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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Síndrome de Stevens Johnson e necrólise epidérmica tóxica

FarmacodermiaPadrão inflamatório(Necrólise epidérmica, Síndrome de Stevens Johnson, Sobreposição síndrome de Stevens Johnson/necrólise epidérmica tóxica, Necrólise epidérmica tóxica)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaMedicamentosPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Imagens

Conceito

A síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica são um espectro de reação mucocutânea grave, aguda e potencialmente fatal, com necrose epidérmica, descolamento cutâneo e acometimento frequente de mucosas.

Hoje são entendidas como variantes de uma mesma entidade, também chamada necrólise epidérmica, com graus diferentes de gravidade definidos pela porcentagem de superfície corporal com descolamento epidérmico.

A maioria dos casos é induzida por medicamentos.

O reconhecimento precoce, a suspensão rápida do fármaco causador e o suporte intensivo determinam o prognóstico.

Epidemiologia

A incidência geral é estimada em cerca de 5 casos por milhão de pessoas ao ano.

Mulheres e idosos são acometidos com maior frequência.

O risco é aumentado em pacientes com HIV e aids, nos submetidos a radioterapia associada ao uso de anticonvulsivantes e em pessoas com determinados perfis genéticos de risco.

Entre os fatores genéticos associados estão genótipos acetiladores lentos, HLA-B*1502 em asiáticos e indianos expostos à carbamazepina, HLA-A*3101 em europeus expostos à carbamazepina, HLA-B*5701 em pacientes expostos ao abacavir, HLA-B*5801 em chineses Han expostos ao alopurinol e HLA-DQB1*0601 em pacientes brancos com complicações oculares associadas à síndrome de Stevens-Johnson.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Exposição recente a medicamentos de alto risco
  • Reexposição ao fármaco causador
  • Uso de fármacos de meia-vida longa
  • HIV e aids
  • Idade avançada
  • Radioterapia associada a anticonvulsivantes
  • Predisposição genética
  • Outros fatores desencadeantes descritos: contraste, dengue e citomegalovírus
  • Acometimento de mucosas, muito frequente, principalmente oral, ocular e genital, podendo haver ainda acometimento nasal, faríngeo, laríngeo, esofágico, traqueal ou brônquico
  • Acometimento respiratório, que sugere maior gravidade e pior prognóstico
  • Exantema e mucosite induzidos por Mycoplasma pneumoniae, entidade a reconhecer sobretudo em crianças, que não deve ser automaticamente classificada como síndrome de Stevens-Johnson clássica induzida por fármacos
  • Sequelas oculares frequentes: olho seco, entrópio, simbléfaro, cicatrizes, erosões persistentes e perda visual
  • Outras sequelas: fimose, sinéquias vaginais, estenoses, dor genital crônica, disfunção urinária, distrofia ou perda ungueal, alopecia e nevos eruptivos

Medicamentos associados

  • Alopurinol
  • Anticonvulsivantes (lamotrigina, carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, clobazam)
  • Anti-inflamatórios não esteroidais do grupo oxicam
  • Sulfassalazina

Antimicrobianos

  • Sulfonamidas antibióticas
  • Betalactâmicos e cefalosporinas
  • Minociclina
  • Quinolonas
  • Antifúngicos

Antirretrovirais

  • Inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa (nevirapina, efavirenz, etravirina)
  • Abacavir

Latência

  • O quadro costuma surgir entre 5 e 28 dias após o início do fármaco
  • Com anticonvulsivantes, pode ocorrer mais tardiamente, em geral nos primeiros 2 meses de tratamento
  • Na reexposição, o intervalo pode ser mais curto

Patogênese

O evento central é a morte extensa de queratinócitos, com necrose epidérmica e descolamento da epiderme.

O medicamento pode se ligar ao complexo MHC I ou a peptídeos intracelulares, formando um antígeno reconhecido por linfócitos T CD8+ citotóxicos; essa ativação desencadeia vias pró-apoptóticas que culminam na destruição dos queratinócitos.

A granulisina é um dos principais mediadores da apoptose queratinocitária: secretada por linfócitos T CD8+, células NK/T e células NK, causa dano direto aos queratinócitos-alvo e induz apoptose.

Outras vias envolvidas incluem Fas ligand, granzima B e perforina.

A ligação do Fas ligand ao receptor Fas nos queratinócitos ativa caspases e favorece a apoptose; a perforina facilita a entrada de moléculas citotóxicas na célula-alvo, e a granzima B ativa vias de apoptose.

