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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Candidose oral

Padrão inflamatório(Candidíase oral, Candidose orofaríngea, Sapinho, Estomatite protética, Queilite angular, Glossite romboide mediana, Candidose mucocutânea crônica)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Conceito

Infecção fúngica mais comum da boca, oportunista, historicamente chamada de doença dos doentes porque não ocorre sem uma causa predisponente local ou sistêmica.

Candida passa de comensal a patógeno quando as defesas do hospedeiro falham, e é por isso que o diagnóstico de candidose oral obriga a procurar a causa: prótese, corticosteroide inalatório, antibiótico, deficiência hematínica, diabetes, imunossupressão.

Reúne formas de aspecto muito diferente (pseudomembranosa, eritematosa, hiperplásica, queilite angular, glossite romboide mediana, estomatite protética), com o mesmo agente e o mesmo raciocínio de manejo.

No paciente com HIV, funciona como marcador da queda de linfócitos T CD4.

Epidemiologia

Candida albicans é isolada da cavidade oral em 30% a 50% da população geral saudável, em 50% a 65% dos usuários de prótese dentária, em 65% a 88% dos residentes de instituições de longa permanência e em 90% a 95% das pessoas com infecção pelo HIV.

Candida albicans, Candida tropicalis e Candida glabrata respondem por mais de 80% das candidoses orais; somadas a Candida parapsilosis e Candida krusei, passam de 90% das candidoses orais e disseminadas.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Uso de prótese dentária, principalmente com má higiene e uso noturno
  • Xerostomia, síndrome de Sjögren, radioterapia de cabeça e pescoço e quimioterapia citotóxica
  • Corticosteroide inalatório sem bochecho após o uso
  • Corticosteroide tópico potente aplicado na mucosa oral
  • Antibióticos de amplo espectro, imunossupressores e corticosteroide sistêmico
  • Dieta rica em carboidratos e bebidas açucaradas
  • Extremos de idade
  • Imunodeficiência com contagem baixa de linfócitos T CD4
  • Deficiências hematínicas de ferro, vitamina B12 e folato
  • Diabetes melito com mau controle glicêmico
  • Lambedura habitual dos lábios e microtrauma do vermelhão, na queilocandidose
  • Infecção pelo HIV, com risco que acompanha a queda do CD4: abaixo de 400 células/mm3 aumenta o risco de candidose oral e vaginal, abaixo de 200 células/mm3 o de candidose orofaríngea, e abaixo de 30 células/mm3 o de candidose esofágica e candidemia sistêmica
  • Leucopenia, linfopenia e neoplasias hematológicas, para as quais a candidose oral funciona como marcador
  • Anemia ferropriva: em uma casuística de candidose oral, encontrou-se câncer colorretal em 12,5% dos pacientes com anemia ferropriva acima de 65 anos, o que obriga a investigar a origem da anemia
  • Deficiências hematínicas de ferro, vitamina B12 e folato, que predispõem também a glossite atrófica e a queilite angular
  • Diabetes melito
  • Candidose mucocutânea crônica associada a endocrinopatia: síndrome de Cushing, hipotireoidismo, hipoparatireoidismo e doença de Addison
  • Timoma com miastenia gravis, na candidose mucocutânea crônica recorrente
  • Líquen plano oral erosivo, leucoplasia e lúpus eritematoso, sobre os quais se instala a candidose hiperplásica

Patogênese

Candida passa de comensal a patógeno quando as defesas do hospedeiro falham, e a adesão à mucosa é o passo essencial da colonização e da infecção.

O fungo detecta as alterações do ambiente e responde com a troca fenotípica de levedura para hifa ou pseudo-hifa; a hifa cresce de modo direcional (tigmotropismo) e invade ativamente as junções intercelulares.

Além da penetração ativa, Candida albicans invade por endocitose: enzimas líticas e invasinas expressas na hifa degradam a caderina E e outras proteínas juncionais, e o fungo é internalizado pela célula epitelial.

Aspartil-proteinases secretadas e fosfolipases degradam a membrana basal, a matriz extracelular e as junções epiteliais, além de destruir imunoglobulinas e peptídeos antimicrobianos do hospedeiro.

A candidalisina, toxina peptídica citolítica secretada pela hifa, é essencial para o dano epitelial e para o desenvolvimento da candidose oral.

A faixa de pH que permite o crescimento vai de 3,0 a 8,0, com ótimo entre 5,1 e 6,9; metabólitos ácidos (piruvato, acetato) têm potencial citopático e contribuem para a inflamação intensa da mucosa.

A defesa antifúngica da mucosa depende da imunidade celular: as células Th17 produzem interleucina 17 e interleucina 22, que recrutam neutrófilos, e por isso pacientes com HIV e depleção de CD4 e pacientes com deficiência de Th17 são muito suscetíveis.

