update: recommendations from the global ROSacea COnsensus panel. British Journal of Dermatology. 2017.
  3. Standard classification and pathophysiology of rosacea: the 2017 update by the National Rosacea Society Expert Committee. Journal of the American Academy of Dermatology. 2018.
  4. Update on the Management of Rosacea from the American Acne and Rosacea Society. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology. 2019.

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