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Varicela

Padrão inflamatório(catapora, chickenpox, infecção primária pelo vírus varicela-zóster)

Conceito

Varicela (catapora) é a infecção primária pelo vírus varicela-zóster (VVZ; herpes-vírus humano tipo 3).

O VVZ causa duas doenças distintas: a varicela, que corresponde à primoinfecção, e o herpes-zóster, que resulta da reativação da infecção latente.

Após a primoinfecção, o VVZ estabelece latência nos gânglios das raízes dorsais; sua reativação posterior origina o herpes-zóster.

É uma doença exantemática aguda, habitualmente autolimitada em indivíduos saudáveis, mas que pode ser grave em adultos, adolescentes, gestantes, recém-nascidos e imunossuprimidos.

Epidemiologia

A incidência da varicela primária diminuiu com a vacinação contra o VVZ.

No Brasil, cerca de 70% dos casos ocorrem em menores de 10 anos de idade.

A doença tende a ser mais grave em adolescentes e adultos.

A transmissão ocorre por gotículas aerossolizadas e por contato direto com o líquido das lesões.

A taxa de transmissão da varicela é de 80% a 90%, muito superior à do herpes-zóster (cerca de 15%).

O período de transmissibilidade estende-se de 1 a 2 dias antes do surgimento das lesões até que todas estejam em fase de crosta.

Surtos podem ocorrer em coletividades suscetíveis e aglomeradas, como abrigos.

Fatores de risco

  • Adolescentes e adultos (doença mais grave)
  • Gestantes
  • Recém-nascidos
  • Imunossuprimidos (por doença ou por medicação)
  • Uso crônico de ácido acetilsalicílico (risco de síndrome de Reye)
  • Ausência de vacinação ou de história prévia de varicela
  • Contato domiciliar ou hospitalar prolongado com caso ativo

Doenças associadas

  • Herpes-zóster (reativação do VVZ latente)
  • Feto exposto que pode desenvolver herpes-zóster na infância
  • Síndrome de Reye associada ao ácido acetilsalicílico

Patogênese

O vírus varicela-zóster (VVZ/HHV-3) é adquirido por via respiratória e por contato com o líquido das lesões.

Após a primoinfecção (varicela), o vírus migra pelos nervos sensitivos e permanece latente nos gânglios das raízes dorsais.

Quando reativado, replica-se e trafega pelo nervo sensitivo até a pele, manifestando-se como herpes-zóster.

A reativação é mais comum em imunossuprimidos e idosos.

A imunidade celular é o principal fator de controle da infecção.

Clínica

  • Pródromo com febre, fadiga e mialgias
  • Exantema com progressão cefalocaudal ao longo de cerca de 12 horas
  • Vesículas sobre base eritematosa ("gota de orvalho sobre pétala de rosa")
  • Evolução das lesões de vesícula para pústula e depois crosta
  • Lesões em vários estágios simultaneamente (polimorfismo, aspecto de "céu estrelado")
  • Surtos sucessivos de lesões em diferentes fases
  • Acometimento de mucosas
  • Prurido
  • Curso autolimitado no indivíduo saudável

Classificação

  • Varicela primária (primoinfecção)
  • Varicela associada à vacina (rara; caso leve, podendo iniciar no local da injeção)
  • Varicela na gestação (síndrome da varicela congênita e varicela neonatal)
  • Varicela no imunossuprimido (grave, com lesões hemorrágicas/purpúricas)
  • Herpes-zóster (reativação do VVZ latente, entidade distinta)

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Complicações e cuidados

  • Infecção bacteriana secundária das lesões
  • Pneumonia (mais comum em adultos; alta mortalidade se não tratada)
  • Encefalite
  • Ataxia cerebelar (cerebelite)
  • Glomerulonefrite
  • Neurite óptica, ceratite e hepatite
  • Síndrome de Reye (com uso concomitante de ácido acetilsalicílico)
  • Síndrome da varicela congênita: cicatrizes cutâneas, atrofia cortical, retardo psicomotor e anomalias oculares e de membros (maior risco quando a infecção ocorre nas primeiras 20 semanas de gestação)
  • Varicela neonatal: transmissão perinatal (5 dias antes até 2 dias após o parto), doença grave com mortalidade de até 30% pela ausência de anticorpos maternos protetores
  • Varicela grave no imunossuprimido, com lesões hemorrágicas/purpúricas extensas e potencialmente fatal

Prognóstico

Na criança saudável, a varicela é autolimitada e de bom prognóstico.

A doença é mais grave em adolescentes, adultos, gestantes, neonatos e imunossuprimidos.

A pneumonia varicelosa tem alta mortalidade se não tratada.

A varicela neonatal pode apresentar mortalidade de até 30%.

A vacinação em duas doses confere proteção igual ou superior a 99% e reduz a incidência e a gravidade da doença.

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Referências

  1. Prevention of varicella: recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). Morbidity and Mortality Weekly Report Recommendations and Reports. 2007.
  2. Safety of varicella vaccination strategies: an overview of reviews. Reviews in Medical Virology. 2023.
  3. Vacinas contra varicela e vacina quádrupla viral. Jornal de Pediatria. 2006.
  4. Impacto da vacinação contra varicela na redução da incidência da doença em crianças e adolescentes de Florianópolis (SC). Jornal de Pediatria. 2009.
  5. Surto de varicela entre imigrantes venezuelanos alojados em abrigos e ocupações no estado de Roraima, 2019: um estudo descritivo. Epidemiologia e Serviços de Saúde. 2021.
  6. 6ª edição. Ministério da Saúde. 2023.

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