Vasculite cutânea de pequenos vasos é a inflamação dos pequenos vasos da derme (capilares, vênulas pós-capilares e arteríolas) mediada por deposição de imunocomplexos.
Vasculite leucocitoclástica é a descrição histopatológica correspondente, marcada por infiltrado neutrofílico com leucocitoclasia e necrose fibrinoide.
Os termos vasculite leucocitoclástica cutânea, angeíte leucocitoclástica cutânea e vasculite de hipersensibilidade são usados de modo intercambiável.
Pode ser um processo restrito à pele (vasculite de único órgão) ou o componente cutâneo de uma vasculite sistêmica.
A apresentação clínica típica é a púrpura palpável nos membros inferiores.
Acomete adultos mais que crianças.
A incidência de vasculite leucocitoclástica cutânea comprovada por biópsia é de cerca de 45 por milhão de indivíduos por ano; outras séries estimam 15 a 38 casos por milhão/ano e prevalência de 2,7 a 29,7 por milhão.
Acomete ambos os sexos de forma semelhante, embora alguns estudos notem discreta predileção pelo sexo masculino e por idade mais avançada.
Em crianças, a vasculite por IgA (púrpura de Henoch-Schönlein) é muito mais comum que a forma não IgA.
Em adultos, associa-se mais frequentemente a vasculite sistêmica subjacente, doença do tecido conjuntivo ou neoplasia.
A púrpura de Henoch-Schönlein é a vasculite mais comum da infância (cerca de 10 a 20 por 100.000 crianças/ano); mais de 90% dos casos ocorrem em menores de 10 anos (média de 6 anos), com discreta predominância masculina e sazonalidade de inverno.
Fatores de risco e doenças associadas
A deposição de imunocomplexos nas vênulas pós-capilares ativa o complemento e desencadeia resposta inflamatória neutrofílica com dano vascular, hemorragia e isquemia tecidual.
A necrose fibrinoide da parede dos vasos decorre de enzimas lisossômicas (colagenases e elastases) e de espécies reativas de oxigênio liberadas pelos neutrófilos.
Há aumento circulante de IL-1, IL-6, IL-8 e fator de necrose tumoral.
A turbulência e a maior pressão venosa nos membros inferiores explicam a predileção pelas pernas.
A vasculite tende a surgir 7 a 10 dias após a exposição ao agente desencadeante (fármaco ou infecção).
Na vasculite por IgA há deposição vascular de IgA1 nos pequenos vasos, com ativação de citocinas e de óxido nítrico e espécies reativas de oxigênio pelos neutrófilos; costuma ocorrer 1 a 2 semanas após infecção de vias aéreas superiores.
Classificação
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A maioria dos episódios de vasculite leucocitoclástica cutânea de único órgão é autolimitada, resolve em 3 a 4 semanas e não recorre.
Cerca de 90% têm resolução espontânea em semanas a meses; 10% evoluem com curso crônico e recidivante, com duração média de 2 a 4 anos.
A mortalidade é baixa (cerca de 2%) e relaciona-se ao acometimento sistêmico.
A sobrevida global é boa (99% e 83% em 1 e 3 anos, respectivamente).
As recidivas ocorrem em menos de 20% dos casos, sobretudo quando há trombose vascular na biópsia, neuropatia periférica, hepatite ou acometimento cutâneo extenso.
Artralgia sem febre pode indicar cronicidade.
Nas formas sistêmicas, o prognóstico depende da gravidade do acometimento de órgãos e da doença de base.
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