Xantomas são depósitos localizados de lipídios no interior de macrófagos (células espumosas), na derme, tecido subcutâneo, tendões e pálpebras, que conferem coloração amarelada às lesões.
Embora sejam intrinsecamente benignos, funcionam como marcador cutâneo visível de doenças sistêmicas do metabolismo lipídico.
Resultam de anormalidades primárias ou secundárias do metabolismo das lipoproteínas ou, mais raramente, de gamopatia monoclonal.
O reconhecimento do tipo e da topografia do xantoma orienta a identificação da dislipidemia subjacente e do risco cardiovascular associado.
Podem surgir em qualquer idade, mas tendem a aparecer na segunda década de vida em portadores de condições predisponentes como a hipercolesterolemia familiar.
Cerca de 75% dos pacientes idosos com hipercolesterolemia familiar apresentam xantoma tendinoso.
Em grande estudo retrospectivo de 5504 neoplasias cutâneas benignas de pálpebra, aproximadamente 6% eram xantelasmas.
Apenas cerca de 50% dos pacientes com xantelasma têm hiperlipidemia.
A prevalência dos xantomas está ligada à prevalência das doenças sistêmicas que os causam.
Fatores de risco e doenças associadas
Nos estados de hiperlipidemia, as lipoproteínas circulantes permeiam entre as células endoteliais e depositam-se na derme, no subcutâneo e nos tendões.
A fagocitose desses lipídios pelos macrófagos teciduais origina as células espumosas características.
Na xantomatose normocolesterolêmica, a lesão tecidual local por trauma ou inflamação aumenta a permeabilidade vascular e leva ao extravasamento e fagocitose de lipoproteínas, mecanismo proposto para os xantomas eruptivos e para lesões em áreas de trauma mecânico repetido (por exemplo, tendão de Aquiles).
Lipoproteínas transportam os lipídios plasmáticos para as células periféricas, com estrutura básica de núcleo interno (triglicérides e ésteres de colesterol) e envoltório externo (fosfolípides, colesterol livre e apoproteínas).
Quilomícrons são de produção sobretudo exógena, com núcleo de triglicérides e apoproteínas B-48, E, A-I, A-II e C-II, tornando-se remanescentes após hidrólise dos triglicérides.
A VLDL é de produção endógena hepática, com núcleo de triglicérides e apoproteínas B-100, E e C-II, sendo a C-II necessária para ativar a lipase lipoproteica.
A IDL é o remanescente da VLDL após hidrólise dos triglicérides pela lipase lipoproteica; a LDL resulta da hidrólise adicional da IDL, com núcleo rico em ésteres de colesterol e B-100 na superfície, captada nos hepatócitos pelo receptor apo B-100/E.
A HDL remove colesterol dos tecidos, dependendo da apoproteína A-I e da esterificação do colesterol pela lecitina-colesterol aciltransferase.
Nas paraproteinemias com lípides normais, os xantomas planos representam proliferação de tecido linforreticular que adquire características xantomatosas.
A xantomatose cerebrotendínea é entidade normolipidêmica autossômica recessiva por mutação do gene CYP27A1, com acúmulo de colestanol em cérebro e tendões.
Classificação
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O desfecho depende sobretudo do manejo adequado da doença sistêmica subjacente.
Algumas condições subjacentes têm mortalidade precoce e elevada, como a hipercolesterolemia familiar homozigótica.
Muitos xantomas menores diminuem ou desaparecem com o controle sistêmico eficaz.
Lesões sintomáticas por tamanho ou localização podem recidivar após excisão, o que é minimizado por planejamento cirúrgico cuidadoso.
A forma heterozigótica da hipercolesterolemia familiar tem prognóstico melhor que a homozigótica.
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