Clínica

  • Pródromo sistêmico, com febre, mal-estar, anorexia, rinorreia, cefaleia, dor de garganta ou sensação gripal
  • Máculas eritematosas, violáceas, purpúricas ou acinzentadas, em geral mal delimitadas, com dor cutânea e eritema mucocutâneo
  • A dor cutânea pode ser desproporcional ao aspecto inicial das lesões e é pista importante

Morfologia característica

  • Máculas eritematosas a violáceas mal delimitadas
  • Alvos atípicos planos ou maculares
  • Áreas centrais acinzentadas ou escurecidas
  • Placas violáceas com posterior descolamento epidérmico
  • Bolhas flácidas e erosões por perda epidérmica
  • Os alvos atípicos são planos, não palpáveis e não têm as três zonas concêntricas típicas do eritema multiforme
  • As lesões costumam começar no tronco e se espalhar para pescoço, face e porções proximais dos membros superiores; as extremidades distais tendem a ser relativamente poupadas
  • Com a evolução, as máculas coalescem rapidamente e, em horas a dias, surgem necrose epidérmica, tonalidade acinzentada, bolhas flácidas e sinais de descolamento
  • Sinal de Nikolsky: a pressão tangencial induz clivagem epidérmica
  • Sinal de Asboe-Hansen: a pressão vertical sobre uma bolha estende a bolha para pele adjacente previamente não descolada
  • O acometimento mucoso causa erosões dolorosas e hemorrágicas, redução da ingesta oral, fotofobia, disúria e limitação funcional importante
  • A intensidade do acometimento mucoso não define a classificação entre síndrome de Stevens-Johnson, forma de sobreposição e necrólise epidérmica tóxica

Classificação

  • A classificação se faz pela porcentagem de superfície corporal com descolamento epidérmico
  • Síndrome de Stevens-Johnson: descolamento epidérmico menor que 10% da superfície corporal
  • Sobreposição entre síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica: descolamento entre 10% e 30%
  • Necrólise epidérmica tóxica: descolamento maior que 30%
  • A intensidade do acometimento mucoso não separa essas formas, pois a mucosite ocorre em todo o espectro

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Complicações e cuidados

  • Perda cutânea extensa, dor intensa, perda hídrica, distúrbios eletrolíticos e alterações metabólicas
  • Infecção, sepse, pneumonia, falência respiratória e falência de múltiplos órgãos
  • A principal causa de óbito é a infecção, especialmente por Staphylococcus aureus e Pseudomonas
  • Acometimento ocular grave, geniturinário e respiratório na fase aguda
  • Sequelas oculares: olho seco, entrópio, simbléfaro, cicatrizes, erosões persistentes, ceratinização conjuntival ou corneana e perda visual
  • Outras sequelas: fimose, sinéquias vaginais, estenoses, dor genital crônica, disfunção urinária, dispareunia, distrofia ou perda ungueal, alopecia e nevos eruptivos

Prognóstico

A síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica têm morbidade elevada e podem ser fatais.

O prognóstico depende da extensão do descolamento epidérmico, da idade, das comorbidades, do acometimento sistêmico, da rapidez na suspensão do fármaco causador e da qualidade do suporte clínico.

A mortalidade é menor na síndrome de Stevens-Johnson, em geral abaixo de 5% em algumas séries, e maior na necrólise epidérmica tóxica, em torno de 30%, variando conforme extensão cutânea, idade, comorbidades, atraso na suspensão do fármaco e complicações sistêmicas.

A retirada rápida do agente causador reduz o risco de morte.

Após a fase aguda, o seguimento deve ser multidisciplinar e dirigido às sequelas, sobretudo o acompanhamento oftalmológico, pois o dano ocular pode progredir mesmo após a melhora cutânea.

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Referências

  1. S3 guideline: Diagnosis and treatment of epidermal necrolysis (Stevens Johnson syndrome and toxic epidermal necrolysis) – Part 1. J Dtsch Dermatol Ges. 2024.
  2. S3 guideline: Diagnosis and treatment of epidermal necrolysis – Part 2: Supportive therapy. J Dtsch Dermatol Ges. 2024.
  3. Systemic Immunomodulating Therapies for Stevens Johnson Syndrome and Toxic Epidermal Necrolysis: A Systematic Review and Meta analysis. JAMA Dermatol. 2017.
  4. ALDEN, an Algorithm for Assessment of Drug Causality in SJS and TEN. Clin Pharmacol Ther. 2010.

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