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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Verruga viral

benignaepiderme(verruga vulgar, verruga plana, verruga plantar, verruga filiforme, mirmécia, verruga em mosaico, verruga periungueal, verruga do açougueiro, verruca vulgaris, verruca plana, verruca plantaris, infecção cutânea pelo HPV)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosAulas

Imagens

Clínica (2)

Dermatoscopia (1)

Conceito

Proliferação epitelial benigna do queratinócito causada pela infecção pelo papilomavírus humano (HPV), vírus de DNA de fita dupla que só completa o ciclo em epitélio escamoso plenamente diferenciado.

O vírus penetra pela camada basal através de um microtrauma, induz proliferação clonal do queratinócito e produz, semanas a meses depois, uma pápula ceratótica visível.

É a lesão proliferativa mais comum da prática dermatológica e é benigna: a maioria regride sem tratamento, de modo que não tratar é conduta legítima no imunocompetente.

Trata-se quando a lesão dói, limita a função, incomoda esteticamente, dissemina-se por autoinoculação ou quando o paciente deseja reduzir a transmissão.

Nenhum tratamento disponível erradica o vírus latente na pele perilesional; todos destroem o epitélio infectado ou recrutam a imunidade do hospedeiro contra ele.

Verruga extensa, recalcitrante ou de surgimento abrupto no adulto obriga a procurar imunodeficiência, e nenhuma lesão plantar deve ser tratada agressivamente antes de se confirmar que é verruga.

Epidemiologia

As verrugas cutâneas afetam cerca de 5% a 10% da população geral, e estudos de coorte apontam que 5% a 30% das crianças e adultos jovens têm verrugas em algum momento.

Em escolares holandeses, cerca de um terço dos participantes tinha verrugas, com prevalência crescente com a idade, de cerca de 15% aos 4 anos a cerca de 44% aos 11 anos, sem diferença entre os sexos.

A incidência é mais alta na adolescência, com pico descrito entre 12 e 18 anos em adolescentes brancos (categoria autodeclarada do estudo).

A infecção pelo HPV 1 acomete faixa etária mais jovem, atinge preferencialmente a região plantar e produz lesões em menor número e de menor duração; o HPV 2 responde por um segundo pico, na segunda e na terceira décadas.

A imunossupressão muda a escala do problema: estima-se que cerca de 40% dos transplantados de órgão sólido desenvolvam verrugas cutâneas, e nesse grupo a incidência de câncer de pele associado ao HPV aumenta cerca de 5% ao ano, com risco cumulativo de 44% após nove anos.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Microtrauma do epitélio, que expõe o queratinócito basal e permite a entrada do vírus
  • Maceração da pele
  • Contato direto pele a pele com pessoa infectada
  • Contato indireto com superfícies e fômites contaminados (piso de piscina, vestiário e banheiro coletivos, toalhas, meias, calçados e equipamentos esportivos compartilhados)
  • Autoinoculação, sobretudo a partir de lesões dos dedos
  • Convivente próximo com verrugas
  • Idade escolar e adolescência
  • Hiperidrose plantar
  • Manipulação de carnes e de peixes (açougueiros e peixeiros)
  • Uso de laser de CO2 e de eletrocirurgia sem exaustor de fumaça, que expõe o profissional a partículas virais viáveis

Imunossupressão e imunodeficiência

  • Transplante de órgão sólido, em que cerca de 40% dos pacientes desenvolvem verrugas cutâneas persistentes e refratárias
  • Infecção pelo HIV
  • Linfoma e linfocitopenia CD4 idiopática, em que a verruga extensa ou muito prolongada pode ser a manifestação de apresentação
  • Uso de imunossupressores após transplante de medula óssea

Síndromes genéticas

  • Epidermodisplasia verruciforme, doença autossômica recessiva por mutação de TMC6 (EVER1) e TMC8 (EVER2), com suscetibilidade aos HPV do gênero beta e forma adquirida no HIV
  • Síndrome WHIM, autossômica dominante, por mutação de CXCR4: verrugas, hipogamaglobulinemia, infecções bacterianas e neutropenia por mielocatexia
  • Síndrome WILD: verrugas, imunodeficiência, linfedema e displasia anogenital
  • Deficiência de GATA2 (síndrome MonoMAC), com HPV, micobactérias atípicas e micoses profundas

Neoplasia

  • Carcinoma espinocelular e ceratose actínica na epidermodisplasia verruciforme, associados aos HPV 5, 8, 17, 20 e 47, em 30% a 70% dos pacientes, em geral a partir da quarta década e em áreas fotoexpostas

Patogênese

O HPV é um vírus de DNA de fita dupla cujo capsídeo é formado pelas proteínas L1 (estrutural maior) e L2 (menor), ambas responsáveis pela ligação e pela entrada na célula epitelial.

