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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Colestase intra-hepática da gestação

Padrão inflamatório(Colestase intra-hepática da gravidez, Colestase obstétrica, Colestase da gravidez, Icterícia da gravidez, Prurido gravídico, Prurigo gravídico)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Conceito

Forma reversível de colestase desencadeada pelos hormônios da gestação em pessoas geneticamente predispostas, que se manifesta no fim da gravidez com prurido generalizado extremo e sem lesão cutânea primária.

É a única dermatose específica da gestação em que o prurido é o único sintoma inicial e todas as lesões cutâneas são secundárias à coçadura.

Entrou na classificação das dermatoses específicas da gravidez por ser diagnóstico diferencial obrigatório do prurido na gestante e por trazer risco fetal, que aumenta quando o diagnóstico é retardado ou não é feito.

O diagnóstico é laboratorial: elevação dos ácidos biliares séricos totais.

O prognóstico materno é bom; o fetal é comprometido, e é ele que determina a conduta.

Epidemiologia

Prevalência de 0,2% a 2,4% na Europa Central, com padrão geográfico marcante: é particularmente frequente na Escandinávia e na América do Sul e alcança as maiores taxas no Chile (15% a 28%).

Ocorre em famílias e recorre em 45% a 70% das gestações seguintes.

História de lesões cutâneas iguais em gestação anterior estava presente em 88% das pacientes em estudo retrospectivo de dois centros, proporção muito maior que a das demais dermatoses específicas.

O início médio ocorre por volta da 30ª semana de gestação (variação da 24ª à 36ª).

O acometimento predominante dos membros distingue a distribuição das lesões secundárias da observada nas demais dermatoses específicas, em que o abdome domina.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Predisposição genética e história familiar
  • Mutações em genes de transportadores biliares, como o ABCB4 (MDR3)
  • Residência em regiões de alta prevalência (Escandinávia, América do Sul, Chile)
  • Gestação anterior acometida, com recorrência em 45% a 70% dos casos
  • Contracepção hormonal, que pode desencadear o quadro fora da gestação
  • Colestase extra-hepática concomitante, responsável pela icterícia
  • Colelitíase

Patogênese

Há defeito na excreção de sais biliares, com elevação dos ácidos biliares séricos.

A causa é multifatorial, com componentes genéticos, hormonais e exógenos.

Foram identificadas mutações em genes que codificam proteínas transportadoras necessárias à excreção biliar, como o ABCB4 (MDR3), em parte das pacientes; a ocorrência familiar e o agrupamento endêmico apontam para o substrato genético.

Com concentrações hormonais normais o defeito não tem tradução clínica: só se torna evidente nas concentrações máximas do fim da gestação e com contracepção hormonal.

Os metabólitos de estrógeno e de progesterona são eles próprios colestáticos.

Os ácidos biliares tóxicos atravessam para a circulação fetal e produzem anoxia placentária aguda e depressão cardíaca fetal, o que explica o risco fetal.

Fatores ambientais e dietéticos foram aventados, entre eles a queda dos níveis séricos de selênio.

Clínica

  • Prurido generalizado extremo, de início súbito, que pode começar em palmas e plantas e rapidamente se generaliza
  • Piora noturna do prurido
  • Ausência de lesão cutânea primária: quando o prurido começa, a pele está inteiramente normal
  • Lesões exclusivamente secundárias à coçadura, que vão de escoriações discretas a nódulos de prurigo, à medida que o prurido persiste
  • Predomínio das lesões nas superfícies extensoras dos membros, com acometimento também de nádegas e abdome
  • Icterícia em cerca de 10% das pacientes, por colestase extra-hepática concomitante, em geral após 2 a 4 semanas, nos episódios mais graves e prolongados
  • Persistência do prurido por toda a gestação, com frequência atormentador
  • Início tardio, no fim da gestação, quando as concentrações de estrógeno e progesterona atingem o valor máximo

Classificação

Ácidos biliares séricos totais

  • Até 11,0 µmol/L: aceito como normal no fim da gestação (faixa normal fora da gestação de 0 a 6 µmol/L)
  • Acima de 40 µmol/L: correlaciona-se a prematuridade, sofrimento fetal intraparto e natimortalidade

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Complicações e cuidados

  • Prematuridade em 19% a 60% dos casos
  • Sofrimento fetal intraparto em 22% a 33% dos casos
  • Natimortalidade em 1% a 2% dos casos
  • Correlação do risco fetal com o nível de ácidos biliares séricos, sobretudo acima de 40 µmol/L
  • Esteatorreia com má absorção de vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina K
  • Deficiência de vitamina K, com hemorragia intraparto e pós-parto na mãe e no recém-nascido
  • Colelitíase nos episódios mais graves e prolongados
  • Nódulos de prurigo por coçadura persistente
  • Recorrência em 45% a 70% das gestações seguintes

Prognóstico

O prognóstico materno é bom: o prurido desaparece espontaneamente em dias a semanas após o parto.

O prognóstico fetal é significativamente comprometido, com prematuridade (19% a 60%), sofrimento fetal intraparto (22% a 33%) e natimortalidade (1% a 2%), proporcionais ao nível de ácidos biliares séricos, sobretudo acima de 40 µmol/L.

O diagnóstico pronto, o tratamento específico e a vigilância obstétrica estreita são o que muda esse desfecho.

Recorre em 45% a 70% das gestações seguintes e pode recidivar com contracepção hormonal.

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Referências

  1. Dermatoses of pregnancy - clues to diagnosis, fetal risk and therapy. Annals of Dermatology. 2011.
  2. Pemphigoid gestationis: current perspectives. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology. 2017.

Achados (clique para explorar)

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Dermatoses da gestação
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