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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Tricoepitelioma

benignaderme(tricoblastoma, tricoepitelioma desmoplásico)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

O tricoepitelioma é uma neoplasia folicular benigna com diferenciação germinativa, ou seja, reproduz o germe folicular.

Pode ser entendido como um tricoblastoma superficial de padrão cribriforme: as mesmas massas basaloides do tricoblastoma, mas perfuradas por ilhotas de derme.

Apresenta-se como pápula cor da pele a perolada, lisa e cupuliforme, com telangiectasias, na face central, sobretudo no nariz e nos sulcos nasolabiais; pode ser solitário ou múltiplo, e as formas múltiplas indicam síndrome hereditária.

O tricoepitelioma imita o carcinoma basocelular clínica e histologicamente, e o erro custa caro nas duas direções: cirurgia desnecessária de um tumor benigno ou carcinoma basocelular deixado sem tratamento.

Tricoepiteliomas múltiplos são manifestação da síndrome de Brooke-Spiegler, causada por mutação do gene supressor tumoral CYLD, que também produz cilindromas e espiradenomas.

Epidemiologia

Lesões solitárias são esporádicas; as formas múltiplas associam-se a síndromes hereditárias e costumam começar na adolescência ou no início da vida adulta.

O tricoepitelioma desmoplásico é mais frequente em mulheres jovens do que em homens.

A síndrome de Brooke-Spiegler tem incidência estimada de 1 em 100.000 no Reino Unido, é mais comum em mulheres e manifesta-se na segunda ou na terceira década, com aumento progressivo do número e do tamanho dos tumores ao longo dos anos.

Na síndrome de Brooke-Spiegler, os nódulos costumam medir de 0,5 a 3 cm, mas podem chegar a 7 cm; o número varia de poucas lesões a centenas.

Nos últimos vinte anos, os estudos de síndrome de Brooke-Spiegler somam cerca de 150 pacientes, quase todos em relatos e séries de casos.

Fatores de risco e doenças associadas

  • História familiar de tumores anexiais múltiplos em parente de primeiro grau
  • Síndrome de Brooke-Spiegler: mutação em CYLD, com tricoepiteliomas, tricoblastomas, espiradenomas e cilindromas
  • Síndrome de Brooke-Spiegler: cilindromas em pápulas e nódulos do couro cabeludo, espiradenomas dolorosos na cabeça e no pescoço, carcinomas basocelulares múltiplos, tumores de glândula salivar e de parótida
  • Síndrome de Brooke-Spiegler: possibilidade de degeneração maligna em cilindrocarcinoma e espiradenocarcinoma
  • Síndrome de Rombo: atrofodermia vermiculada, hipotricose, vasodilatação e cianose acrofaciais, mília e carcinomas basocelulares múltiplos
  • O tricoepitelioma desmoplásico não se associa a síndromes hereditárias

Patogênese

Neoplasia com diferenciação germinativa folicular, com estroma abundante que é parte integrante do tumor: os fibroblastos respondem por cerca de metade da celularidade total da lesão.

A estrutura mimetizada, o germe folicular, é proliferativa, o que explica a presença de mitoses em lesão benigna.

Na síndrome de Brooke-Spiegler, a doença decorre de mutação no gene CYLD, localizado em 16q12-q13, um gene supressor tumoral; a proteína CYLD é uma enzima desubiquitinante que normalmente interage com NEMO para reduzir a expressão do fator nuclear kappa B.

A herança é autossômica dominante, e o CYLD é o único gene comprovadamente envolvido.

A taxa de mutação germinativa de CYLD detectada é de cerca de 40%, e a mutação não é encontrada em até 20% dos pacientes com quadro clínico e histológico típico; nesses casos pesam grandes deleções, variantes intrônicas profundas, alterações de promotor e mosaicismo, que escapam ao sequenciamento convencional do sangue.

Alterações do gene supressor PTCH1, em 9q22.3, chegaram a ser propostas como causa a partir de achados em tricoblastomas e tricoepiteliomas, mas trabalhos posteriores não confirmaram esse papel; o PTCH1 é o gene da síndrome do nevo basocelular.

Proteínas de junção como as claudinas 3 e 4 e a E-caderina podem participar da formação dessas neoplasias.

Clínica

  • Pápulas lisas, cupuliformes, cor da pele a perolada ou esbranquiçada
  • Telangiectasias na superfície
  • Face central, com o nariz em primeiro lugar, seguido dos sulcos nasolabiais, do lábio cutâneo superior e do couro cabeludo
  • Lesão solitária ou lesões múltiplas
  • Lesões múltiplas são pequenas, faciais e associadas a síndromes hereditárias
  • Crescimento lento, sem sintomas, ao longo de anos

Tricoepitelioma desmoplásico

  • Sempre solitário
  • Quase sempre na face, com a bochecha em primeiro lugar
  • Placa anular firme com depressão central
  • Crescimento lento

Síndrome de Brooke-Spiegler

  • Tumores no couro cabeludo, na face e, com menos frequência, no tronco
  • Nódulos de 0,5 a 3 cm, podendo chegar a 7 cm
  • Número muito variável, de poucas lesões a centenas
  • Início na segunda ou terceira década, com aumento progressivo do número e do tamanho
  • Crescimento rápido e sangramento de uma lesão sugerem transformação maligna; lesões do tronco têm a maior tendência à degeneração

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Complicações e cuidados

  • Transformação maligna em cilindrocarcinoma e espiradenocarcinoma, sinalizada por crescimento rápido e sangramento
  • Espiradenocarcinoma metastático
  • Aumento progressivo do número e do tamanho dos tumores, com prejuízo estético e necessidade de reconstrução complexa
  • Diagnóstico errôneo de neurofibromatose tipo 1, com atraso de anos no diagnóstico correto

Prognóstico

Tumor benigno, de crescimento lento.

Nas formas sindrômicas, as lesões aumentam em número e em tamanho ao longo das décadas, com repercussão estética e funcional.

A transformação maligna é rara, mas possível, e deve ser considerada diante de crescimento rápido e sangramento.

A excisão com margens livres é o padrão de cuidado nos casos com degeneração maligna.

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Referências

  1. A misdiagnosed familiar Brooke-Spiegler syndrome: case report and review of the literature. Journal of Clinical Medicine. 2024.
  2. Dermoscopy of cutaneous adnexal tumours: a systematic review of the literature. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2022.
  3. Significance of dermoscopy in association with clinical features in differentiation of basal cell carcinoma and benign trichoblastic tumours. Cancers. 2022.
  4. Dermoscopy of cutaneous neoplasms in skin of color: a systematic review by the International Dermoscopy Society Imaging in Skin of Color Task Force. Dermatology Practical & Conceptual. 2023.

Achados (clique para explorar)

proliferação basaloide folicularcisto córneocorpo papilar mesenquimalpadrão cribriformequeijo suíçopaliçada periféricaestroma colagenizadoausência de fenda peritumoralCK20PHLDA1CD34CD10BCL-2receptor de andrógenocarcinoma basocelulartricoblastomatricoepitelioma desmoplásicosíndrome de Brooke-Spieglersíndrome cutânea CYLDCYLDNF-kappa Bcilindromaquebra-cabeçaespiradenomaespiradenocilindromacilindrocarcinomaespiradenocarcinomaneurofibromatose tipo 1síndrome de Rombosulco nasolabial
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