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Urticária

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Conceito

Urticária é caracterizada por urticas pruriginosas, angioedema ou ambos.

Epidemiologia

Até 20 por cento da população pode apresentar urticária aguda.

Aproximadamente 1 por cento pode evoluir para urticária crônica.

Há predomínio no sexo feminino na urticária em geral, na urticária crônica, no dermatografismo e na urticária ao frio.

Na urticária tardia por pressão, há predomínio no sexo masculino.

A urticária vasculítica ocorre tipicamente em mulheres de meia idade.

Fatores de risco

  • Em crianças, as causas mais comuns são virais ou idiopáticas.
  • Outras causas em crianças incluem infecção urinária, infecção de vias aéreas superiores e infecção gastrointestinal.
  • Alimentos, medicamentos e alérgenos ambientais podem desencadear urticária.
  • Estímulos físicos podem desencadear urticária.
  • Os estímulos físicos incluem pressão, exposição solar, estímulo colinérgico e frio.
  • Picadas de artrópodes podem causar reação urticariforme papular.
  • Neoplasias podem estar associadas à urticária, especialmente linfoma.

Doenças associadas

  • A urticária crônica pode estar associada a doença tireoidiana autoimune, vitiligo, diabetes mellitus insulinodependente, artrite reumatoide, gastrite por Helicobacter pylori e infecções parasitárias.
  • A urticária ao frio secundária pode estar associada a crioglobulinemia, criofibrinogenemia, hepatite B, hepatite C, doença linfoproliferativa e mononucleose.
  • A urticária familiar ao frio pode estar associada a síndromes periódicas associadas à criopirina e PLAID.
  • A urticária aquagênica pode ocorrer em pacientes com fibrose cística.
  • A urticária vasculítica pode estar associada a doenças autoimunes do tecido conjuntivo e infecções.

Patogênese

Muitos casos de urticária são idiopáticos.

As causas variam e incluem alergia, autoimunidade, infecções e medicamentos.

O mastócito é a principal célula responsável pela urticária.

Basófilos e eosinófilos também participam.

O mastócito contém mediadores pró inflamatórios.

Mediadores pré formados incluem histamina, proteases e heparina.

Mediadores recém formados incluem prostaglandina D2, leucotrienos C4, D4 e E4, fator ativador de plaquetas e citocinas.

As citocinas envolvidas incluem TNF alfa, IL 1, IL 4, IL 5, IL 6 e IL 8.

A degranulação mastocitária libera esses mediadores.

Mecanismos imunológicos incluem autoanticorpos contra FcεRI, autoanticorpos contra IgE e resposta alérgica IgE dependente.

Autoanticorpos contra FcεRI podem ocorrer em até 30 por cento dos pacientes com urticária crônica.

A resposta alérgica IgE dependente pode ocorrer por alimento, medicamento, látex ou infecção.

Há aumento da frequência de HLA DR4 e HLA DQ8.

Urticária medicamentosa por mecanismo imunológico pode ocorrer com penicilinas, cefalosporinas, sulfametoxazol trimetoprim, minociclina, luvas de látex e dispositivos médicos.

Mecanismos não imunológicos incluem liberação de conteúdo mastocitário mediada por opioides, anafilatoxina C5a, fator de célula tronco e neuropeptídeos.

Os neuropeptídeos envolvidos incluem substância P e peptídeo intestinal vasoativo.

Outras causas incluem deposição de imunocomplexos, estímulos vasoativos, ácido acetilsalicílico, anti inflamatórios não esteroidais, contraste radiológico, polimixina B, inibidores da enzima conversora de angiotensina e pseudoalérgenos alimentares.

A deposição de imunocomplexos está relacionada à urticária vasculítica.

Inibidores da enzima conversora de angiotensina estão associados a aumento de bradicinina.

Ácido acetilsalicílico pode exacerbar urticária crônica em 30 por cento dos pacientes.

