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Tinea nigra

Padrão inflamatórioCamada córnea(Tinha negra)

Conceito

Tinea nigra é uma micose superficial rara, causada principalmente pelo fungo demáceo Hortaea werneckii.

A infecção é limitada à camada córnea.

Clinicamente, manifesta se como mácula acastanhada, marrom escura ou enegrecida, geralmente em pele volar.

Acomete principalmente palmas e plantas.

A principal importância clínica é sua semelhança com lesões pigmentadas acras, incluindo nevo melanocítico, lentigo e melanoma acral.

Epidemiologia

Tinea nigra ocorre principalmente em regiões tropicais e subtropicais.

É mais frequente em ambientes quentes, úmidos e costeiros.

Nas regiões não endêmicas, o diagnóstico costuma estar associado à história de viagem para áreas tropicais ou subtropicais.

Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais descrita em crianças, adolescentes e adultos jovens.

Há discreto predomínio em mulheres nos casos publicados.

As palmas são os locais mais acometidos, geralmente de forma unilateral.

As plantas, bordas dos dedos, espaços interdigitais, pescoço e tronco podem ser acometidos com menor frequência.

Fatores de risco

  • Clima tropical ou subtropical favorece a doença.
  • Contato com areia, solo, água ou ambientes costeiros pode aumentar o risco.
  • Hiperidrose palmar ou plantar é fator de risco importante.
  • Microtraumas na pele podem facilitar a inoculação.
  • História de viagem para áreas endêmicas deve ser valorizada quando a doença surge em regiões não endêmicas.

Doenças associadas

  • Tinea nigra é uma micose superficial, limitada à camada córnea, e não costuma indicar imunossupressão.
  • A principal associação clínica prática é com hiperidrose palmar ou plantar e exposição ambiental a locais úmidos, salinos ou costeiros.

Patogênese

O principal agente é Hortaea werneckii, um fungo demáceo, melanizado e pleomórfico, que pode crescer inicialmente como levedura negra e depois assumir forma filamentosa.

Outros fungos demáceos foram relatados em casos menos frequentes, mas Hortaea werneckii permanece como o agente predominante.

A infecção é superficial e restrita à camada córnea.

A transmissão ocorre por contato direto da pele com ambientes úmidos e salinos, especialmente areia, solo ou áreas costeiras contaminadas, e microtraumas podem facilitar a inoculação.

A transmissão pessoa a pessoa não é considerada importante, e as recorrências tendem a refletir nova exposição ambiental ou persistência de fatores predisponentes.

A hiperidrose palmar ou plantar é fator predisponente importante, porque umidade e salinidade favorecem o desenvolvimento do fungo.

Clínica

  • A tinea nigra apresenta mácula marrom, marrom escura ou negra.
  • A lesão costuma ser bem delimitada, irregular, assintomática e de crescimento lento.
  • Acomete principalmente pele volar, especialmente as palmas, mas as plantas também podem ser acometidas.
  • Em alguns casos, pode haver descamação fina.
  • A pigmentação pode variar de castanho clara a negra, e pode haver crescimento centrífugo.
  • Algumas lesões apresentam padrão pontilhado ou em sal e pimenta.
  • A lesão geralmente não apresenta eritema importante, e o prurido é ausente ou discreto na maioria dos casos.
  • A principal relevância clínica é a possibilidade de simular lesões melanocíticas acras.
  • Por isso, tinea nigra deve entrar no diagnóstico diferencial de máculas pigmentadas em palmas e plantas, especialmente em pacientes jovens, com lesão assintomática, história de viagem ou exposição a ambientes tropicais e costeiros.
  • Também pode entrar no diferencial de pigmentação exógena, eritema fixo pigmentado, equimose e outras máculas pigmentadas acras.

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Complicações e cuidados

  • Tinea nigra é uma micose superficial benigna e não costuma gerar complicações cutâneas importantes.
  • A principal cautela não é gravidade infecciosa, mas o risco de confusão diagnóstica com lesões melanocíticas acrais, o que pode levar a procedimentos desnecessários.

Prognóstico

Tinea nigra é uma micose superficial benigna, e a resposta ao tratamento tópico costuma ser excelente.

A recorrência pode ocorrer quando persistem fatores predisponentes ou há nova exposição ambiental.

A ausência de resposta deve levar à revisão de adesão, diagnóstico diferencial e confirmação micológica.

A principal cautela prognóstica não é a gravidade infecciosa, mas o risco de confusão diagnóstica com lesões melanocíticas acrais.

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Referências

  1. Systematic Review of Tinea Nigra: A Clinical Approach. J Fungi. 2025.
  2. Dermoscopy revealing a case of Tinea Nigra. An Bras Dermatol. 2013.
  3. Tinea nigra: successful treatment with topical butenafine. An Bras Dermatol. 2012.
  4. Update on therapy for superficial mycoses: review article part I. An Bras Dermatol. 2013.
  5. Treatment of superficial mycoses: review part II. An Bras Dermatol. 2013.

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