Já foram isolados mais de 200 tipos de HPV que infectam humanos, distribuídos em gêneros: alfa (a maior parte dos tipos mucosos e cutâneos), beta (tipos associados à epidermodisplasia verruciforme e a infecções subclínicas persistentes), gama e mu.

A infecção produtiva exige que o vírus alcance o queratinócito da camada basal, o que ocorre por microtrauma; o HPV é encontrado também na pele normal e na pele perilesional.

As proteínas precoces E1 a E7 comandam a replicação do DNA viral e a imortalização do queratinócito, e as tardias L1 e L2 são expressas na epiderme superficial: o vírion completo só aparece da camada granulosa para cima.

E1 e E2 são os primeiros genes expressos, nas camadas basal e espinhosa, e controlam a transcrição dos demais genes e a replicação do DNA viral com a maquinaria da célula hospedeira.

A proteína E4 rompe a rede de citoqueratinas do queratinócito e é a responsável direta pela coilocitose, que é, portanto, um efeito citopático e não um artefato.

E5, E6 e E7 permitem a replicação viral acima da camada basal e amplificam o genoma; E6 e E7 ainda reduzem a resposta imune do hospedeiro (receptores do tipo Toll 9 e interleucina 8).

Nos tipos mucosos de alto risco, E6 e E7 são oncoproteínas: E6 promove a destruição da p53 mediada por ubiquitina, reduzindo a apoptose e aumentando as mutações, e E7 liga-se à proteína do retinoblastoma, liberando o fator de transcrição E2F e aumentando a expressão dos genes de replicação do DNA.

A resposta do hospedeiro é predominantemente celular, com auxílio da imunidade inata, e é ela que determina a regressão espontânea; onde a imunidade celular falha, a verruga persiste e se multiplica.

O tropismo explica a apresentação: HPV 1 e 63, do gênero mu, têm como alvo os ductos écrinos palmoplantares (o HPV 1 causa a mirmécia); HPV 4 e 65 produzem verrugas pigmentadas nas mãos e nos pés; HPV 7, do gênero alfa, produz a verruga do açougueiro.

Os tipos por apresentação são: verruga vulgar (HPV 1, 2, 4, 7, 26, 27, 28, 29 e 57, sendo que o HPV 57 pode causar distrofia ungueal), verruga palmoplantar (HPV 1, 2, 4, 7, 63, 65 e 95), mirmécia (HPV 1), verruga em mosaico (HPV 2), verruga plana (HPV 3, 10, 27, 28, 29 e 41), verruga do açougueiro (HPV 7) e verruga em crista, que preserva os dermatóglifos (HPV 60).

Clínica

  • Pápula ou nódulo de superfície áspera e ceratótica, cor da pele ou amarelado, único ou múltiplo, de tamanhos variados, que pode confluir em placas
  • Pontos enegrecidos na superfície, correspondentes a capilares trombosados e a hemorragia dentro das papilas dérmicas alongadas
  • Assintomática na maioria dos casos e de evolução imprevisível: pode ficar inalterada por meses, multiplicar-se rapidamente ou regredir sozinha

Verruga vulgar

  • Predomina no dorso das mãos, nos dedos, nos cotovelos e nos joelhos
  • Pode acometer qualquer região do tegumento

Verruga filiforme

  • Variante morfológica da verruga vulgar, com projeções ceratóticas finas e alongadas, perpendiculares ou oblíquas à superfície
  • Predomina na barba, no nariz e na região periocular
  • Pode ser isolada ou múltipla, e o barbear dissemina a infecção pela área

Verruga plana

  • Pápula achatada, de superfície lisa, de poucos milímetros, cor da pele ou eritêmato-amarelada, com tendência a coalescer
  • Predomina na face e no dorso das mãos, em crianças e adolescentes (verruga plana juvenil) e em imunodeprimidos
  • O fenômeno de Koebner é frequente, com lesões dispostas em linha nos trajetos de escoriação

