Sífilis é infecção sistêmica crônica causada pela espiroqueta Treponema pallidum subespécie pallidum.
Transmite-se predominantemente por via sexual e, na sífilis congênita, por via transplacentária ou hematogênica.
Formas raras de transmissão incluem transfusão sanguínea, compartilhamento de agulhas e inoculação acidental.
O ser humano é o único reservatório conhecido do agente.
Caracteriza-se por longos períodos de latência e evolução em estágios (primária, secundária, latente e terciária).
Pode acometer pele, mucosas, sistema nervoso, olhos, ouvidos, coração, ossos e vísceras.
É classicamente denominada "a grande imitadora", pela pluralidade de manifestações clínicas que simulam outras doenças.
Não confere imunidade permanente, podendo ocorrer reinfecção e sobreinfecção.
Acomete especialmente adolescentes e adultos jovens, sobretudo entre 15 e 30 anos, mas ocorre em qualquer faixa etária.
Está associada principalmente a comportamento sexual de risco, sem predileção étnica ou socioeconômica.
A incidência aumentou substancialmente no mundo nas últimas duas décadas.
Nos Estados Unidos, os casos de sífilis primária e secundária crescem desde 2001, com 59.016 casos em 2022.
Homens que fazem sexo com homens correspondem a cerca de 45% dos casos, havendo também epidemia heterossexual crescente associada ao aumento da sífilis congênita.
No Brasil, tornou-se de notificação compulsória em 2010; entre 2012 e junho de 2023 foram notificados mais de 1,3 milhão de casos de sífilis adquirida, concentrados na região Sudeste.
A taxa de detecção cresceu em média 35% ao ano entre 2012 e 2018, caiu em 2020 pela pandemia de COVID-19 e voltou a subir a partir de 2021.
Em 2022, 61% dos casos ocorreram em homens, com as maiores taxas nas faixas de 20 a 39 anos.
Há forte associação com o HIV, com a sífilis aumentando o risco de aquisição e transmissão do HIV em duas a nove vezes.
O uso de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) tem sido associado a aumento da incidência de sífilis e de outras infecções sexualmente transmissíveis.
Fatores de risco e doenças associadas
O Treponema pallidum é espiroqueta fina, com 0,10 a 0,18 micrômetros de largura, 6 a 20 micrômetros de comprimento e 8 a 14 espiras regulares.
É bactéria gram-negativa, anaeróbia facultativa e catalase negativa.
Penetra por microfissuras da pele ou mucosa produzidas durante a atividade sexual e multiplica-se localmente.
Invade vasos linfáticos e a corrente sanguínea, disseminando-se precocemente, inclusive para o sistema nervoso central, em poucos dias.
Evade a resposta imune inata pela baixa expressão de proteínas de membrana e ausência de lipopolissacarídeos, comportando-se como patógeno furtivo.
Células dendríticas captam o treponema e apresentam antígenos aos linfócitos B e T nos linfonodos.
A resposta gera anticorpos e cascata de citocinas, como IFN-gama, TNF e IL-6.
A degradação das espiroquetas libera componentes cardiolipínicos, base dos testes não treponêmicos.
A lesão vascular com endarterite obliterante e endotelite, associada a infiltrado plasmocitário, é a base do dano tecidual.
A úlcera genital, densamente infiltrada por linfócitos, funciona como porta de entrada para o HIV.
Classificação
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Com tratamento adequado e precoce, o prognóstico é excelente e a cura é a regra.
A resposta é monitorada pela queda dos títulos não treponêmicos: duas diluições em até 6 meses na sífilis recente e em até 12 meses na tardia.
Considera-se cura sorológica a redução dos títulos em quatro vezes, podendo ocorrer sororreversão ou cicatriz sorológica com títulos baixos persistentes.
A negativação dos testes treponêmicos não é esperada após a cura.
Pessoas vivendo com HIV podem apresentar resposta sorológica mais lenta e maior risco de complicações neurológicas.
Sem tratamento, cerca de um terço dos pacientes evolui para sífilis terciária, com sequelas neurológicas, cardiovasculares e destrutivas.
Na gestante não tratada, há alto risco de sífilis congênita e desfechos fetais graves.
Como não há imunidade após a cura, a reinfecção é possível.
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