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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Síndrome de Sweet (dermatose neutrofílica febril aguda)

Padrão inflamatório(Dermatose neutrofílica febril aguda, Doença de Gomm-Button)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Conceito

A síndrome de Sweet é uma dermatose neutrofílica caracterizada pela associação de febre, neutrofilia, lesões cutâneas eritematosas dolorosas (pápulas, nódulos e placas) e infiltrado dérmico difuso composto predominantemente por neutrófilos maduros localizados na derme superior.

É uma reação cutânea inflamatória, não infecciosa, com resposta clínica frequentemente dramática aos corticosteroides sistêmicos.

Apresenta-se em três contextos clínicos principais: clássica (ou idiopática), associada a malignidade e induzida por fármacos.

As lesões são edematosas, com superfície pseudovesicular decorrente do intenso edema da derme papilar.

A doença foi descrita por Robert Douglas Sweet em 1964 e recebeu o epônimo do autor.

Epidemiologia

A distribuição é mundial, sem predileção étnica definida.

A forma clássica ou idiopática predomina em mulheres (relação em torno de 3:1) e costuma começar entre 30 e 60 anos, embora haja casos em crianças (desde poucas semanas de vida) e em adultos jovens.

Cinco subtipos maiores são reconhecidos: clássico (60% a 70%), associado a malignidade (10% a 20%), relacionado a doença inflamatória (10% a 15%), induzido por fármacos (5%) e associado à gravidez (2%).

A forma associada a malignidade ocorre com igual frequência em homens e mulheres e é menos precedida por infecção de vias aéreas superiores.

Cerca de 21% dos pacientes têm malignidade hematológica ou tumor sólido associado.

A recorrência ocorre em aproximadamente um terço dos pacientes com a forma clássica e em até 69% dos casos associados a malignidade.

Em série brasileira de 23 casos, houve predomínio feminino, idades de 2 a 75 anos, lesões preferencialmente em tronco e membros superiores, e neoplasia associada em 30% dos pacientes, principalmente hematológicas.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Fármacos, especialmente fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF)
  • Outros fármacos: GM-CSF, pegfilgrastim, ácido all-trans-retinoico (ATRA), sulfametoxazol-trimetoprim, minociclina, furosemida, hidralazina, contraceptivos orais, bortezomibe, imatinibe, azatioprina
  • Vacinação (BCG, influenza)
  • Leucemia mieloide aguda (associação mais frequente entre as malignidades)
  • Outras malignidades hematológicas: leucemia mieloide crônica, síndromes mielodisplásicas, distúrbios mieloproliferativos, policitemia vera
  • Tumores sólidos: carcinomas geniturinários, de mama e do trato gastrointestinal
  • Leucemia cutis concomitante
  • Infecção prévia de vias aéreas superiores (estreptococo) e do trato gastrointestinal (Salmonella, Yersinia)
  • Doença inflamatória intestinal (doença de Crohn e retocolite ulcerativa)
  • Gravidez
  • Doença de Behçet
  • Eritema nodoso
  • Policondrite recidivante
  • Artrite reumatoide e outras doenças autoimunes do tecido conjuntivo
  • Sarcoidose
  • Doenças tireoidianas (doença de Graves e tireoidite de Hashimoto)
  • HIV e hepatite C

Patogênese

A patogênese permanece indefinida e é provavelmente multifatorial.

Um mecanismo de hipersensibilidade a antígenos bacterianos, virais ou tumorais é sugerido pela apresentação, histopatologia, curso e pronta resposta aos corticosteroides.

As citocinas têm papel etiológico central; são candidatas o fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF), o GM-CSF, o interferon-gama e as interleucinas 1, 3, 6 e 8.

Estudos imuno-histoquímicos mostram resposta de padrão T-helper tipo 1 (elevação de interleucina-2 e interferon-gama), e relatos mais recentes apontam também elevação de IL-6, sugerindo mecanismo mais complexo que a simples ativação do eixo Th1.

O G-CSF, endógeno (tumoral) ou exógeno (terapêutico), pode induzir proliferação, maturação e recrutamento neutrofílico para a pele.

A patergia (aparecimento de lesões em locais de trauma cutâneo) participa do processo em parte dos pacientes.

Complemento, autoanticorpos, dendrócitos dérmicos, sorotipos HLA, imunocomplexos e mecanismos leucotáticos também foram implicados.