Na candidose mucocutânea crônica hereditária há defeitos da resposta de interleucina 17 e 22; a causa mais frequente são mutações autossômicas dominantes com ganho de função em STAT1, e a síndrome de hiper-IgE, por defeito de STAT3, também cursa com Th17 e Th22 deficientes.

Clínica

  • Candidose pseudomembranosa: placas ou pontos brancos aderentes, semelhantes a leite coalhado ou queijo cottage, que podem ser removidos e deixam base eritematosa
  • Candidose eritematosa: mácula vermelha da mucosa; o nome atrófica foi abandonado porque mais de 60% dos casos mostram aumento, e não redução, da espessura epitelial
  • Candidose hiperplásica: placa branca aderente, homogênea ou nodular (salpicada), que não se destaca à raspagem, em geral assintomática, mais comum na mucosa jugal anterior, nas comissuras e no dorso da língua
  • Queilocandidose e candidose juxtavermelhão: placas eritematosas, pruriginosas, com crostas amareladas na pele justaposta ao vermelhão, com ou sem descamação do vermelhão, desencadeadas pela lambedura habitual dos lábios ou por microtrauma
  • Candidose orofaríngea: lesões no terço posterior da língua, no palato mole, nas paredes laterais e posterior da faringe e nas tonsilas
  • Candidose supurativa: entidade rara, com mucosite ulcerativa necrosante, abscesso submucoso, infecção dérmica semelhante a celulite ou osteomielite dos maxilares
  • Úlcera oral crônica candidósica: mucosa erosiva difusa e sangrante, com pequenas úlceras contínuas ou uma úlcera grande recoberta por placa espessa e brilhante, acinzentada ou amarelada, que corresponde a biofilme organizado

Estomatite protética

  • Eritema e edema crônicos de parte ou de toda a mucosa palatina e do rebordo alveolar em contato com a prótese
  • Assume as formas localizada (hiperemia puntiforme), difusa (eritematosa generalizada) e granular (hiperplasia papilar inflamatória)

Queilite angular

  • Eritema e fissuração das comissuras labiais, em geral bilaterais
  • Pode decorrer de infecção por Candida, de infecção sinérgica com Staphylococcus aureus ou de causa não infecciosa

Glossite romboide mediana

  • Área elíptica ou romboide de atrofia papilar e eritema na linha média do dorso posterior da língua, imediatamente anterior às papilas circunvaladas
  • É variante da candidose eritematosa, e não anomalia do desenvolvimento: a biópsia rende Candida em mais de 85% dos casos, e a confirmação vem da resposta completa ao antifúngico
  • Candidose mucocutânea crônica: forma congênita ou hereditária e forma adquirida (focal ou difusa), associada a endocrinopatia ou a imunossupressão

Classificação

  • Candidose oral aguda ou crônica: pseudomembranosa e eritematosa
  • Candidose associada a Candida: estomatite protética (inflamação simples localizada, tipo eritematoso difuso e tipo granular ou hiperplasia papilar inflamatória), glossite romboide mediana, queilite angular, queilocandidose e candidose juxtavermelhão
  • Candidose hiperplásica: em placa, nodular, granular papilar e sobre lesão primária queratinizada (leucoplasia, líquen plano oral, lúpus eritematoso)
  • Candidose mucocutânea crônica: tipo congênito ou hereditário e tipo adquirido (focal ou difuso), associado a endocrinopatia ou a imunossupressão
  • Candidose orofaríngea, sinal de imunossupressão
  • Candidose oral supurativa

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Complicações e cuidados

  • Candidemia e candidose sistêmica, inclusive endocardite por Candida, com mortalidade de até 79% nas formas invasivas
  • Mucosite ulcerativa necrosante, abscesso submucoso e osteomielite dos maxilares na candidose não tratada
  • Hiperplasia papilar inflamatória do palato duro
  • Candidose esofágica e orofaríngea no imunossuprimido

Prognóstico

É doença tratável, de prognóstico em geral favorável, mas a erradicação micológica é difícil, e a falha ou a recidiva são comuns por diagnóstico incorreto, por não se reconhecer outra doença associada, por não corrigir os fatores predisponentes ou por prescrição inadequada do antifúngico.

Mais da metade dos casos de candidose disseminada ou candidemia permanece sem diagnóstico no momento do óbito.

A forma difusa de candidose mucocutânea crônica, de início precoce, é a mais grave e costuma resistir ao tratamento, ainda que a infecção permaneça relativamente superficial.

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Referências

  1. Oral candidosis: pathophysiology and best practice for diagnosis, classification, and successful management. Journal of Fungi. 2021.
  2. Oral potentially malignant disorders: a consensus report from an international seminar on nomenclature and classification, convened by the WHO Collaborating Centre for Oral Cancer. Oral Diseases. 2021.

Achados (clique para explorar)

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Doenças das mucosas
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