Clínica

  • A urticária pode apresentar urticas, angioedema ou ambos.
  • A urtica corresponde a edema e eritema da pele por extravasamento plasmático na derme superficial.
  • Pode haver halo eritematoso ao redor da lesão.
  • O prurido costuma ser intenso.
  • Cada urtica individual dura menos de 24 horas.
  • Angioedema é edema súbito, profundo, eritematoso ou normocrômico, que acomete derme profunda, subcutâneo ou mucosas.
  • No angioedema, formigamento, queimação, tensão ou dor costumam predominar sobre o prurido.
  • O angioedema resolve mais lentamente que a urtica e pode durar até 72 horas.
  • Na urticária aguda, as causas mais comuns são idiopática, infecção de vias aéreas superiores, medicamentos e alimentos.
  • Medicamentos beta lactâmicos são os medicamentos mais comuns associados à urticária aguda.
  • A urticária aguda induzida por medicamento pode começar dias após o agente desencadeante.
  • A urticária crônica pode ser espontânea ou induzida.
  • As causas mais comuns são urticária comum, urticária física e urticária vasculítica.
  • A urticária comum corresponde a aproximadamente 60 por cento dos casos e inclui formas idiopáticas, autoimunes, relacionadas a infecção e pseudoalérgicas.
  • A urticária física corresponde a aproximadamente 35 por cento dos casos.
  • A urticária vasculítica corresponde a aproximadamente 5 por cento dos casos.
  • Etiologia autoimune pode ocorrer em até 50 por cento dos pacientes com urticária crônica.
  • Autoanticorpos contra FcεRI ou contra a porção Fc da IgE podem estar envolvidos.
  • A duração média da urticária crônica é de 3 a 5 anos.
  • Dermatografismo é urticária que surge em áreas de fricção, escoriação ou toque linear.
  • O dermatografismo é a forma mais comum de urticária física.
  • Pode ser reproduzido ao friccionar a pele do dorso.
  • As lesões surgem segundos a minutos após a provocação.
  • Costuma piorar à noite.
  • Urticária tardia por pressão apresenta edema profundo e eritematoso em áreas anatômicas submetidas a maior fricção ou pressão.
  • Pode ocorrer na cintura após uso de roupas apertadas.
  • Pode surgir até 12 horas após o estímulo.
  • Pode ser dolorosa, pruriginosa e persistir por até 72 horas.
  • Pode estar associada a artralgia, mal estar e sintomas gripais.
  • Pode reduzir a qualidade de vida.
  • Urticária induzida por calor é forma muito rara e ocorre após poucos minutos de contato com calor.
  • Urticária ao frio caracteriza se por prurido, eritema e edema após exposição ao frio.
  • Pode ser desencadeada por clima frio, ar condicionado, atividade aquática e contato com objetos frios.
  • O teste do cubo de gelo pode auxiliar no diagnóstico.
  • O teste do cubo de gelo é positivo na urticária primária de contato ao frio.
  • O teste do cubo de gelo é negativo na urticária reflexa ao frio e na urticária familiar ao frio.
  • Pacientes com urticária ao frio não devem nadar sozinhos, pois liberação maciça de mediadores pode causar hipotensão.
  • Urticária primária de contato ao frio é geralmente idiopática, predomina em adultos jovens, pode ser aguda ou crônica, pode causar sintomas sistêmicos, como síncope, e tem teste do cubo de gelo positivo.
  • Urticária secundária ao frio pode ocorrer por crioglobulinemia, criofibrinogenemia, hepatite B, hepatite C, doença linfoproliferativa ou mononucleose.
  • Urticária reflexa ao frio é urticária disseminada após resfriamento generalizado do corpo.
  • Urticária familiar ao frio é associada a síndromes periódicas associadas à criopirina e PLAID.
  • Urticária colinérgica caracteriza se por múltiplas urticas pequenas, de 2 a 3 mm, discretamente papulosas, com halo eritematoso amplo.
  • Ocorre após sudorese ou aumento da temperatura corporal.
  • Pode surgir após exercício, banho quente, alimentos condimentados ou emoções intensas.
  • Predomina em adultos jovens.
  • Pode decorrer de hipersensibilidade a componentes do suor.
  • Pode apresentar sintomas sistêmicos, como sensação de desmaio e sibilância.
  • Pode ter curso crônico.
  • Urticária adrenérgica caracteriza se por urtica rosada com halo pálido vasoconstrito.
  • Pode responder melhor ao propranolol do que aos anti histamínicos.
  • As lesões podem ser reproduzidas por injeção intradérmica de norepinefrina.
  • Urticária solar é induzida por exposição à radiação solar.
  • Urticária aquagênica apresenta lesões semelhantes às da urticária colinérgica.
  • Ocorre após exposição à água, independentemente da temperatura.
  • Pode ser observada na fibrose cística.
  • Urticária de contato é desencadeada por contato direto com substância específica.
  • Angioedema vibratório é induzido por estímulo vibratório.
  • Urticária vasculítica caracteriza se por lesões semelhantes à urticária, mas com duração maior que 24 horas.
  • As lesões tendem a causar dor ou queimação mais do que prurido.
  • Frequentemente evoluem com equimose.
  • Geralmente tem curso crônico.
  • Angioedema ocorre em um terço dos pacientes.
  • Artralgia ocorre em 50 por cento dos pacientes.
  • Acometimento gastrointestinal ocorre em 20 por cento dos pacientes.
  • Doença pulmonar obstrutiva ocorre em 20 por cento dos pacientes.
  • Também pode haver acometimento renal, ocular, cardíaco, livedo e hipertensão intracraniana.
  • Pode apresentar aumento de VHS, redução do complemento e FAN positivo.

