Sutura simples, retirada de pontos e curativo
Aprenda os princípios práticos da sutura simples, desde a posição da agulha no porta-agulha até o curativo final e o tempo correto para retirada dos pontos.
A sutura é uma etapa fundamental no manejo da ferida cirúrgica. Nesta aula, Dr. Caio Formiga apresenta os fundamentos da sutura simples, da escolha do fio, da retirada dos pontos, do curativo e da cicatrização por segunda intenção.
A aula começa pela posição correta da agulha no porta-agulha. A ponta e o fundo da agulha são regiões mais frágeis; o corpo é a região mais resistente. Por isso, o porta-agulha deve segurar a agulha no corpo, seja exatamente na metade, para maior controle e delicadeza, seja na junção do terço proximal com os dois terços distais, quando o objetivo é capturar mais tecido.
Em seguida, a aula organiza a escolha do fio, com foco no nylon. Quanto maior o número, mais fino o fio. O nylon 3 é usado em áreas de maior tensão, como região palmar, plantar, dorso ou feridas extensas. O nylon 6 é indicado para áreas delicadas, como pálpebra e muitas cirurgias da face. O nylon 4 costuma resolver bem áreas de tensão comum no tronco e extremidades. Já o nylon 5 é apresentado como o fio mais utilizado na maioria das pequenas cirurgias da pele.
A aula também mostra como manipular o porta-agulha e a pinça. O porta-agulha pode ser ajustado conforme o objetivo: velocidade, força, precisão ou controle. Para iniciantes, retirar o dedo do porta-agulha durante a passagem da agulha pode facilitar a rotação e aumentar a delicadeza. A pinça dente de rato é a mais indicada para sutura; a pinça anatômica deve ser evitada, pois pode machucar e amassar a pele.
Na técnica do nó, o porta-agulha deve ficar paralelo à ferida. O primeiro nó é feito com duas rotações do fio ao redor do porta-agulha, captura da ponta solta e tração das duas pontas em sentidos opostos. Os nós seguintes são feitos com rotação única.
Outro ponto central é o ângulo da sutura. A agulha deve entrar a 90 graus na pele, permitindo capturar estruturas mais profundas. A distância de entrada e saída deve ser simétrica em relação à ferida, assim como a profundidade. Quando esses princípios são respeitados, as bordas tendem a ficar niveladas e levemente evertidas, com melhor coaptação.
A aula também aborda o tempo de retirada dos pontos. Na face e orelha, geralmente 5 a 7 dias. No tronco, extremidades e couro cabeludo, em torno de 10 a 14 dias. Em áreas de alta tensão, como região palmar, plantar, unha ou dorso sob tensão, pode ser necessário deixar por mais tempo, chegando a 28 dias em situações selecionadas.
Na parte de curativo, a proposta é simples: limpar a ferida com soro fisiológico e gaze estéril, aplicar vaselina pomada ou mupirocina quando indicada, cobrir com gaze estéril e fixar com micropore, atadura ou esparadrapo conforme a situação. A vaselina pomada ajuda a proteger a ferida, favorecer a reepitelização e impedir que o curativo grude.
Por fim, a aula explica a cicatrização por segunda intenção, comum após excisão tangencial e curetagem. Nessas situações, a ferida cicatriza sem sutura, por formação de tecido de granulação, depósito de colágeno, reepitelização e contração. Já no fuso, sempre que possível, a preferência é pelo fechamento primário com sutura.
O que você vai aprender
Entender a importância da sutura simples no fechamento da ferida cirúrgica.
Segurar corretamente a agulha no porta-agulha.
Escolher o nylon conforme espessura, tensão e localização.
Usar o porta-agulha com mais controle e rotação.
Manipular a pinça dente de rato com delicadeza.
Realizar o nó instrumental com rotações adequadas.
Entrar com a agulha a 90 graus na pele.
Manter simetria entre distância de entrada, saída e profundidade.
Coaptar as bordas de forma nivelada e levemente evertida.
Definir o tempo de retirada dos pontos conforme localização e tensão.
Organizar um curativo simples com vaselina, gaze e micropore.
Entender quando usar atadura ou curativo compressivo.
Diferenciar cicatrização por primeira intenção e segunda intenção.