O tricoepitelioma é uma neoplasia folicular benigna com diferenciação germinativa, ou seja, reproduz o germe folicular.
Pode ser entendido como um tricoblastoma superficial de padrão cribriforme: as mesmas massas basaloides do tricoblastoma, mas perfuradas por ilhotas de derme.
Apresenta-se como pápula cor da pele a perolada, lisa e cupuliforme, com telangiectasias, na face central, sobretudo no nariz e nos sulcos nasolabiais; pode ser solitário ou múltiplo, e as formas múltiplas indicam síndrome hereditária.
O tricoepitelioma imita o carcinoma basocelular clínica e histologicamente, e o erro custa caro nas duas direções: cirurgia desnecessária de um tumor benigno ou carcinoma basocelular deixado sem tratamento.
Tricoepiteliomas múltiplos são manifestação da síndrome de Brooke-Spiegler, causada por mutação do gene supressor tumoral CYLD, que também produz cilindromas e espiradenomas.
Lesões solitárias são esporádicas; as formas múltiplas associam-se a síndromes hereditárias e costumam começar na adolescência ou no início da vida adulta.
O tricoepitelioma desmoplásico é mais frequente em mulheres jovens do que em homens.
A síndrome de Brooke-Spiegler tem incidência estimada de 1 em 100.000 no Reino Unido, é mais comum em mulheres e manifesta-se na segunda ou na terceira década, com aumento progressivo do número e do tamanho dos tumores ao longo dos anos.
Na síndrome de Brooke-Spiegler, os nódulos costumam medir de 0,5 a 3 cm, mas podem chegar a 7 cm; o número varia de poucas lesões a centenas.
Nos últimos vinte anos, os estudos de síndrome de Brooke-Spiegler somam cerca de 150 pacientes, quase todos em relatos e séries de casos.
Fatores de risco e doenças associadas
Neoplasia com diferenciação germinativa folicular, com estroma abundante que é parte integrante do tumor: os fibroblastos respondem por cerca de metade da celularidade total da lesão.
A estrutura mimetizada, o germe folicular, é proliferativa, o que explica a presença de mitoses em lesão benigna.
Na síndrome de Brooke-Spiegler, a doença decorre de mutação no gene CYLD, localizado em 16q12-q13, um gene supressor tumoral; a proteína CYLD é uma enzima desubiquitinante que normalmente interage com NEMO para reduzir a expressão do fator nuclear kappa B.
A herança é autossômica dominante, e o CYLD é o único gene comprovadamente envolvido.
A taxa de mutação germinativa de CYLD detectada é de cerca de 40%, e a mutação não é encontrada em até 20% dos pacientes com quadro clínico e histológico típico; nesses casos pesam grandes deleções, variantes intrônicas profundas, alterações de promotor e mosaicismo, que escapam ao sequenciamento convencional do sangue.
Alterações do gene supressor PTCH1, em 9q22.3, chegaram a ser propostas como causa a partir de achados em tricoblastomas e tricoepiteliomas, mas trabalhos posteriores não confirmaram esse papel; o PTCH1 é o gene da síndrome do nevo basocelular.
Proteínas de junção como as claudinas 3 e 4 e a E-caderina podem participar da formação dessas neoplasias.
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Tumor benigno, de crescimento lento.
Nas formas sindrômicas, as lesões aumentam em número e em tamanho ao longo das décadas, com repercussão estética e funcional.
A transformação maligna é rara, mas possível, e deve ser considerada diante de crescimento rápido e sangramento.
A excisão com margens livres é o padrão de cuidado nos casos com degeneração maligna.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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