Classificação

  • Urticária aguda: duração menor que 6 semanas.
  • Urticária crônica: duração igual ou maior que 6 semanas.
  • Urticária espontânea: ocorre sem fator desencadeante específico definido.
  • Urticária induzida: ocorre após estímulo desencadeante específico e reprodutível.
  • Subtipos descritos incluem urticária aguda, urticária crônica, dermatografismo, urticária tardia por pressão, urticária induzida por calor, urticária ao frio, urticária colinérgica, urticária adrenérgica, urticária solar, urticária aquagênica, urticária de contato, angioedema vibratório e urticária vasculítica.

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Complicações e cuidados

  • A urticária crônica pode comprometer qualidade de vida, sono, desempenho no trabalho, desempenho escolar, vida familiar e atividades sociais.
  • A urticária tardia por pressão pode persistir por até 72 horas e reduzir a qualidade de vida.
  • Na urticária ao frio, liberação maciça de mediadores pode causar hipotensão.
  • Na urticária vasculítica, pode haver angioedema, artralgia, acometimento gastrointestinal, doença pulmonar obstrutiva, acometimento renal, ocular, cardíaco, livedo e hipertensão intracraniana.

Prognóstico

A urticária aguda geralmente tem curso limitado.

A urticária crônica tem duração média de 3 a 5 anos.

A urticária crônica pode comprometer qualidade de vida, sono, desempenho no trabalho, desempenho escolar, vida familiar e atividades sociais.

A urticária tardia por pressão pode persistir por até 72 horas e reduzir a qualidade de vida.

Na urticária ao frio, liberação maciça de mediadores pode causar hipotensão.

A urticária primária de contato ao frio pode ser aguda ou crônica.

A urticária colinérgica pode ter curso crônico.

A urticária vasculítica geralmente tem curso crônico.

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Referências

  1. The international EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI guideline for the definition, classification, diagnosis, and management of urticaria. Allergy. 2022.
  2. The International Guideline for the Definition, Classification, Diagnosis and Management of Urticaria. Allergy. 2026.

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