Verruga plantar

  • Pápula hiperceratótica com crescimento endofítico nas áreas de pressão, frequentemente com pontos de hemorragia
  • Muito dolorosa quando localizada em ponto de apoio
  • Predomina em crianças e adolescentes

Mirmécia

  • Lesão plantar mais profunda, de superfície áspera envolta por anel hiperceratótico, comparada a um iceberg, com a maior parte da lesão nas camadas profundas
  • Inflamada e dolorosa, isolada ou múltipla

Verruga em mosaico

  • Lesões plantares múltiplas que confluem e formam placas ceratóticas
  • Mais superficial que a mirmécia e habitualmente indolor

Verruga periungueal

  • Lesão ceratótica na dobra ungueal, em geral dolorosa
  • Pode crescer sob a lâmina e produzir onicólise parcial

Verruga do açougueiro

  • Lesões extensas nas mãos de manipuladores de carne e de peixe, com aspecto de couve-flor
  • Maceração e trauma repetido são os fatores predisponentes

Epidermodisplasia verruciforme

  • Início na infância ou no começo da adolescência
  • Pápulas e placas eritematosas semelhantes a verrugas planas nas extremidades
  • Placas eritematosas ou acastanhadas no tronco, no pescoço e na face, que lembram pitiríase versicolor e ceratose seborreica
  • Tendência à disseminação por todo o corpo, podendo evoluir para verrucosidade generalizada
  • Máculas hipocrômicas gutatas e máculas róseas descamativas também ocorrem

Classificação

  • Verruga vulgar (verruca vulgaris)
  • Verruga filiforme
  • Verruga plana (verruca plana)
  • Verruga palmoplantar (verruca plantaris), com as variantes mirmécia, em mosaico e pontuada
  • Verruga periungueal e subungueal
  • Verruga do açougueiro
  • Verruga em crista, que preserva os dermatóglifos
  • Epidermodisplasia verruciforme e verrucosidade generalizada
  • Verrugas anogenitais (condiloma acuminado), tratadas em página própria

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Complicações e cuidados

  • Dor, fissura e sangramento, sobretudo nas lesões plantares de apoio e nas periungueais
  • Limitação funcional da marcha
  • Disseminação por autoinoculação e por escoriação da pele adjacente durante o debridamento
  • Cicatriz dolorosa em área de apoio após tratamento destrutivo, que pode incomodar mais do que a verruga
  • Hipopigmentação e hiperpigmentação pós-crioterapia, mais frequentes em fototipos altos
  • Distrofia ungueal e perda da lâmina após bleomicina periungueal
  • Verruga em anel na periferia da área tratada com cantaridina, que simula falha do tratamento
  • Queimadura química pelo ácido salicílico em pele sã e em áreas de má cicatrização
  • Verrucosidade generalizada no imunossuprimido
  • Carcinoma espinocelular sobre lesões de epidermodisplasia verruciforme
  • Transmissão de partículas virais pela fumaça cirúrgica ao profissional

Prognóstico

O prognóstico é excelente e a lesão é benigna. A maioria das verrugas regride sem tratamento em 1 a 2 anos, com cerca de metade das crianças livres em 1 ano e cerca de dois terços em 2 anos; nos adultos o clareamento é mais lento e a persistência por 5 a 10 anos não é rara.

A recidiva após o tratamento é frequente e ocorre sobretudo nos primeiros 3 a 6 meses, o que justifica definir cura como ausência de lesão por pelo menos 6 meses.

As verrugas plantares e as periungueais são as mais resistentes e as que mais recidivam; as verrugas de mão respondem melhor.

No imunossuprimido, as lesões são maiores, mais numerosas, resistentes ao tratamento e podem evoluir para verrucosidade generalizada; nesse grupo, e na epidermodisplasia verruciforme, existe risco real de transformação em carcinoma espinocelular, o que exige seguimento e fotoproteção.

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Referências

  1. British Association of Dermatologists' guidelines for the management of cutaneous warts 2014. British Journal of Dermatology. 2014.
  2. Clinical guideline for the diagnosis and treatment of cutaneous warts (2022). Journal of Evidence-Based Medicine. 2022.
  3. Systematic review of intralesional therapies for cutaneous warts. JID Innovations. 2024.
  4. Atualização em papiloma vírus humano, Parte I: epidemiologia, patogênese e espectro clínico. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2021.
  5. Tratamento do papiloma vírus humano na infância com creme de imiquimode a 5%. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2009.

Achados (clique para explorar)

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