Pular para o conteúdo
Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

Conteúdo

  • Assista
  • Explore
  • Assinar

Contato

  • Sou paciente: agendar consulta
  • WhatsApp
  • Instagram
© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
Dermato Prática
AssistaExploreSobreEntrarAssinar
Você está no conteúdo aberto da Dermato Prática. Conheça os planos →
← Doenças

Penfigoide gestacional

Padrão inflamatórioepiderme e derme(Herpes gestacional, Penfigoide da gestação, Herpes gestationis)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Conceito

Doença bolhosa autoimune rara e autolimitada, exclusiva da gestação e do puerpério, mediada por autoanticorpos IgG contra o BP180 (colágeno tipo XVII), a mesma proteína alvo do penfigoide bolhoso.

Manifesta-se com prurido intenso e pápulas e placas urticariformes que começam na região periumbilical e evoluem para vesículas e bolhas tensas.

Pode surgir em qualquer trimestre, com predomínio no segundo e no terceiro, no pós-parto imediato ou em associação a tumores trofoblásticos (mola hidatiforme e coriocarcinoma).

A imunofluorescência direta em pele perilesional, com depósito linear de C3 na zona da membrana basal, confirma o diagnóstico e é o que o separa da erupção polimórfica da gravidez.

É uma das duas dermatoses específicas da gestação com risco fetal, ao lado da colestase intra-hepática.

Epidemiologia

Raro: a incidência é de 1 em 2.000 a 1 em 50.000 a 60.000 gestações e varia conforme a prevalência dos haplótipos HLA-DR3 e HLA-DR4; outras séries estimam cerca de 1 em 60.000 gestações.

Estudos populacionais na França, no Kuwait, no Irã e na Alemanha relatam incidência anual de 0,5 a 2,0 casos por milhão de pessoas.

A distribuição é mundial e não há diferença descrita entre grupos étnicos.

A idade das pacientes vai de 17 a 41 anos, com início em torno dos 26 aos 32 anos.

Acomete primigestas e multigestas, com predomínio de multigestas na maioria das séries.

Recidiva em 33% a 50% das pacientes nas gestações seguintes, em geral mais cedo e de forma mais grave.

Gestações poupadas ocorrem em cerca de 5% a 8% dos casos e não se explicam por mudança de parceiro nem por compatibilidade materno-fetal no locus DR.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Haplótipo HLA-DR3
  • Haplótipo HLA-DR4
  • Combinação dos haplótipos HLA-DR3 e HLA-DR4
  • Gestação anterior acometida, com recorrência mais precoce e mais grave
  • Menstruação e anticoncepcionais orais, que desencadeiam recidiva no pós-parto
  • Doença de Graves, com incidência de 10,3% nas pacientes com penfigoide gestacional, contra 0,4% na população geral, explicada em parte pelos haplótipos HLA-DR3 e HLA-DR4
  • Anticorpos antitireoidianos
  • Outras doenças autoimunes
  • Mola hidatiforme
  • Coriocarcinoma

Patogênese

A resposta imune começa na placenta: trofoblastos e células do estroma amniocoriônico expressam de modo aberrante antígenos do complexo principal de histocompatibilidade classe II.

Essa expressão anômala apresenta ao sistema imune materno o BP180 (colágeno tipo XVII, BPAG2), proteína dos hemidesmossomos presente na placenta, nas membranas fetais e na zona da membrana basal da pele.

Formam-se autoanticorpos IgG fixadores de complemento, sobretudo da subclasse IgG1 (o antigo fator herpes gestacional), dirigidos ao domínio NC16A do BP180, que reagem de forma cruzada com a proteína cutânea.

A ligação à membrana basal ativa o complemento, deposita imunocomplexos, atrai e degranula eosinófilos e produz dano tecidual, com clivagem subepidérmica e formação de bolhas.

A predominância de C3 na membrana basal e a presença de eosinófilos indicam que a ativação do complemento e a quimiotaxia de eosinófilos são centrais no dano tecidual; no penfigoide bolhoso a ativação do complemento não é o principal fator da patogênese.