Clínica

  • Pápulas, nódulos e placas eritematosos a violáceos, dolorosos ou ardentes, bem demarcados e de crescimento rápido
  • Aspecto edematoso, com superfície pseudovesicular pelo intenso edema da derme papilar
  • Início abrupto, com lesão única ou múltiplas
  • Distribuição frequentemente assimétrica, com predileção por membros superiores, face e pescoço
  • Podem tornar-se vesicobolhosas ou pustulosas e assumir aspecto em alvo
  • O clareamento central pode gerar padrão anular ou arciforme nas fases tardias
  • Patergia: lesões surgem em locais de trauma, punção venosa, biópsia, vacinação ou radioterapia
  • Lesões fotodistribuídas em áreas fotoexpostas, em alguns casos
  • Variante pustulosa; quando restrita ao dorso das mãos, é a dermatose neutrofílica do dorso das mãos
  • Lesões ulceradas, bolhosas e orais associam-se mais fortemente a doença hematológica e a malignidade
  • Na forma induzida por fármacos, as lesões surgem 1 a 2 semanas após a introdução do medicamento
  • Febre (50% a 80%), antes ou durante todo o episódio; pode faltar em parte dos casos associados a malignidade
  • Mal-estar, cefaleia, mialgia, artralgia e artrite
  • Envolvimento ocular: conjuntivite, episclerite, esclerite, vasculite retiniana e iridociclite
  • Envolvimento mucoso oral (úlceras), mais frequente nas formas associadas a doença hematológica

Classificação

  • Clássica (ou idiopática): predomínio feminino, frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores; pode associar-se a doença inflamatória intestinal e gravidez
  • Associada a malignidade: paraneoplásica, mais comumente ligada à leucemia mieloide aguda; pode preceder, acompanhar ou seguir o diagnóstico do câncer
  • Induzida por fármacos: mais frequentemente por G-CSF; lesões surgem após a exposição e resolvem após a retirada do agente
  • Relacionada a doença inflamatória: doença inflamatória intestinal e doenças autoimunes
  • Associada à gravidez
  • Variantes clínicas: bolhosa, tipo celulite, necrosante, dermatose neutrofílica do dorso das mãos, pustulosa generalizada
  • Variantes histológicas: subcutânea, histiocitoide, criptococoide

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Complicações e cuidados

  • Recorrência da dermatose após remissão espontânea ou induzida por tratamento
  • Infecção secundária das lesões cutâneas, exigindo antimicrobiano
  • Manifestações extracutâneas com envolvimento de ossos, sistema nervoso central, olhos, rins, intestinos, fígado, coração, pulmões, músculos e baço
  • Osteomielite estéril associada à dermatose, sobretudo em crianças
  • Reaparecimento das lesões como sinal de recidiva de malignidade subjacente nos casos paraneoplásicos
  • Efeitos adversos da corticoterapia prolongada

Prognóstico

As lesões, se não tratadas, podem persistir por semanas a meses, mas costumam resolver sem cicatriz.

Em alguns pacientes com a forma clássica há resolução espontânea, sem intervenção terapêutica.

Com corticosteroides sistêmicos a resposta é rápida, com melhora sintomática em poucos dias.

A recorrência ocorre em cerca de um terço dos casos clássicos e é mais comum nos casos associados a malignidade (até 69%).

Nos casos paraneoplásicos, o controle do câncer pode levar à resolução da dermatose, e a reaparição das lesões pode sinalizar recidiva tumoral.

Na forma induzida por fármacos, a melhora espontânea segue-se à suspensão do medicamento.

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Referências

  1. Sweet's syndrome - a comprehensive review of an acute febrile neutrophilic dermatosis. Orphanet Journal of Rare Diseases. 2007.
  2. New Practical Aspects of Sweet Syndrome. American Journal of Clinical Dermatology. 2022.
  3. Sweet's syndrome: diagnostic criteria revisited. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft. 2017.
  4. Síndrome de Sweet: estudo de 23 casos. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2011.
  5. Dermatoses neutrofílicas: parte I. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2011.

Achados (clique para explorar)

placanódulopápulapústulaeritema violáceodorfebrefenômeno de patergialesão de crescimento rápidodorso das mãos

Veja também

Hanseníase (histopatologia)
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