A síndrome de Sweet é uma dermatose neutrofílica caracterizada pela associação de febre, neutrofilia, lesões cutâneas eritematosas dolorosas (pápulas, nódulos e placas) e infiltrado dérmico difuso composto predominantemente por neutrófilos maduros localizados na derme superior.
É uma reação cutânea inflamatória, não infecciosa, com resposta clínica frequentemente dramática aos corticosteroides sistêmicos.
Apresenta-se em três contextos clínicos principais: clássica (ou idiopática), associada a malignidade e induzida por fármacos.
As lesões são edematosas, com superfície pseudovesicular decorrente do intenso edema da derme papilar.
A doença foi descrita por Robert Douglas Sweet em 1964 e recebeu o epônimo do autor.
A distribuição é mundial, sem predileção étnica definida.
A forma clássica ou idiopática predomina em mulheres (relação em torno de 3:1) e costuma começar entre 30 e 60 anos, embora haja casos em crianças (desde poucas semanas de vida) e em adultos jovens.
Cinco subtipos maiores são reconhecidos: clássico (60% a 70%), associado a malignidade (10% a 20%), relacionado a doença inflamatória (10% a 15%), induzido por fármacos (5%) e associado à gravidez (2%).
A forma associada a malignidade ocorre com igual frequência em homens e mulheres e é menos precedida por infecção de vias aéreas superiores.
Cerca de 21% dos pacientes têm malignidade hematológica ou tumor sólido associado.
A recorrência ocorre em aproximadamente um terço dos pacientes com a forma clássica e em até 69% dos casos associados a malignidade.
Em série brasileira de 23 casos, houve predomínio feminino, idades de 2 a 75 anos, lesões preferencialmente em tronco e membros superiores, e neoplasia associada em 30% dos pacientes, principalmente hematológicas.
Fatores de risco e doenças associadas
A patogênese permanece indefinida e é provavelmente multifatorial.
Um mecanismo de hipersensibilidade a antígenos bacterianos, virais ou tumorais é sugerido pela apresentação, histopatologia, curso e pronta resposta aos corticosteroides.
As citocinas têm papel etiológico central; são candidatas o fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF), o GM-CSF, o interferon-gama e as interleucinas 1, 3, 6 e 8.
Estudos imuno-histoquímicos mostram resposta de padrão T-helper tipo 1 (elevação de interleucina-2 e interferon-gama), e relatos mais recentes apontam também elevação de IL-6, sugerindo mecanismo mais complexo que a simples ativação do eixo Th1.
O G-CSF, endógeno (tumoral) ou exógeno (terapêutico), pode induzir proliferação, maturação e recrutamento neutrofílico para a pele.
A patergia (aparecimento de lesões em locais de trauma cutâneo) participa do processo em parte dos pacientes.
Complemento, autoanticorpos, dendrócitos dérmicos, sorotipos HLA, imunocomplexos e mecanismos leucotáticos também foram implicados.
Classificação
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As lesões, se não tratadas, podem persistir por semanas a meses, mas costumam resolver sem cicatriz.
Em alguns pacientes com a forma clássica há resolução espontânea, sem intervenção terapêutica.
Com corticosteroides sistêmicos a resposta é rápida, com melhora sintomática em poucos dias.
A recorrência ocorre em cerca de um terço dos casos clássicos e é mais comum nos casos associados a malignidade (até 69%).
Nos casos paraneoplásicos, o controle do câncer pode levar à resolução da dermatose, e a reaparição das lesões pode sinalizar recidiva tumoral.
Na forma induzida por fármacos, a melhora espontânea segue-se à suspensão do medicamento.
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