A associação com HLA-DR3 (61% a 80% das pacientes, contra 22% dos controles) e HLA-DR4 (52% a 53%, contra 33% dos controles) é forte, e a combinação dos dois haplótipos está presente em 45% das pacientes, contra 3% dos controles.

As flutuações dos hormônios sexuais explicam os surtos com a menstruação, com anticoncepcionais orais e no parto.

Clínica

  • Prurido intenso, que pode preceder as lesões e permanecer como único sintoma
  • Pápulas urticariformes eritematosas e placas anulares que começam no abdome, com envolvimento característico da região periumbilical (81% dos casos)
  • Disseminação para o restante do abdome em 90% dos casos e, em seguida, para tronco, coxas, membros, palmas e plantas
  • Vesículas e, depois, bolhas tensas sobre base eritematosa, que se rompem e deixam erosão e crostas
  • Face e mucosas habitualmente poupadas
  • Início no segundo ou no terceiro trimestre na maioria dos casos, mas possível em qualquer trimestre e no pós-parto imediato
  • Remissão frequente no fim da gestação, seguida de surto no momento do parto em cerca de 75% das pacientes
  • Lesões urticariformes ou vesiculares transitórias no recém-nascido em cerca de 10% dos casos (penfigoide neonatal)

Classificação

Estágio pré-bolhoso

  • Pápulas e placas urticariformes, sem bolhas
  • Clínica e histopatologia indistinguíveis da erupção polimórfica da gravidez

Estágio bolhoso

  • Vesículas e bolhas tensas sobre base eritematosa
  • Clivagem subepidérmica, situada na lâmina lúcida da junção dermoepidérmica

Histopatologia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Diagnósticos diferenciais Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Manejo Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Procedimentos relacionados Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Complicações e cuidados

  • Prematuridade
  • Recém-nascido pequeno para a idade gestacional
  • Penfigoide neonatal transitório em cerca de 10% dos recém-nascidos, por transferência passiva de IgG, com resolução em dias a semanas
  • Surto no momento do parto em cerca de 75% das pacientes
  • Recidiva com a menstruação e com anticoncepcionais orais
  • Recorrência em gestações seguintes, mais precoce e mais grave
  • Curso grave e persistente por anos, com conversão para penfigoide bolhoso (raro)
  • Insuficiência adrenal do recém-nascido, se a corticoterapia sistêmica for mantida até o parto
  • Efeitos adversos maternos da corticoterapia sistêmica prolongada

Prognóstico

É autolimitado, com exacerbações e remissões ao longo da gestação, melhora frequente no fim da gravidez, surto no parto em cerca de 75% dos casos e resolução espontânea em semanas a meses após o parto.

Em série de 87 pacientes, a doença ativa durou de 2 semanas a 12 anos após o parto, a maioria ficou assintomática em 6 meses, a duração média foi de 28,4 semanas e a mediana, de 16 semanas.

Pode recidivar com a menstruação e com anticoncepcionais orais e recorrer em gestações futuras.

O prognóstico fetal costuma ser bom, apesar do aumento da prematuridade e dos recém-nascidos pequenos para a idade gestacional.

Pérola clínica Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Referências

  1. Dermatoses of pregnancy - clues to diagnosis, fetal risk and therapy. Annals of Dermatology. 2011.
  2. Pemphigoid gestationis: current perspectives. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology. 2017.
  3. Biologic therapy for refractory pemphigoid gestationis: an evidence-based systematic review. JAAD International. 2023.
  4. Dermatologia e gestação. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2005.

Achados (clique para explorar)

prurido intensourticapápulaplacavesículabolhaerosãocrostalesão anulartroncopalmas e plantassurtos e remissões

Veja também

Dermatoses da gestação
Médico ou estudante
Acesso completo

Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.

Aprenda comigo →
Paciente
Consulte com o Dr. Caio Formiga

Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.

Consulte comigo →